O tempo voa

À medida que vamos envelhecendo, o tempo parece andar mais e mais depressa. Esta semana fiz anos de casada (nem digo quantos para não me assustar outra vez) e este blogue fez nove anos no domingo passado (já?!). No final da década de 1990 publiquei um livro que dizia que, nos cinquenta anos anteriores,  o mundo mudara mais do que nos quinhentos anos anteriores (ou seja, tudo o que aconteceu nos primeiros 450 foi calmo e pausado e logo a seguir a coisa disparou e chegámos aonde chegámos, sem conseguir tempo para nada). Era um livro de Bill Gates e chamava-se, se não me engano, Negócios à velocidade do Pensamento. Claro que já não está disponível nas nossas livrarias. Em relação a coisas velhas, descobri este recorte engraçadíssimo que vêem abaixo. Mas não se iludam: os que têm a minha idade ainda se lembram de que a lei vigorou até quase ao 25 de Abril, mesmo que ninguém a cumprisse. E pensar que eu ainda fui contemporânea destas regras é perceber que o tempo realmente voa...


 


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Comentários

  1. Viver na província, ser pequenote e descender de "anarquistas" (lado paternal), faz com que coisas como essa nos passassem ao lado.

    Aliás, até penso que nas praias as coisas se passavam quase normalmente (pelo menos nas que frequentava, Foz do Arelho, Salir e S. Martinho do Porto).

    Nas aldeias, vilas e cidades, é que era tudo mais negro e cinzento (a cor predominante das roupas... e quem as vestia não devia ir a praias...).

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  2. Creio que muita gente ainda não tem consciência, de ter assistido aos maiores desenvolvimentos da história do ser humano. E falo do séc xx, porque os nossos jovens já cresceram no mesmo meio, sem darem pela diferença.

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    1. António Luiz Pacheco8 de maio de 2019 às 05:10

      Inteiramente de acordo!
      Digo muitas vezes o mesmo… eu estudei para os exames do 7º ano do liceu (antigo curso complementar dos liceus) à luz do candeeiro a petróleo! E nem foi assim há tanto tempo, apenas 45 anos!

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  3. O mundo mudou muito com a chegada do telefone, do automóvel, do avião e do computador. Mas mudou ainda mais quando o Sol deixou de mover-se e foi a Terra que passou a fazê-lo. Constatamos sem pruridos o que fazem as máquinas de hoje mas não acreditávamos que pudéssemos estar de pé e parados numa esfera que se movia, isso não.

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  4. Ó meus deuses!!!
    Não sendo eu contemporânea de semelhante legislação, ouvi uma vez a minha Avó dizer que um senhor de Vila Franca tinha sido preso por ter saído à rua de calções para ir à mercearia. Lembro-me de ficar parva a ouvir aquilo. Neste/s caso/s ainda bem que o tempo voa.
    (e parabéns pelo feliz aniversário!)

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  5. Parabéns ao casal Maria do Rosário e Manuel Valente pelo aniversário de casamento.
    A minha ausência aos comentários destes últimos "posts", teve como causa o internamento hospitalar nos últimos doze dias.
    Quanto aos fatos de banho, a evolução foi constante, de que o decreto de 1941 já dá uma pequena evidência; até aí, julgo que as mulheres do início do século usavam uma espécie de vestido por cima do fatinho inteiro e justo ao corpo, enquanto os homens, com aqueles fatos às riscas, pareciam os Irmãos Metralha ou até os Dalton.

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    1. António Luiz Pacheco8 de maio de 2019 às 05:12

      Esperemos que se encontre restabelecido! O tempo não perdoa, pois não… e provoca o dito DNA (data de nascimento antiga)!!!!

      Grande abraço cá da Cidade Apagada!

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    2. As suas melhoras. Espero que recupere rapidamente.

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    3. Maria do Rosário
      Agradeço o desejo de melhoras, sendo que este espaço também contribui para que me sinta melhor e que a recuperação seja efectiva.
      Ainda hoje, da parte da tarde, fui submetido ao uma ressonância magnética e, mal estabelecido no tabuleiro que conduzia ao túnel, perguntei ao imagiologista se ia entrar no "forno" sem molho ou se teria de ligar os médios. É assim que encaro a vida, mesmo nos momentos menos fáceis.

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    4. Caro Pacheco
      Como me diria o meu avô, se eu lhe pusesse essa questão, afirmo a pés juntos que tenho 34 anos (em cada perna), o que me permite correr de manhã num circuito de manutenção,pelo que me permite escalpelizar esse DNA como Dinâmica Nunca Acaba... Até ver!
      No Hospital, bem cedo, os corredores ficaram por minha conta, razão pela qual - desconfio eu - me tenham dado "Alta". Se não foi por isto, talvez tenha sido por verem sobre a minha cama um exemplar de "O Sol da Meia Noite", de Jo Nesbo, que a minha mulher me ofereceu.

      Na Cidade Apagada, o Pacheco ver-se-á como o meu avô, com um gasómetro ou uma velha lamparina de azeite, porque candeeiro de petróleo, dada a crise em negociação, nem este combustível permite.

      Com os agradecimento relativo aos seus desejos do meu restabelecimento, também espero que em breve se faça luz na Cidade Morena.

      Abraço desde a cidade no planalto onde a luz não vai faltando, muito embora, em sentido metafórico, muitos políticos continuem às escuras.

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    5. António Luiz Pacheco9 de maio de 2019 às 03:34

      Ahahahah! Digamos que foi então fazer uma reposição do sentido de humor!
      Olhe, em Maio de 2012 sofri um AVC ligeiro, mas que me fez estar desacordado das 22h às 17h do dia seguinte, sem que o dr. Sebastião Barbas tivesse sabido ao certo o que provocou o meu apagamento, como me disse na sua franqueza habitual e amigável… dois dias depois expulsaram-me literalmente do hospital, por estar cheio de saúde e a contaminar toda a gente!
      Passei foi a tomar comprimidos para a tensão… "just in case" (esta é para provocar o nosso querido amigo Severino).

      Abraço hipertenso (controlado) cá da Cidade Morena e apagada!

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    6. Pacheco
      De um hipertenso para outro hipertenso: entrei nas urgências com a tensão a 18-10. Por agora, depois de Pelindropil, voltou aos 13-7 e 14-7. Posso dizer que estou em alta-tensão, só faltando andar com o letreiro - proibido tocar, perigo de choque.
      Houve tempos em que a coisa era nos moldes de atleta. Parafraseando o título do post, "o tempo voa".

      Abraço hiper-intenso da cidade do planalto beirão.

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  6. Hoje há coisas piores. A senhora é fútil.

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  7. Se quem ditou essa lei, visse como se vestem as miúdas de 12 anos hoje em dia, acho que a idade descia para os 5 anos!

    https://titicadeia.blogspot.com/

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  8. Muito interessante.
    Contudo, permitam-me apenas uma nota, que não julgo inoportuna, especialmente para os mais jovens.
    Creio que não estarei a exagerar se disser que este decreto se destinaria a uma pequena minoria; é que, nesta época, embora não a tivesse vivido nem fosse esse o meu caso, claro, certamente estaremos todos convictos que mais de 80% das mulheres portuguesas não tinha hipóteses de frequentar a praia.
    É apenas um alerta para os mais novos.

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    1. Permito-me ainda acrescentar que, à data deste decreto, mais de 98% das mulheres portuguesas não vestia calças, quanto mais calções...

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    2. " mais de 98% das mulheres portuguesas não vestia calças, quanto mais calções..." Muitas nem cuecas. Exemplo: a minha avó que até urinava de pé quando a vontade lhe vinha.

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  9. Bem, a lei é de 1941. Penso que nos primeiros 15 a 20 anos seria cumprida.
    Em jovem, a minha mãe costumava fazer férias com a família em Espinho (fins dos anos 1950, princípios de 60). Estando uma vez na piscina municipal, ela lembra-se de lá ter entrado uma estrangeira de biquini e causar tão grande escândalo, que até a guarda foi chamada para convidar a senhora a retirar-se, ou a vestir-se em condições. E, diz a minha mãe, não era um biquini que se comparasse aos atuais, tinha muito mais tecido ;-)

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  10. Era outro tempo, na verdade. Mas o que mais me agrada é que hoje qualquer pessoa - ou quase toda a gente - desde que o deseje, pode ir à praia, vê o mar. Há quem vá muita vez por viver perto; quem veja o mar apenas quando faz férias de tamanho variável e de acordo com o poder da bolsa; quem o visite de longe em longe e pouca vez porque vive distante e o dinheiro é curto. Mas, em geral, não se morre sem ver o mar. O que não acontecia no antigamente e que lastimo deveras. Morrer sem ver o mar é grande pobreza.
    E, pois, os fatos de banho mudaram tudo. Hoje são bonitos, todos decote, muito sugestivos; e os biquinis nem precisam sugestão e são lindos também. Ainda bem que assisti à mudança e a usei. Ser antigo tem as suas compensações, como valorizar e ficar contente com a mudança positiva.

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    1. António Luiz Pacheco8 de maio de 2019 às 12:43

      Aplaudo o seu comentário!
      Demos graças por termos chegado até hoje, e, assim ver evoluir e tanta coisa boa e bonita!
      As coisas menos boas… bom, fazem parte…

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    2. tudo tem vários lados, António Luiz, agarremos os que são para nós os melhores sem esquecer os outros, que também eles nos mudam a vida e fazem parte.

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  11. Os meus parabéns à MRP e ao seu mais-que-tudo pela bonita efeméride.
    A lei que aqui transcreve é uma pérola que não deixaria de espantar verdadeiramente os mais novos. Pois é, acho que há que divulgar mais vezes o que antes era proibido e o que conquistámos com o tempo e, sobretudo, o 25 de abril. É que muitos não fazem ideia - nem eu!

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  12. Concordo, mas... Hoje, por exemplo, o piropo é proibido (suponho que ate é crime). Fossem preconizar isso em Maio de 1968 em França.

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  13. Sim, mas.... O piropo hoje é proibido (suponho que até é crime). Fossem preconizar isso em Maio de 1968 na França.

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    1. António Luiz Pacheco8 de maio de 2019 às 12:44

      Ahahahah!
      Bem observado, se me permite!

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