Laborinho Lúcio
No dia 25 de Abril, confesso, não desci a Avenida, como é costume. Mas tinha uma boa razão, e tive muitos cravos vermelhos à minha volta. Fui à Nazaré, cidade natal de Álvaro Laborinho Lúcio, prestar a minha humilde homenagem ao homem, ao político, ao magistrado, ao escritor, que nos deixou no ano passado, estava eu em Penafiel, na Escritaria. Se lerem o seu livro A Vida na Selva, uma espécie de colectânea de textos que é também uma forma de contar a sua vida e os seus vários «nascimentos», perceberão que o desejo de escrever histórias lhe chegou logo na infância (o título do livro é, de resto, o de uma redacção que redigiu em miúdo); e tinha de certeza muito jeito já então, pois a professora desconfiou de que tinha sido ajudado pelo pai... Esta professora afastou-o muitos anos da ficção, infelizmente, mas enquanto ele não regressou, tivemos a sua intervenção cívica, empática, intelectual e justa (porque a Justiça dele era a dos que precisavam, e não esta anedota a que hoje assistimos com o segredo de justiça a ser profanado a toda a hora). Tive muito orgulho em participar nesta homenagem com a sua editora, o seu conterrâneo Jaime Rocha, uma magistrada que foi sua aluna (do primeiro curso que as mulheres puderam frequentar no Centro de Estudos Judiciários) e a querida poeta e actriz Raquel Patricarca, que tive a sorte de ver contracenar com Laborinho Lúcio durante as Correntes d'Escritas. Lembrem Laborinho Lúcio e leiam-no. Eu aprendi muito com A Vida na Selva.




