Boas notícias

Num tempo em que só ouvimos dizer que fecham por todo lado livrarias, acontece uma excepção de monta. A Livraria da Travessa, que até aqui operava apenas no Brasil e é uma das mais famosas e bem-sucedidas, abriu portas recentemente em Lisboa, no Príncipe Real. Ao contrário das suas congéneres Saraiva e Cultura, que entraram em falência técnica há uns tempos,  a Livraria da Travessa (cujo sucesso inicial, se não erro, se deveu a ter sido escolhida como um dos locais recorrentes numa telenovela de grande sucesso há uns vinte anos) tem-se dado bem nos negócios; e, com este passo, abre a sua primeira loja internacional num momento em que a cena brasileira está difícil. Será uma livraria sobretudo com livros portugueses, mas dela constam também edições brasileiras, mesmo em tradução (presumo que o número de brasileiros residentes em Portugal o justifica), e ainda livros noutras línguas (para os turistas que ali passam às centenas todas as semanas). O espaço é bonito, dividido por várias salas, e vai ser um bom local para lançamentos. Não vi por lá muitos bestsellers, mais livros de literatura a sério. Só posso desejar que corra bem.

Comentários

  1. Que corra bem. E valha-nos o interesse por literatura a sério. Tenho de visitá-la. Obrigada pela informação
    Bom Dia!

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  2. Gostei de saber, talvez possa lá ir um dia, quem sabe.
    O Príncipe Real é lindo, tantas vezes aí passei depois das aulas no British Council a caminho da estação do Rossio, de eléctrico ou a pé.
    E por falar em Brasil, estou tão feliz pelo Prémio Camões do Chico Buarque; tal como fiquei com o Nobel do Bob Dylan.
    Vai ser bonita a festa pá :)

    Maria

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  3. Custa a crer um tal caso de sucesso em tempo tão adverso. Farei como S. Tomé.

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  4. Bom dia com alegria, e com Chico Buarque na lapela

    Já tinha ouvido algures a novidade da Travessa, e por ela fiquei feliz.

    Conheço bem a zona, das horas de gazeta às aulas, de uma tia avó que por ali morava.

    Uma livraria a mais, no Bairro Alto/P. Real, é uma loja de souvenirs chineses a menos. E por esse facto nos congratulamos.

    Como diz o Jovem Conservador de Direita, "a literatura pensa que está viva, mas não está".
    https://deusmelivro.com/mil-folhas/livros-a-oeste-jovem-conservador-de-direita-apontou-o-caminho-do-sucesso-literario-18-5-2019/

    Quem pense que abrindo mais livrarias as pessoas irão ler mais, desengane-se.

    Mas não custa nada tentar.

    Boas leituras
    cp

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  5. Tal como a Ama salientou até
    custa a crer um tal caso de sucesso em tempo tão adverso.
    O que ainda me custa mais é ver gente que se gaba de ser um grande cliente da Amazon ser aquela que mais derrama lágrimas quando alguma livraria fecha; algumas até são escritoras (as que já ouvi disso fazerem gala num programa de rádio sobre literatura).

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  6. Não se esqueçam que hoje é Dia do Autor Português.
    Não sei se vale alguma coisa classificar a efeméride, quando os autores portugueses estão a ficar reduzidos a uma pequena minoria, felizmente com editoras que os vão publicando.
    As livrarias vão fechando e os autores, sem Amazon's a cavalgar vão vendendo a alma ao mafarrico para serem lidos (pelo menos vendidos os livros que lhes editam).
    Ainda em princípios de Abril recebi do departamento da Leya -Direitos de Autor (a prestação de contas, bem entendido) e nem coragem tenho de fazer o levantamento da magra percentagem de vendas.
    Dia do Autor Português passa como rolha de cortiça numa torrente de água sem que alguém lhe "passe cartão". E eu, que sou atento nestas coisas, nem sequer me lembraria, não fosse a Bertrand enviar-me um e-mail para recordar a data.
    Toque-se a rebate pelas livrarias, toque-se a rebate pelos escritores e editores, se a coisa não mudar.

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  7. Já visitei e fiquei bem impressionado com o acolhimento, na sequência da reportagem do PÚBLICO e comprei um livro do Ruy Castro. Espero ter em breve a Biografia de Dostoievski de que há tradução brasileira.

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  8. «Não vi por lá muitos bestsellers, mais livros de literatura a sério.»

    E eis de novo a sobranceria, os preconceitos, o elitismo... Acaso não existem, e existiram, obras de qualidade consensualmente reconhecida que foram, e são, grandes sucessos comerciais? Só um exemplo (e nacional), e poderia citar outros: «Memorial do Convento», de José Saramago.

    Seria interessante saber os números das vendas dos livros escolhidos por MRP para publicação, todos eles, claro, de «literatura a sério».

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    Respostas
    1. O Octávio quase podia dizer como o Cohen: «Há talento, há saber!»

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  9. Sou livreira e adoro estas notícias. É um mercado onde gostaria que houvesse mais concorrência... Era um excelente retrato da sociedade em que vivo!

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  10. Interessante saber que a Travessa cruzou o Atlântico.

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