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A mostrar mensagens de maio, 2019

Crónica e encontro

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Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/18-mai-2019/interior/o-fim-da-empatia-10905780.html


Logo mais à tarde, pelas 18h30, na novíssima Livraria da Travessa, ao Príncipe Real, e aproveitando o facto de termos connosco em Lisboa o mais recente vencedor do Prémio LeYa, Itamar Vieira Junior, o romance Torto Arado será o ponto de partida para uma conversa sobre a situação da cultura no Brasil actual. Além do autor, estará presente Mirna Queiroz, da revista Pessoa, e João Moreira, da revista Bica, que moderará a sessão. Apareça.


P. S. O Prémio LeYa será entregue neste domingo na Feira do Livro, às 18h30. Apareça por lá também.


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PEN Clube

O PEN Clube português faz 40 anos em 2019, e  nova direcção decidiu assinalar o aniversário com actividades literárias, o que é muito bom. Assim, hoje mesmo, pelas 18 horas, na Livraria Férin, em Lisboa, promovem-se as primeiras Leituras Públicas PEN (notem que PEN são as iniciais de Poesia, Ensaio e Narrativa), animadas por três escritores: um poeta (Luís Filipe de Castro Mendes), um ensaísta dedicado à literatura (Manuel Frias Martins) e uma ficcionista (Teolinda Gersão). Os três autores, além de lerem excertos da obra ou poemas e de conversarem sobre a sua carreira literária, podem responder a perguntas do público no fim da sessão, que será gravada e difundida pela rádio NTR, cujo programador cultural é o jornalista Jorge Gaspar. Imagino que para o mês que vem haja mais.


 

Mais uma

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Pois é, vem aí o monstro, aquela coisa que dura, dura, dura… e nos faz perder fins-de-semana de praia e feriados de passeio. Ela chama-se, pois, Feira do Livro de Lisboa, e é já a 89ª! Nem tudo é mau, porque estar de roda dos livros e dos autores é sempre uma experiência inesquecível e, apesar do que pintei, as semanas passam a correr e no último dia fica sempre um vazio… Este ano a feira abre hoje, 29 de Maio, e vai até 16 de Junho. Os horários são, de segunda a quinta, das 12h30 às 22h; aos sábados das 11h às 24h, aos domingos e feriados das 11h às 22h. Existe a deliciosa Hora H, das 21h às 22h, com livros com 50% de desconto, nos dias 3 a 6 e 10 a 13 (aproveitem). Como sempre, haverá lançamentos e sessões de autógrafos, mesas-redondas, espectáculos, além da entrega do Prémio LeYa a Itamar Vieira Junior, já no próximo domingo, às 18h30 (se quiserem aparecer, são muito bem-vindos). O importante é que lá vão dar uma boa vista de olhos, porque se encontram sempre coisas que já desapareceram das livrarias, e comprem livros. Se quiserem visitar-me, lá estarei quase todos os fins-de-semana. Boa feira, aos Extraordinários lisboetas.


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Um Charlot português

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No meio da tarefa de esvaziar uma casa de família, a descoberta inesperada de um conjunto de cartas, fotografias e recortes revela ao narrador de Pratas Conquistador a existência de um tio-bisavô pioneiro do cinema em Portugal (o título do livro é, de resto, o do filme por ele realizado). Será o misterioso tio Emídio, curiosa personagem das anedotas familiares, o mesmo Emygdio Ribeiro Pratas, autor e intérprete, em 1917, da primeira comédia cinematográfica portuguesa ao estilo de Charlot? Que destino foi, afinal, o deste homem que teve uma vida absolutamente aventurosa? E porque terá sido votado ao esquecimento? Partindo da história desta figura multifacetada e do papel que representou na vida dos seus contemporâneos e dos seus descendentes, Paulo M. Morais explora os limites da ficção e da não-ficção, conduzindo o leitor ao Portugal das primeiras décadas do século xx, entre a queda da Monarquia e o advento da Sétima Arte, numa viagem ao mesmo tempo intimista e coletiva, poética e documental, que prende da primeira à última página.


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Pano para mangas (e não só)

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Apesar de achar o Facebook cada vez mais cheio de gente agressiva e frequentá-lo pouco, de vez em quando compensa ir lá espreitar pois descobrem-se coisas muito curiosas nos posts de algumas pessoas. Desta vez falo da crítica e escritora (e sempre agradável, porque ama a vida!) Helena Vasconcelos, que me deu a conhecer há uns dias um divertido artigo da famosa Paris Review; uma das suas colaboradoras, Julia Brick, escreve sobre o vestuário de personagens literárias – e o que é mesmo giro é que se associa a uma ilustradora (autora, de resto, de umas quantas capas da revista New Yorker, o que já diz muito do seu trabalho) e esta desenha para ilustrar o artigo alguns modelos usados por Franny em Franny e Zooey, de J. D. Salinger. Ao vê-los, dizia Helena Vasconcelos, dá vontade de regressar à infância. E eu concordo! Oh, como me lembro das queridas bonecas de papel com o seu guarda-roupa de recortar! Quando estava com gripe, em miúda, pedia sempre que me dessem uma dessas folhas, que trazia a boneca e muitas roupas variadas ao lado, do mais desportivo ao mais chique… Nunca me passaria pela cabeça, porém, que alguém fizesse o mesmo tendo por base a criação literária, mas a verdade é que a literatura dá mesmo pano para mangas (mesmo que o pano, no caso, seja papel, e as mangas sejam apenas uma parte ínfima destas roupas). Esta seria talvez uma boa ideia para apresentar personagens literárias aos leitores mais novos e deixar-lhes o bichinho da curiosidade pelo livro de onde foram tiradas… O link vai aí para se deliciarem.


https://www.theparisreview.org/blog/2019/05/20/literary-paper-dolls-franny/


 


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Crónica e exposição

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/11-mai-2019/interior/roupa-velha-10879760.html


 


Para quem gosta de livros e fotografia, desde o início da semana que está patente na Galeria Carlos Paredes, nas instalações da Sociedade Portuguesa de Autores, uma exposição intitulada Por Amor aos Livros, de Inácio Ludgero. Bom fim-de-semana.

Mais

Lembram-se daquelas aborrecidíssimas equações em que menos por menos dava mais e mais por menos dava menos? Pois bem, isto é só para dizer que nada é líquido e que um livro chamado Less (Menos) pode, afinal, ser… Mais! Trata-se de um romance muito premiado, que esteve no top do New York Times e foi considerado livro do ano pelo San Francisco Chronicle, o New York Post ou a Paris Review. E o facto de o título não estar traduzido na edição portuguesa tem que ver com a circunstância de ser também o nome do narrador (Arthur Less) e, no fundo, significar ambas as coisas (o trocadilho perde-se na tradução, paciência). A personagem, aliás, é um escritor de 50 anos, discreto e mediano, além de inseguro, que nunca saiu realmente da cepa torta e tem grande dificuldade em lutar contra os egos exacerbados dos seus colegas. Ora, um dia, é convidado para um casamento – e descobre ser o do ex-namorado com outra pessoa... Então, querendo fugir de tudo, resolve copiar os outros escritores e aceitar fazer leituras e participar de festivais literários por todo o mundo. Uma digressão que o levará a vários continentes onde lhe acontece quase tudo. Parte autobiografia, parte ficção, Less é uma sátira sobre a mudança de idade e o amor que vale a pena ler.


 

Boas notícias

Num tempo em que só ouvimos dizer que fecham por todo lado livrarias, acontece uma excepção de monta. A Livraria da Travessa, que até aqui operava apenas no Brasil e é uma das mais famosas e bem-sucedidas, abriu portas recentemente em Lisboa, no Príncipe Real. Ao contrário das suas congéneres Saraiva e Cultura, que entraram em falência técnica há uns tempos,  a Livraria da Travessa (cujo sucesso inicial, se não erro, se deveu a ter sido escolhida como um dos locais recorrentes numa telenovela de grande sucesso há uns vinte anos) tem-se dado bem nos negócios; e, com este passo, abre a sua primeira loja internacional num momento em que a cena brasileira está difícil. Será uma livraria sobretudo com livros portugueses, mas dela constam também edições brasileiras, mesmo em tradução (presumo que o número de brasileiros residentes em Portugal o justifica), e ainda livros noutras línguas (para os turistas que ali passam às centenas todas as semanas). O espaço é bonito, dividido por várias salas, e vai ser um bom local para lançamentos. Não vi por lá muitos bestsellers, mais livros de literatura a sério. Só posso desejar que corra bem.

Granta na Farmácia

No ano em que a revista Granta comemora 170 anos de vida (caramba!), o Auditório do Museu da Farmácia, bastante activo no que respeita a sessões culturais (foi lá que se realizou um concorrido encontro sobre edição e outro sobre tradução), recebe na quinta-feira 23, às 18h30,  Pedro Mexia (o novo diretor da Granta em Portugal, que sucedeu a Carlos Vaz Marques), bem como Madalena Alfaia, a representante da Tinta-da-China,  editora que publica a revista, e o director de arte da Granta portuguesa, Daniel Blaufuks, para uma conversa em torno do Futuro (o tema do número mais recente), à qual se juntam ainda os escritores Dulce Maria Cardoso e Valério Romão e a moderadora Ana Daniela Soares. Na sessão, entre outras coisas, discutir-se-á o futuro das revistas literárias e o papel da cultura e da língua no espaço mediático contemporâneo. O debate promete e, se lá chegar cedo, ainda pode visitar o Museu da Farmácia, que vale muito a pena.

Ainda Snu

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Snu tem estado na berra, como se dizia no meu tempo: um filme, uma série de TV, a reedição de vários livros. Devemos-lhe muito (e eu também) pois foi quem fundou a editora Dom Quixote, para a qual trabalho regularmente. Miguel Real dedicou-lhe há uns anos uma novela que agora reeditamos, intitulada O Último Minuto na Vida de S., sobre a história do último grande amor português, o de Snu Abecassis e Francisco Sá-Carneiro. Cruzando um estilo ora satírico-jocoso, ora realista, e apoiando-se em três ou quatro factos da realidade portuguesa entre as décadas de 1960 e 1970, o livro conta o que eventualmente terá pensado Snu nos últimos minutos da sua vida, na avioneta que viria a cair em Camarate, à maneira daquele desenrolar de memórias que consta acompanhar o momento da morte. A obra visa ainda retratar um Portugal que já não existe, desaparecido, para o bem e para o mal, na voragem dos costumes europeus.


 


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Crónica e prémio

Hoje é dia de crónica e aí fica o link:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/04-mai-2019/interior/lingua-de-fora-10854250.html


 


Por decisão unânime do júri, O Século dos Prodígios, de Onésimo Teotónio Almeida (Quetzal), ganhou o Prémio Mariano Gago, promovido pela Sociedade Portuguesa de Autores. O Prémio Mariano Gago visa distinguir o melhor livro de divulgação científica publicado no ano anterior. Este livro já tinha sido galardoado com o Prémio Fundação Gulbenkian / História da Presença de Portugal no Mundo (atribuído pela Academia Portuguesa de História) e com o Prémio D. Diniz, da Casa de Mateus. Parabéns ao autor!


 

Para o que lhe havia de dar

As estatísticas dizem que em quase todos os países se perderam leitores com a concorrência dos jogos, dos telemóveis e das séries, e é natural que alguns bibliotecários tenham hoje menos que fazer e precisem de se distrair com qualquer coisa ao longo do seu dia de trabalho. Um bibliotecário canadiano resolveu, então, começar a postar na sua página de Instagram fotos de capas de livros e DVD com títulos esquisitos; e, ao que parece, entre ficção e não-ficção, já vai em mais de 200 só no último ano. Alguns são mesmo intraduzíveis (porque perdem a graça toda sem os trocadilhos do original), como, por exemplo, Murder by Milkshake; mas há outros que são bizarros em qualquer língua (Please God Let it Be Herpes ou Team Dance: a Guide to Canine Free Style...), fazendo-nos pensar em quem serão os autores por detrás de tais obras. Ninguém sabe quem é este bibliotecário que assina apenas VPLGold (VPL corresponde a Vancouver Public Library) mas ele anda a desenterrar «tesouros» das estantes da biblioteca todos os dias. Enfim, não deve ter muito que fazer...

Histórias de um livreiro

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Jaime Bulhosa está ligado aos livros pelo cordão umbilical (passe a metáfora, porque era o pai, e não a mãe, quem o levava desde criança às livrarias) e foi, durante muito tempo, um livreiro independente, primeiro na Livraria Bulhosa de Entrecampos, onde fiz muitíssimos lançamentos nos melhores tempos da edição, e depois na Pó dos Livros, que, infelizmente, fez tudo para se manter no mercado, incluindo arranjar aos clientes livros muito difíceis de encontrar, mas, dada a conjuntura actual, não conseguiu e fechou portas há cerca de um ano. Jaime Bulhosa alimentou um blogue, no qual contava coisas cómicas sobre perguntas e pedidos absurdos ou engraçados de clientes – e agora reuniu os seus posts e outros textos no livro Pedra de Afiar Livros e Outras Histórias de Um Livreiro, da Oficina do Livro, que deve ser lido, até porque é um testemunho muito interessante sobre os dias que atravessamos. Há um bonito vídeo sobre este livro (link abaixo), que aconselho a todos; e, além disso, o autor vai estar hoje na Livraria Menina e Moça, em Lisboa, às 18h30, para falar com os leitores.


https://www.youtube.com/watch?v=_LTuam0JGBs


 


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Fitas

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Não escrevi «fitas» a pensar em «cenas», mas a verdade é que também se aplica essa acepção à presente história. Na Queima das Fitas da Universidade de Coimbra, um grupo de estudantes de História (o curso é importante para o enredo) resolveram que o seu carro alegórico se chamaria, calculem, Alchoolocausto (!?). Enfim, na Direcção da Faculdade de Letras houve alguém sensato que, graças a Deus, chegou a acordo com as criaturas para evitar tal ofensa à dignidade humana e à memória do Holocausto; mas nem era preciso muita inteligência ou cultura para os jovens perceberem que de facto estavam a exorbitar. No entanto, os «fitados de História», em vez de aceitarem que se tinham precipitado, ficaram tão aborrecidos por não aproveitaram aquilo que achavam um nome bestial que resolveram falar de «policiamento académico» e «censura» (ver, por exemplo, a imagem abaixo). Então, 71 professores da Faculdade de Letras fizeram uma carta a demarcar-se de tais atitudes e a explicar o que realmente se passou, em que se acrescenta que, num folheto que os mesmos estudantes teriam feito no dia da memória do Holocausto (27 de Janeiro), falava-se de um extermínio «com o intuito de desembaraçar a sociedade alemã e a Europa de inúmeras comunidades sociais», frase que os professores consideram ou revelar ignorância pura e dura (o que é grave em alunos que estudam História), ou indisponibilidade total para referir com rigor os factos. Enfim, prefiro pensar que é ignorância (até porque estou sempre a ver casos semelhantes noutros contextos); mas, de «fitados» em História, esperavam-se realmente cenas mais informadas...


 


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A mãe

Bem sei que o Dia da Mãe já lá vai há mais de uma semana, mas dei comigo a pensar nele porque, de repente, parece que a Mãe se tornou tema de uma data de livros que saíram quase ao mesmo tempo ou, pelo menos, nos últimos meses. Falo de uma colectânea de poesia (a primeira, de resto) do editor e escritor americano John Freeman (o senhor que dirigiu a revista Granta e a tornou ainda mais famosa no mundo inteiro) intitulada Mapas (Tinta-da-China), que versa o luto materno, também ponto de partida de dois outros livros: Em Tudo Havia Beleza, romance de Manuel Vilas (Alfaguara) que vendeu milhares de exemplares no país vizinho com o título Ordesa (a montanha aonde o autor ia com os pais) e Filho da Mãe, de Hugo Gonçalves (Companhia das Letras), que é um texto semiautobiográfico. Além destes, descubro ainda o livro Mães Que Tudo, de contos (Companhia das Letras), em que escrevem apenas mulheres. A mãe (salvo seja) posta a render pode dar bons resultados. Os lucros serão nossos, claro.

Crónica e votação

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/27-abr-2019/interior/merecer-10830650.html


 


Já votou na sua livraria preferida? Pois bem, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) promove uma vez mais este concurso e é importante votarmos naqueles que fazem a diferença, sobretudo num país em que as livrarias independentes tendem a desaparecer. O link aqui vai. Vote bem.


http://www.apel.pt/pageview.aspx?pageid=974&langid=1&fbclid=IwAR1SbyQUooW5jeM-d90Gnt9_SYFKmrCYVA6yj8LjO4aKJnzVa123KmhDrsg


 

Esperteza saloia

Uma das vantagens de ler um jornal discreto como The Guardian é o facto de os seus jornalistas andarem sempre em cima do acontecimento. Em tempo de fake news, sinto-me confiante neste diário britânico, que foi e é bastante rigoroso. E, de resto, veio agora denunciar uma situação típica da esperteza saloia da Amazon. Ora, parece que os compradores da livraria virtual têm sido enganados constantemente com críticas a determinados livros que, efectivamente, não correspondem à edição que está à venda. Pensem por exemplo num clássico de Tolstoi ou Dostoievski. Claro que é o tipo de obra que merece habitualmente elogios, quer de académicos conceituados, quer de leitores comuns. Mas imaginem que existem edições destes clássicos que, por acaso, foram truncadas, estão mal traduzidas, mal prefaciadas, têm notas de rodapé ridículas, enfim, há muitas coisas que podem transformar uma jóia numa pedra sem valor. E colocar as boas críticas ao pé destas edições más para as despachar é, diria eu, coisa de má-fé e artimanha para despachar livros. Ainda bem que alguém viu e denunciou. Obrigada ao Guardian. Temos de estar mais atentos como compradores porque existe muita gente que nos quer ludibriar. Outra espécie de fake news, em suma.

O tempo voa

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À medida que vamos envelhecendo, o tempo parece andar mais e mais depressa. Esta semana fiz anos de casada (nem digo quantos para não me assustar outra vez) e este blogue fez nove anos no domingo passado (já?!). No final da década de 1990 publiquei um livro que dizia que, nos cinquenta anos anteriores,  o mundo mudara mais do que nos quinhentos anos anteriores (ou seja, tudo o que aconteceu nos primeiros 450 foi calmo e pausado e logo a seguir a coisa disparou e chegámos aonde chegámos, sem conseguir tempo para nada). Era um livro de Bill Gates e chamava-se, se não me engano, Negócios à velocidade do Pensamento. Claro que já não está disponível nas nossas livrarias. Em relação a coisas velhas, descobri este recorte engraçadíssimo que vêem abaixo. Mas não se iludam: os que têm a minha idade ainda se lembram de que a lei vigorou até quase ao 25 de Abril, mesmo que ninguém a cumprisse. E pensar que eu ainda fui contemporânea destas regras é perceber que o tempo realmente voa...


 


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Transcrever

Dizem que os miúdos da escola secundária não acertam em transcrições do texto pedidas nos testes pelos professores porque simplesmente não sabem o que quer dizer «transcrever»… Bem, espero que aqui no blogue ninguém tenha dúvidas sobre a palavra e que os mais disponíveis possam abraçar voluntariamente o pedido de transcrever cartas para um projecto que dá pelo nome de Cartas da Natureza. Não pensem logo em coscuvilhice amorosa e em envelopes com pétalas de flores perfumadas, embora por acaso haja plantas e flores implicadas nisto. É que a correspondência histórica que se pretende ver passada a computador é, nem mais nem menos, a que foi dirigida ao Jardim Botânico da Universidade de Coimbra entre 1870 e 1928 por leigos e especialistas, tantas vezes acompanhada por desenhos feitos à mão e caligrafia estupenda, com esclarecimentos, perguntas e dúvidas sobre espécimes. Pois bem: apesar de muito do material estar já digitalizado, era importante extrair o texto dessas cartas fotografadas e reproduzi-lo em caracteres digitais para que possa ser servir melhor os interesses de estrangeiros que visitam a Biblioteca Digital Botânica e de todos os que têm dificuldade em decifrar algumas letras. Ao transcrever os documentos, o copista vai de certeza ganhar um sem-número de informações novas e deliciosas, além de, como podem calcular, dramas e episódios pessoais bastante inspiradores. Quem me dera ter tempo…

Garrett sem casa

Almeida Garrett nasceu numa casa do Porto que foi recentemente objecto de notícia nos jornais e televisões portugueses pelos piores motivos: houve nela um incêndio de grandes proporções que destruiu totalmente o interior, apesar de se ter conseguido salvar a bonita fachada (mesmo que enegrecida). Não se sabe ainda o que aconteceu, mas suspeita-se de que tenha havido vandalismo ou descuido. Ao que li, a Câmara do Porto tinha a intenção de comprar o edifício (para fazer uma Casa-Museu?), mas parece que ainda não tinha feito propostas concretas ao proprietário, e a Polícia Judiciária exclui à partida que o fogo tenha que ver com especulação imobiliária. Mas a verdade é que João Baptista da Silva Leitão Almeida Garrett, o escritor muitíssimo janota que se casou com uma rapariguinha mal saída da puberdade, pugnou pela construção do Teatro Nacional D. Maria II e escreveu, entre outras coisas, as memoráveis Viagens na Minha Terra (obra que dividiu muitos estudantes da minha geração: uns gostavam dos apontamentos de viagem, outros só liam a história de amor entre a Joaninha e o Carlos), está, depois de morto, desalojado… É que, em Lisboa, a casa onde viveu no bairro de Campo de Ourique, depois de grande polémica aqui há uns anos, também foi deitada abaixo para, no seu lugar, ser construído um complexo de luxo… Pobre Garrett, que merecia um museu, mas não me parece que o vá ter… Mais uma folha caída.

Crónica e o bairro Adília

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Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/20-abr-2019/interior/as-novas-amendoas-10812675.html


 


A nossa poesia continua a dar cartas lá fora. Já me tinham dito que no Brasil a poetisa Adília Lopes era considerada praticamente uma deusa; e agora é a Colômbia que se mostra rendida à sua poesia. Na última FilBo (a Festa Literária de Bogotá), realizou-se na Universidade dos Andes a actividade «Por el barrio de Adília Lopes», um encontro académico internacional à roda da poética de Adília Lopes, com intervenções e leituras de vários portugueses, como Rosa Maria Martelo, Filipa Leal, Pedro Rapoula, Mafalda Veiga e Raquel Nobre Guerra, e também uma exposição. Olha que bom.


 


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O que ando a ler

Assim que vi que ia sair em Portugal mais um romance de Julian Barnes – o autor que ficou famoso com O Papagaio de Flaubert e que venceu o Man Booker Prize em 2011 com o magnífico O Sentido do Fim, sobre o qual escrevi aqui no blogue –, afiei o dente e guardei espaço (ou melhor: tempo). E é mesmo o novo Barnes que ando agora a ler, o romance intitulado A Única História, traduzido por Helena Cardoso e publicado pela Quetzal, que tem vindo a dar à estampa quase todos os anos um romance deste escritor britânico aplaudido dentro e fora de portas. Pois bem: A Única História conta o primeiro amor de Casey Paul, um rapaz de classe média cuja mãe metediça o inscreve no clube de ténis para ver se ele encontra noiva de estrato superior, o que daria bastante jeito. Mas, ao contrário do desejo materno, Casey apaixona-se por uma parceira de ténis quarentona (com duas filhas universitárias e um marido gordo e instalado esquecido do sexo) que vê obviamente no rapaz de 19 anos uma luz que faz brilhar o seu amor-próprio (e não só). A história – única, claro – é contada pelo próprio Casey com uma desfaçatez desconcertante, como se em nada o atingisse o adultério da sua mais-que-tudo (ele convive com a família de Susan nunca sentindo que os atraiçoa), até ao momento em que, «por razões óbvias» (palavras de um bilhetinho que chega por correio), ambos são expulsos do clube. E é nesta parte que vou – ansiosa por logo à noite ler mais um bocadinho, claro. Até agora, tenho-me divertido muito.