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A mostrar mensagens de dezembro, 2019

Boas Festas

Mais logo vou sair daqui da editora para um período de férias respeitável e só regressarei no dia 6 de Janeiro. Farei também gazeta aqui no blogue, ao qual só voltarei nessa segunda-feira de 2020, como é costume, com uma proposta de leitura. Espero que os Extraordinários tenham um excelente Natal, na companhia de amigos e família, e que não se empanturrem demasiado de guloseimas e fritos; que recebam muitos livrinhos de presente (e também os ofereçam); que não apanhem frio ou chuva ou gripe; enfim, que aproveitem a «quadra», como se dizia dantes, para descansar, ler, conversar, esquecer o ódio sistemático que estão sempre a impingir-nos sob a forma de posts, notícias, comentários, reportagens, debates, polémicas. E voltem ao activo retemperados, satisfeitos e, claro, com vontade de consultar as Horas Extraordinárias. Abraços de boas festas para todos, boas entradas em 2020 e, evidentemente, obrigada pela vossa companhia.

Crónica e uma história

Hoje é dia de crónica. O link aí vai:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/07-dez-2019/agendas-11589770.html


Contaram-me uma história deliciosa que envolve a poetisa Natércia Freire que, para quem não saiba, era uma católica fervorosa de missa quase diária. Vinha ela da igreja do Loreto, ali ao Chiado, quando ao descer a Rua Garrett encontrou um amigo das letras à porta da Livraria Bertrand, ponto de encontro dos escritores desse tempo. O tal amigo apresentou-lhe um intelectual brasileiro com quem estava, que ela não pareceu reconhecer, mas este saiu-se com a tirada de que na véspera os dois tinham até dormido juntos. Um escândalo, claro, naquela época, para uma senhora pura e recatada como era a poetisa, que corou e se preparou para defender a sua honra. Foi então que o brasileiro, sempre engraçado, esclareceu que tinha sido numa chatérrima conferência a que ambos tinham ido no dia anterior, coisa que só dava mesmo para dormir... Bom fim-de-semana. Descansem.


 


 


 

Maturidade

Não é segredo que há muitos anos escrevi colecções de livros juvenis – e fi-lo sobretudo tentando fazer leitores. Quando comecei, dava aulas de Português e tinha como bitola a faixa etária das minhas turmas. Os livros estavam classificados para mais de oito anos, mas eu sabia que a maioria dos seus futuros leitores teria dez a doze anos. Escrevi mais tarde também alguns livrinhos soltos para meninos mais pequenos, com cerca de 40 páginas em letras gordas e bastantes ilustrações; e fiquei um pouco estupefacta quando, nos últimos anos em que acompanhei as Olimpíadas da Leitura, dedicadas ao 2.º ciclo do Ensino Básico (10-12 anos), apareceram não os livros das primeiras colecções, como seria natural, mas os pequeninos que eu via mais para crianças de 7-8 anos. Pois hoje, num site que recomendava livros para oferecer a crianças no Natal, reparei que a versão ilustrada de O Diário de Anne Frank, O Meu Pé de Laranja Lima e A História de Uma Gaivota e do Gato Que a Ensinou a Voar apareciam todos na faixa «Maiores de 12 anos». Bem, talvez hoje a maioria dos jovens atinja de facto, a maturidade mais tarde e ainda sejam acriançados aos 12 anos. Deve ser também por isso que é tão difícil um romancista de qualidade estrear-se antes dos trinta, digo eu.

A nossa pessoa é Pessoa

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Dantes, quando um português ia ao estrangeiro (no tempo da outra senhora, como se costuma dizer), só lhe falavam de Amália e Eusébio, como se Portugal não tivesse mais ninguém de jeito. E, se é bem certo que ainda existirão muitos que nos falarão dos conterrâneos Mourinho e Cristiano Ronaldo, a verdade é que felizmente já muita gente nos refere o poeta genial que foi Fernando Pessoa. Isto devemo-lo também a pensadores e estudiosos de outros países, como Antonio Tabucchi, por exemplo, que a ele se dedicaram de alma e coração e o divulgaram por todo o mundo. E ainda hoje jovens académicos como Jeronimo Pizarro, da Universidade dos Andes, na Colômbia, dirigem revistas de estudos pessoanos, como a Pessoa Plural, que no seu último número conta com o poeta Antonio Saez-Delgado como editor-convidado e Onésimo Teotónio de Almeida como co-editor. É um número especial com artigos de muitos especialistas em Pessoa vindos das Sete Partidas do Mundo e por isso altamente recomendável para quem quer ver como Pessoa se está mesmo a tornar a nossa Pessoa. Mais informação aqui:


 


http://pessoaplural.com 


 


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Presentes

O The Guardian manda sempre um email por esta altura do ano a lembrar que tem presentes de Natal absolutamente fascinantes, sobretudo para oferecer a quem já tem tudo. Entre eles estão, evidentemente, os cursos e palestras organizados pelo  próprio jornal com temáticas e orientadores de todas as áreas e quadrantes. Cá, não há infelizmente muita coisa desse tipo que se possa oferecer: nem as conferências que ocorrem ao longo do ano têm bilhetes que se comprem com tal antecedência (e costumam ser divulgadas quase em cima da hora), nem os nossos meios de comunicação promovem (ou promovem pouco) palestras e cursos. Eu própria já recebi com gosto bilhetes para espectáculos nos anos e no Natal (e também os ofereço), mas é o mais parecido que há com estas ideias que o The Guardian propõe. E livros, alguém ainda os quer? Mesmo os editores vieram entusiasmados da mais recente Feira do Livro de Frankfurt com os audiolivros... Penso que são bons enquanto se passa a ferro ou se fica preso no trânsito, e conheci até um belga que tirou um curso de espanhol com audiolivros que punha no leitor do carro. Mas ouvir um livro não é a mesma coisa do que ler um livro. Eu pedi alguns livrinhos de presente, mesmo correndo o risco de a minha casa um dia destes vir abaixo. Até quando haverá livros é que já não sei.

Prémio lusófono

No mesmo dia em que soube que alguns jornalistas da área da cultura estão a ser «dispensados» (mesmo que com indemnização) de uns quantos jornais e rádios portugueses e que os suplementos culturais tendem a passar a ser apenas online (para quê gastar papel quando os grandes diários portugueses têm tiragens de cerca de 3000 exemplares ou menos?), louvo a iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores de premiar a cultura lusófona com mais um galardão anual, atribuído a um criador de um país de língua portuguesa de qualquer disciplina artística (música, artes plásticas, litertaura...) e «destacando a importância da sua obra e o seu contributo para valorizar o património da lusofonia». O prémio funcionará sobretudo como consagração, ou seja, será atribuído a autores que tenham criado consistentemente ao longo da sua vida artística, e o montante será em breve anunciado. É bom saber que alguém se preocupa em recompensar os autores.

Crónica e dança

Hoje é dia de crónica, aí vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-nov-2019/vergonha-11566242.html


Deixo-vos uma nota sobre um assunto que só tem que ver com livros porque Hélia Correia escreveu O Bailarino na Batalha, romance que venceu o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, e me lembrei dela quando li o artigo. Aliás, Hélia Correia acha que a dança é algo maravilhoso e fica feliz quando vê crianças a dançar. Num interessante artigo de uma revista inglesa online leio que os alunos deviam levantar-se mais vezes das cadeiras nas escolas e... sim, dançar; que a dança deveria fazer parte do currículos, até porque as crianças estão muito menos activas fisicamente desde que vivem amarradas a jogos de computador, e a disciplina de Educação Física na escola comporta um lado de competição que vai contra o prazer simples de fazer exercício e descontrair. Leiam os romances e os poemas de Hélia Correia e façam intervalos para dançar. Bom fim-de-semana.

Mortes limpas

Emprestaram-me um livrinho muito bonito do escritor italiano Alessandro Baricco para ler num fim-de-semana que iria passar fora da minha casa. Iria ter umas horas livres (poucas), e uma amiga lembrou-se de que este seria, em peso, tamanho e qualidade, o ideal para cumprir a função. E ainda bem, porque gostei mesmo muito deste Sem Sangue, um livro muito inteligente passado num período que se segue a uma guerra (não sabemos qual, mas envolveu experiências médicas terríveis, embora se diga que durou apenas 4 anos e se passe em território de nomes espanholados) que, na verdade, continua a viver dentro das personagens, demasiado marcadas para não se quererem vingar. Na primeira parte, um grupo de homens cerca a casa de Manuel Roca para isso mesmo, uma vingança, e o perseguido esconde a filha pequena numa cave para a proteger. Na segunda parte, é essa filha, já de cabelos brancos, quem se encontra com um desses homens que participaram da vingança e que, abrindo o alçapão e vendo-a lá escondida, não disse nada aos outros. É inesperado e belo, misterioso e cheio de frases para coleccionar. Leiam-no, se o encontrarem.

Más notícias para Sua Majestade

Quando comecei a trabalhar com livros, lembro-me de que Portugal era ainda um país com fortes marcas do analfabetismo que se vivera em anos e anos de ditadura. Apesar de os intelectuais nessa época terem sido sobretudo influenciados pela cultura francesa, a verdade é que os índices de leitura do Reino Unido eram talvez os mais impressionantes para os editores portugueses e aqueles que estes sonhavam um dia igualar. Íamos à Feira do Livro de Londres e víamos gente a ler em todo o lado, nos bancos dos jardins e nos transportes, embora por vezes apenas literatura de supermercado, como então se dizia. Hoje, infelizmente, lá como cá, o que encontramos são pessoas com o nariz enfiado no telemóvel e o rosto que, se não se desvia um segundo para olhar o outro, ali sentado à sua frente, muito menos o faz por um livro aberto. Claro que isso só podia originar o que li numa notícia do The Guardian de sexta-feira passada: fecharam mais de 800 bibliotecas na Grã-Bretanha nos últimos dez anos. Um verdadeiro susto, que explica muito do que por lá está a acontecer.

Arte e clima

Hoje deixo os livros para falar de pintura, o que, mesmo não sendo o assunto característico deste blogue, também não há-de ser nenhum escândalo para os Extraordinários, até porque tem que ver com uma forma de educar e passar informação a quem gosta de arte. O Museu de Prado está de parabéns, pois não só tem a nata do seu acervo apresentada num programa de televisão pelo magnífico Jeremy Irons (que o seu charme não nos desvie dos objectos artísticos...), mas também porque resolveu contribuir para alertar o público dos perigos das alterações climáticas através de quatro obras-primas que «corrompe» em jeito de animação, com a mudança de cores e tons e, mais importante ainda, inundando ou desertificando a paisagem em redor. A campanha chama-se «Muda Tudo» e é uma maneira de chamar a atenção dos perigos a que estamos hoje sujeitos que é profundamente original e sem histerismo. Vale mesmo a pena ver. O link que vos deixo é de uma revista onde apanhei o artigo que fala disto.


https://www.revistaad.es/arte/articulos/museo-prado-alerta-cambio-climatico-alterando-obras-arte/24471

Um lugar especial

Há lugares especiais pela sua beleza, mas não é a isso que me refiro. É de um lugar que é feito por pessoas especiais e que só é especial por causa da dedicação dessas pessoas, já que, vazio, ninguém daria nada por ele. Como sabem os Extraordinários (ou pelo menos suporão), ando há anos a correr o País de norte a sul, em lançamentos, leituras, debates, festivais literários, homenagens, muita coisa, enfim, e conheço bibliotecas velhas e novas e bibliotecários lidos e outros que não passam de burocratas que querem preencher as respetivas agendas culturais. Mas nunca tinha tido, até recentemente, o grato prazer de ir à Biblioteca de Perosinho, em Gaia, que, sem um tostão do Estado, está de pedra e cal há muitos anos, recebeu prémios e medalhas, e nasceu tão-só do desejo de uns estudantes de terem na sua zona um lugar aonde irem ler e ilustrar-se. Fui lá a uma sessão num sábado à noite, friozinho que bastasse, e fiquei de cara à banda com a quantidade de público e sobretudo a presença de adolescentes (e participativos, ainda por cima!). Tudo organizado ao mais ínfimo pormenor por Vítor Fontes e Anabela Cardoso, pessoas que são mesmo de grande coração, e com a colaboração de muitos que quiseram ouvir, perguntar, recitar poemas e ler textos. O Manel até disse que é para coisas assim que se fez o 25 de Abril... Esta é a prova de que, quando as pessoas querem muito e trabalham, conseguem. Obrigada, Perosinho.

Crónica e contentamento

Hoje é dia de crónica e ela aqui vai:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-nov-2019/ocidentalmente-11538949.html


Ainda ontem falava aqui de listas, e li que numa outra, esta no Brasil, o livro de Itamar Vieira Junior, Torto Arado, vencedor do Prémio LeYa no ano passado, ficou em terceiro lugar na categoria de ficção, atrás apenas de Roberto Bolaño e Silvina Ocampo, grandes nomes da literatura universal. Penso que Itamar Vieira Junior vai longe e desejo-lhe todo o sucesso do mundo. Penso também que os leitores e críticos brasileiros andavam sedentos de um livro como o seu, autêntico, belo, respeitador da herança de escritores como Érico Veríssimo (ou Guimarães Rosa, por exemplo, de quem acaba de publicar-se em Portugal uma nova edição de Grande Sertão: Veredas, que vou pedir de presente de Natal). Parabéns.

Mudam-se os tempos

Os tempos mudaram muito nas últimas décadas – as novas tecnologias viraram tudo do avesso e criaram um homem diferente, menos virado para a paciência, o desfrutar, a calma, o esforço, a concentração. A literatura dita séria está a sofrer drasticamente com isto e os seus leitores serão cada vez menos. Alguém afirma que, agora, ficção é na Netflix e na HBO, mas sabemos que ler desenvolve outras capacidades, desde logo a da imaginação. Ler põe algo de nós nas coisas, e ver não, é receber e pronto. Por tudo isto e também pela falta de espaço, as grandes enciclopédias tornaram-se digitais e deixaram de imprimir-se em papel. E agora leio com espanto que uma colecção que em Espanha ombreava com a Pléiade francesa vai ser destruída e reduzida a tirinhas de papel. Trata-se das Obras Completas do Círculo de Lectores, empresa pertencente ao Grupo Planeta no país vizinho, que anunciou recentemente o seu fecho, já que se tornou perfeitamente obsoleto vender livros de porta em porta a leitores que não só não querem ler, como não têm onde guardar colecções encadernadas, pesadas, extensas… Günther Grass, Vargas Llosa, Juan Goytisolo, Manuel Vázquez-Montalbán… no lixo. É a mesma coisa por todo o lado. E, ainda que nos faça pena, crendo que alguém ainda as podia aproveitar, desenganemo-nos: já ninguém quer estes livros, porque já não há quase ninguém para os ler, sobretudo neste formato. Mudam-se os tempos, sim, e em certas coisas para pior.

Antes de tudo

Estamos entrados em Dezembro (o frio já se sente, e de que maneira) e a aproximar-nos a passos largos do final do ano. Em breve virá o discurso natalício – iluminações, compras, montar a árvore e o presépio, livros bons para oferecer a todos os amigos e parentes; e, nos próximos fins-de-semana, um a um, uma a uma, os jornais e revistas irão dedicar-se a um exercício que adoram e que todos os anos se repete: as listas dos melhores… livros, filmes, exposições, peças de teatro, séries, músicas, enfim… Por isso, antes desse tudo, proponho um bocadinho apenas, mas diferente porque vindo de fora: a lista dos melhores livros de 2019 pelo… The Guardian, claro. Além de ter imensas novidades, porque há sempre livros que não saem ou ainda não saíram em Portugal, quem opina sobre eles tem geralmente a cabeça no lugar. Além disso, dá uma boa panorâmica do que podemos esperar que se publique em Portugal no ano que vem (as traduções levam tempo), embora já estejamos, como verão, muito em dia. Os livros da nobelizada Olga Tokarczuk e o recentíssimo A Barata de McEwan, por exemplo, já estão disponíveis. Mesmo assim, dá para descobrir muita coisa nova. E em todos os géneros, não falhando sequer livros para meninos pequenos e gente que adora cuscar as celebridades.


https://www.theguardian.com/books/2019/nov/30/best-books-of-the-year-2019?utm_term=RWRpdG9yaWFsX0Jvb2ttYXJrcy0xOTEyMDE%3D&utm_source=esp&utm_medium=Email&utm_campaign=Bookmarks&CMP=bookmarks_email

O uso abusivo do K

Agora, que já lá vai a estuporada Black Friday (em alguns casos, foi uma autêntica Black Week e não se conseguia estacionar em lado nenhum que tivesse lojas nas proximidades), vou voltar às questões ortográficas. É que todos os dias dessa «semana negra» recebia um e-mail e via um cartaz a caminho do trabalho que me irritavam profundamente. Diziam «Kuanto Kusta o que queres comprar?» e depois tinha a frase «Encontra Aqui» dentro de um rectângulo para carregarmos e vermos onde poderíamos gastar dinheiro. Mas não consigo perceber o porquê do «Kuanto Kusta» em vez de «Quanto Custa». Se escrevem com cores berrantes (nomeadamente laranja), ainda têm de introduzir o erro para chamar a atenção porquê? E, já agora, porque não são coerentes e acrescentam «o ke keres komprar»? Francamente, num país em que as pessoas falam e escrevem tão mal e se fez um acordo ortográfico cheio de palavras com redacções facultativas que só serviu para confundir os menos informados, acho que a publicidade devia ser obrigada a cumprir a ortografia vigente e, como em certos países, pagar uma multa valente de cada vez que prevaricasse. É por isso que os nossos jovens já usam «k» em vez «que» a maioria das vezes...

O que ando a ler

Hoje é dia de abrir aos outros Extraordinários o livro que andamos a ler. E, no meu caso, trata-se de um clássico: A Lua e as Fogueiras, de Cesare Pavese, escritor italiano de quem li, infelizmente, poucos livros até agora, prometendo desde já corrigir-me. O que tenho em mãos é um dos últimos que escreveu (se não o último) antes de ter decidido acabar com a própria vida; e conta a história do regresso do Enguia (o nome que puseram ao protagonista em pequeno) à vila onde cresceu. Bastardo abandonado e entregue a uma família que o criou nos primeiros anos, vai depois aprender tudo numa quinta de produtores de vinho, cujo proprietário, o senhor Matteo, tem duas filhas adolescentes de um primeiro casamento, Irene e Sílvia, uma loira e outra morena, que atraem obviamente o pobre Enguia, mesmo sem o saber. Este, porém, de tanto observar a família para quem trabalha, percebe que terá de sair daquela quinta para um dia ser alguém, o que acontecerá mais tarde na América, donde regressa então rico e homem feito para revisitar os velhos amigos, entre eles Nuto, que nunca saíram da cepa torta, e assistir à tragédia que pode ser a vida de um menino num pequeno lugar. Simples, bonito, claro.