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A mostrar mensagens de março, 2019

Crónica e abusos

Hoje é dia de partilhar a crónica:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-mar-2019/interior/o-verdadeiro-metodo-de-estudar--10676106.html


 


Li no Expresso um artigo muitíssimo interessante de Clara Ferreira Alves (grande fã de Michael Jackson) sobre Leaving Neverland, o documentário em que dois homens ainda jovens falam pela primeira vez publicamente dos abusos sofridos às mãos de Michael Jackson quando eram crianças. Recomendo a sua leitura e, se se derem ao trabalho, perceberão porquê: não se confunde a admiração sentida por um artista com os actos terríveis da sua vida privada. O que não posso recomendar é a entrevista ao The Times em que a amiga do artista Barbra  Streisand minimizou os danos sofridos pelos dois homens ao dizer que os actos pedófilos de Jackson não os mataram, que eles até se casaram e tiveram filhos, e que o músico devia ter necessidades sexuais especiais por causa do que lhe aconteceu na infância (parece que ele próprio foi vítima de abusos). Depois pediu desculpa, mas... foi tarde demais. As necessidades especiais de Michael Jackson eram certamente de tratamento psiquiátrico pelos traumas de infância, e a pedofilia não pode funcionar como terapia em caso algum. Barbra também está a precisar de tratar da cabecinha. E de ler o artigo do Expresso.

Livros de verdade

Se me encontro um pouco cansada (e desconfiada) em relação a muito do que hoje se faz em algumas artes visuais (instalações, instalações, instalações), o meu interesse tem crescido noutras áreas que com essas se tocam, como a arquitectura, o design ou a fotografia. Daí que possa considerar uma excelente surpresa a oferta recentíssima (na verdade chegou anteontem pelo correio) de um livro  – como classificá-lo? – de verdades e recordações assinado (e autografado, ainda por cima!) por Enrico Baleri, um designer e arquitecto italiano. Juro! (é um primeiro volume), foi publicado pela editora Exclamação e prefaciado por Maria Bochicchio, uma professora italiana que vive há muitos anos em Portugal, que é também uma das tradutoras, com José Manuel Vasconcelos e Maria da Luz Machado. O livro tem a aparência de um tijolo, mas é tudo menos pesado ou massudo. Efectivamente, em cada duas páginas, tem «apenas» um título, um texto normalmente curto e uma imagem (fotografia ou pintura). E tão depressa passam por lá filmes de Fellini como árvores amadas ou simples fotografias dos netos do autor, por sinal, bem bonitos. Pequenas lembranças e episódios de vida que servem para trazer o passado para o presente, que são individuais mas inequivocamente universais, eis um livro bonito e diferente que vale muito a pena espreitar e ler aos bocadinhos, degustando. Mas que belo presente.

Bibliotecárias épicas

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Falamos muitas vezes aqui no blogue (os Extraordinários nos seus comentários, bem entendido) das saudosas bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, montadas em carrinhas que atravessavam o País de lés a lés, parando em locais onde não havia livrarias e distribuindo livros por crianças e adultos. Descobri, porém, umas antecessoras curiosíssimas na América da Grande Depressão: bibliotecárias que, em plenos anos 1930, andavam quantas vezes mais de uma semana fora, a cavalo, para distribuírem livros pelos seus conterrâneos em zonas isoladas dos EUA. Geralmente, os destinatários eram pessoas que não tinham acesso à cultura de outro modo e que assim mesmo tinham de dar uma educação aos filhos. Então, o presidente Franklin Roosevelt criou a Pack Horse Library Initiative para que os Americanos se pudessem informar e estudar e, desse modo, arranjassem mais facilmente emprego numa época em que as coisas andavam mesmo mal. As bibliotecárias atravessavam estradas e caminhos lamacentos só para entregarem os livros. Estes eram frequentemente doados por bibliotecas fixas nas capitais do Estado onde as senhoras os levantavam regularmente. Deixo-vos com algumas das fotografias do artigo do History Daily onde dei com esta bonita notícia.


 


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Manter viva a memória

Quando saiu aquela legislação relativa à protecção de dados, chegavam sei lá quantos e-mails por dia a perguntar se eu queria continuar a receber informação deste e daquele rementente. E não hesitei em manter a recepção da newsletter do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) porque, regra geral, traz coisas muito interessantes e boas sugestões para as manhãs de domingo. A prová-lo, a actividade que amanhã se realiza: uma homenagem ao jornalista e escritor Paulo Varela Gomes, que teve uma carreira literária curta mas promissora e infelizmente interrompida bruscamente antes do que seria desejável, em 2016. Morreu deixando, creio, três livros de ficção, mas, como jornalista, dedicava-se bastante à crítica de arte e julgo ser nesse sentido que o MNAA o recordará amanhã, pelas 18h00. Os intervenientes serão, além de António Filipe Pimentel, director do museu, Alexandra Markl, Miguel Figueira de Faria, Raquel Henriques da Silva e Joaquim Oliveira Caetano.

Lenda e descoberta

O pai de Gabriel García Márquez dizia que o filho devia ter dois cérebros, pois duvidava de que alguém que tivesse apenas um fosse capaz de tanta imaginação desde criança… É verdade que o seu querido Gabito (parece que lhe chamavam assim em pequeno) evidencia esse inegável talento para efabular em muitos dos seus romances, desde logo em Cem Anos de Solidão; mas diz-se que também na vida real criou algumas «lendas» sobre o destino de manuscritos e versões dactilografadas de livros seus. Parece, por exemplo, ter contado que metade das páginas de um dado romance se perdera porque, quando chegou aos Correios para as mandar ao editor, não tinha dinheiro suficiente para pagar o selo; e, como nessa altura o valor dependia do peso, mandou ao editor a primeira metade e o resto ficou para o dia seguinte. Ao editor, porém, só chegaria o segundo pacote… Disse também que não sabia o que era feito do dáctilo-escrito corrigido à mão da sua obra mais emblemática e que tinha um grande desgosto por o ter perdido. Mas agora descobriu-se que, afinal, o tinha oferecido ao próprio revisor do livro, o crítico mexicano Emmanuel Carballo, embora o filho do escritor colombiano estivesse convencido de que o pai destruíra todos os esboços e provas dessa obra maior. A descoberta vai, porém, deixar muita gente feliz, sobretudo os estudiosos do autor, que vão poder saber o que estava no livro antes da versão final. Se Gabo mentiu de propósito ou já não conseguia senão inventar, não sabemos.

Crónica e CCB

Hoje é dia de partilhar a crónica do Diário de Notícias. Aqui vai o link:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/09-mar-2019/interior/de-joelhos-10652943.html


 


Ainda no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia, amanhã à tarde haverá leituras no Centro Cultural de Belém, como, de resto, é hábito de há uns anos a esta parte. Alguns poetas portugueses (Nuno Júdice, Pedro Mexia, esta vossa criada...) e gente ligada à música (o fadista Camané, Luís Represas, entre outros) foram «arrebanhados» para ler poesia da América Latina. Lerei dois poemas, um colombiano e outro da Costa Rica. Se tiverem curiosidade em saber quais, apareçam no CCB depois de almoço. Bom fim-de-semana!

Dia da Poesia

Hoje, não sei se sabem, celebra-se o Dia Mundial da Poesia e, à semelhança do que tem sido feito nos últimos anos, a Casa Fernando Pessoa inaugura uma feira do livro dedicada a este género literário no bairro de Campo d’Ourique, mais precisamente no Jardim Teófilo Braga, conhecido por Jardim da Parada. Nesta feira, de quinta a domingo, estarão presentes com stands próprios editoras pequenas que publicam preciosidades que, dadas as regras do mercado, nem sempre conseguem ser colocadas nas livrarias mais frequentadas. Falo, por exemplo, da Abysmo, da Mariposa Azual (não é gralha, é mesmo Azual), da Douda Correria, da Averno, que publicam poesia de autores excelentes. Esta tarde haverá um recital no antigo Cinema Europa, pelas 18h30, pela voz da actriz Beatriz Batarda, acompanhada pela música de Nuno Rafael, e amanhã um outro, da responsabilidade de João d’Ávila. Mas o programa é extenso, envolve também a Casa Llansol e pode ser consultado no link abaixo. Aproveitem!


 


http://www.jf-campodeourique.pt/wp-content/uploads/2019/03/cartaz-A4-Feira-do-Livro-JFCO-FPESSOA-2019.pdf

Feminino plural

Alguém, acho que no Facebook, partilhou um texto muito interessante de uma escritora norte-americana chamada Grace Paley (confesso que nunca a li, mas fiquei com vontade). Dizia assim: «As mulheres escrevem de uma maneira diferente da dos homens. As mulheres sentem-se confortáveis falando do que é pessoal, ao contrário dos homens. As mulheres sempre compraram livros escritos por homens, sabendo que não eram livros sobre elas. Mas continuaram a fazê-lo com grande interesse, porque era como ler sobre um país estrangeiro. Os homens nunca devolveram essa gentileza.» A revista que citava a escritora Paley, uma publicação espanhola com edição  brasileira (seria o El País?), sugeria então livros escritos por mulheres que os homens deveriam ler. E, juntando alguns desses a outros de que me fui lembrando, forneço aqui mais de uma dúzia de títulos de ficção escrita por mulheres que porão certamente os homens a pensar (mas que todos devemos ler, independentemente do sexo). Eles aí vão:


 



  1. O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy

  2. Rebecca, Daphne du Maurier

  3. A Balada do Café Triste, Carson McCullers

  4. Cisnes Selvagens, Jung Chang

  5. Persépolis, de Marjane Satrapi

  6. Jane Eyre, de Charlotte Brontë

  7. Lila, de Marilynne Robinson

  8. Manual para Mulheres de Limpeza, Lucia Berlin

  9. A História de Uma Serva, de Margaret Atwood

  10. A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

  11. Diários, Anaïs Nin

  12. Orlando, Virginia Woolf

  13. Bonjour Tristesse, Françoise Sagan

  14. A Campânula de Vidro, de Silvia Plath

  15. Um Bom Homem é Difícil de Encontrar, Flannery O’Connor

Pai

Hoje é Dia do Pai, e tenho muitas saudades do meu. Ao contrário de mim, que tenho tendência para a melancolia, o meu pai tinha um talento natural para a graça e um sentido de humor incrível. E possuía um manancial de histórias formidáveis para contar, que deveríamos ter gravado ou apontado enquanto era vivo, já que o mais provável é que se percam na nossa geração (os netos eram quase todos bastante pequenos quando ele morreu e alguns nem nascidos eram). Pois houve alguém (a editora Esfera dos Livros) que teve agora uma belíssima ideia e que, mesmo que o objectivo tenha sido apenas facturar à custa de filhos preguiçosos que não sabem o que oferecer ao pai neste dia, acertou na mouche. Criou um livro-caderno (sim, lá dentro as páginas são todas brancas), intitulado Pai, Conte-Me a Sua História, para que os filhos entrevistem os pais sobre a vida deles e registem as suas memórias, passando juntos momentos que de certeza não esquecerão. (As recordações do pai escritas pela mão do filho também podem ajudar os mais novos a melhorar a sua caligrafia, claro, uma vez que hoje a juventude se limita praticamente às teclas quando quer comunicar). Este é um bom presente para pai e filho que, mais tarde, pode vir a ser lido a netos e bisnetos, mantendo vivas as histórias da família.

Lágrimas de crocodilo?

Li com atenção em vários jornais, diários e semanários, artigos e crónicas lamentando o fecho da Tema. A Tema era uma loja muito antiga na Praça dos Restauradores, em Lisboa, que vendia a melhor selecção de jornais e revistas estrangeiros em Portugal inteiro. Lá, era possível encontrar coisas mais ou menos fáceis de encontrar noutros sítios como o Le Figaro, o The New York Times, o Nouvel Observateur ou o The Guardian, publicações para grupos mais restritos como o Magazine Littéraire, a New Yorker ou a London Review of Books, mas também imprensa muito específica dedicada à moda, ao design, à arquitectura, ao cinema, à fotografia, à ciência..., em suma, a qualquer coisa de que nos lembremos (li no Público que até sobre látex havia lá uma revista, calculem). A Tema fechou portas e, pronto, toda a gente chorou, chamando-lhe até um "escândalo cultural". E percebo que tenham chorado pessoas como Miguel Esteves Cardoso, criadas desde pequeninas com a cultura inglesa, ou embaixadores que se habituaram a ler a imprensa estrangeira, ou artistas que aprenderam com o que se faz lá fora, ou intectuais que acompanham a "cena internacional". Mas, entre os que choraram, haveria assim tantos a ler, ainda hoje, jornais em papel? Não creio. Vejo cada mais mais gente a consultar as notícias online gratuitamente e cada vez mais apelos dos jornais a que os leitores contribuam com alguma coisa. Por isso, qual é a admiração com o fecho da Tema? Não aguentou ela muito tempo? Se ninguém já lê jornais em papel, como ter uma loja de porta aberta para os vender?

Crónica e chega

Como anunciado ontem, aqui vai:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/02-mar-2019/interior/brinquedos-modernos-10629551.html


 

Quintas de leitura

Hoje o post é pobre porque estou a norte, na Invicta, para participar nas Quintas de Leitura, um espectáculo de poesia no Teatro do Campo Alegre, às 22h00, dedicado à minha escrita para fado. E, como estou com uma bestial rinite, porque apanhei sol na cabeça no domingo passado e um ventinho no pescoço a que devia ter estado atenta, o meu nariz pinga e a minha voz está uma lástima, embora haja pessoas que consideram o rouco sensual, mas eu já passei dos 50... Os diseurs vão ser, além desta vossa criada, Jorge Mota, Pedro Lamares e a fadista portuense Patrícia Costa. A conversa será com o grande Rui Vieira Nery, e cantará no final o enorme António Zambujo. Tenho mesmo sorte de ter comigo estas pessoas todas. Até me vou esquecer da rinite. Amanhã ponho apenas o link da crónica, não dá para mais. Obrigada pela paciência.

Literatura e empatia

Leio um artigo maravilhoso do grande Alberto Manguel sobre a capacidade que a literatura tem de nos tornar pessoas melhores. Diz ele que um dos seus livros de infância foi o romance Coração, de Edmundo de Amicis (que curiosamente o Manel também refere sempre como um dos que mais o terão marcado em jovem), hoje praticamente esquecido. É a história de um rapaz genovês que sai de casa para ir à procura da mãe, que trabalha na Argentina, e Manguel conta que chorou pela dor do rapaz e se perguntou se seria capaz de fazer o mesmo. E que, daí em diante, muitas das personagens dos romances – Jane Eyre, Anna Karénina, Robinson Crusoe, Dom Quixote – o ensinaram a pôr-se na pele do outro e a perceber o que era realmente o sofrimento e a alegria alheios.  Diz que a literatura, não tendo aparentemente utilidade, tem-na, justamente por nos tornar muito mais atentos para o outro, disponíveis para escutar as suas angústias, nomear as nossas e partilhar problemas quotidianos. E conclui que isso é mais importante hoje do que no passado, pois muitas lutas têm hoje de se fazer de forma colectiva e solidária (em relação às crises migratórias, por exemplo). Depois apresenta números de um estudo universitário sobre a relação entre a leitura literária e a empatia. E ela existe, claro: quem lê literatura é de longe mais empático. Se ensina crianças e jovens, pense nisto.


 


A pedido de várias famílias, junto os links pedidos:


 


https://www.nytimes.com/es/2019/03/03/literatura-empatia/


http://science.sciencemag.org/content/342/6156/377.abstract?sid=f192d0cc-1443-4bf1-a043-61410da39519


 

O obsceno literário

Ouço e leio que Bolsonaro, para criticar a pornografia, postou também ele pornografia, não fossem as pessoas não saber o que era e precisarem de ver um exemplo especialmente edificante. Obscenidade por obscenidade, o melhor é ter em atenção a colecção de livros «obscenos» que a British Library está a digitalizar, obras escritas entre 1658 e 1940, mas com especial tónica nos séculos XVIII e XIX, em que a literatura dita erótica ou pornográfica (eu sei lá qual a melhor classificação) floresceu. Todos conhecemos o Marquês de Sade, evidentemente, mas desconhecemos, por exemplo, John Cleland, que escreveu em 1748 um romance intitulado Fanny Hill que, segundo o artigo da Open Culture, não desilude nem como livro pornográfico nem como literatura de entretenimento. Muitos outros títulos, proibidos na sua época, tiveram como destino os «cofres» da British Library, sobretudo para não chegarem às mãos do público (o que os queria ler e o que os queria destruir)  – o que acabou por ser bom pois tornou agora fácil a sua digitalização para todos os subscritores dos Arquivos de Sexualidade e Género da biblioteca. E, segundo o que leio, há obras imensamente interessantes, escritas por homens e mulheres, em variadíssimas épocas, sobre educação sexual, homossexualidade e fluidez de género. Para os interessados, há mais informações (entre as quais deliciosas capas) aqui:


 


http://www.openculture.com/2019/02/the-british-library-digitizes-its-collection-of-obscene-books-1658-1940.html

A poesia como cura

Foi o grande poeta John Milton, o autor de Paraíso Perdido (cuja tradução portuguesa é do poeta Daniel Jonas), quem disse que a palavra tem a capacidade de curar uma mente perturbada e é um bálsamo para as feridas. Pois bem: uma sua leitora do século XXI, Deborah Alma, poetisa também, decidiu abrir a primeira farmácia de poesia, como nos conta o sempre gratificante The Guardian. Aí, a poeta de urgência vai receitar, em vez de analgésicos, comprimidos para dormir e antidepressivos, poemas de Blake, Eliot, Shakespeare, Elizabeth Bishop, Robert Browning e muitos mais, à semelhança do que tem andado a fazer na última década numa ambulância que é também uma biblioteca itinerante de poesia, mas agora num espaço fixo de um antigo convento. Diz que está a ficar velha para andar por aí a conduzir e que se apaixonou pelo lugar, com estantes, prateleiras e armários antigos que fazem aquela farmácia de poesia parecer mesmo uma antiga farmácia. Em dois anos conseguiu pagar a hipoteca e agora está mesmo apostada em ajudar quem precisa por meio da poesia, que é o género literário que, segundo Deborah, mais fala à alma das pessoas, mais dialoga com os leitores e os ajuda, por exemplo, a perceber que não são os únicos a sofrer de determinado desgosto, ou perda, ou depressão. No espaço aberto ao público vai haver também uma secção infantil, um gabinete de consultas, um café e um auditório para leituras, performances, oficinas e até refúgios para quem quiser escrever. Por cá, ouço dizer que mais de 40% dos portugueses sofrem de uma ou mais doenças crónicas. E se se pusessem a ler poesia, hã?

Crónica e Abecedário

Hoje é dia de crónica e aqui vai o link:


 


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/23-fev-2019/interior/desperdicios-10602453.html


 


Começa hoje em Lisboa (e vai até segunda) a primeira edição do Abecedário – Festival da Palavra, um evento literário que visa «promover as livrarias de rua e o livro enquanto veículo cultural». A palavra homenageada este ano é «fronteira», que será explorada  no programa por escritores, pensadores, encenadores, realizadores, artistas plásticos, gestores culturais e músicos lusófonos, através da realização de tertúlias, cafés literários, declamações e concertos. A iniciativa foi de Carlos Moura-Carvalho e tem o apoio, entre outros, da Câmara Municipal de Lisboa, da DGLAB e da APEL. Informações sobre temas, participantes, locais e horários nos links abaixo.


 


http://dglab.gov.pt/wp-content/uploads/2019/02/programa.jpg


https://observador.pt/2019/03/06/lisboa-ao-sabor-da-palavra/?fbclid=IwAR3iiNoUkthMAwLdSUC6sXmIQLM3JLNblluwfKLqqw7ZvqlgMRz1VY5-FeM

S.

Parece que é hoje que estreia o novo filme de Patrícia Sequeira (a também realizadora da longa-metragem Jogo de Damas, com um grupo de grandes atrizes, que tive oportunidade de ver há uns dois anos). Trata-se desta feita de uma obra que parte da história verdadeira de Snu Abecassis, a dinamarquesa nascida Ebba Merete Seidenfade, que se casou com o português Vasco Abecassis e por isso veio parar a Portugal, onde teve três filhos, fundou as Publicações Dom Quixote e conheceu Francisco Sá Carneiro, com quem acabaria por viver (e morrer, na controversa queda de uma avioneta em Camarate, no final de uma campanha para a Presidência da República, em 4 de Dezembro de 1980). Sobre este assunto, escreveu Miguel Real há alguns anos um pequeno livro intitulado O Último Minuto na Vida de S., que recria o que terá sido pensado pela editora dinamarquesa durante o último minuto da sua vida ao lado daquele que era então primeiro-ministro de Portugal, e que já teve adaptação teatral. E escreveu a jornalista Cândida Pinto o livro Snu e a Vida Privada com Sá Carneiro, que vai em quarta edição. Uma boa razão para voltarmos a eles nesta altura em que se vai certamente continuar a falar  de Snu (recentemente, ela foi uma das personagens visadas numa série intitulada Três Mulheres, que está  nomeada para vários prémios).


 


 

Escher numa livraria chinesa

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Estou quase certa de que falei aqui há tempos numa exposição do grande Escher, um dos génios maiores do Desenho e da Pintura da sua Holanda natal e do mundo. Creio que a exposição da sua obra em Lisboa deveria ter findado em Setembro de 2018, mais coisa menos coisa; mas devido à grande afluência de visitantes (sobretudo de escolas), estendeu-se por mais uns meses e só agora está a chegar ao Porto, onde ficará, pelo menos, até 28 de Julho (aproveite!). Ora, falo de Escher outra vez aqui no blogue porque ele parece ter inspirado uma grande livraria chinesa absolutamente irreal (mas real). E não só por se parecer com um desenho do referido mestre, mas por ter 80.000 livros à venda (é obra)! Desenhada por Li Xiang, jovem artista, a livraria é composta por uma série de escadas escherianas que, segundo o que leio, copiam as montanhas da cidade, e tectos de vidro que permitem entrar a luz. Anda tudo doido com a livraria, e eu espero sinceramente que isso queira dizer que muitos dos que lá vão querem, mais do que tudo, comprar um livro para ler. Deixo-vos imagens:


 


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Crónica e o que ando a ler

Hoje é dia de crónica, e aí vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/16-fev-2019/interior/morrer-em-directo-10576484.html


 


Mas também é dia de dizer o que ando a ler, pois o mês de Março começa hoje; e ando a ler um interessante livro que me ofereceu Itamar Vieira Júnior, o mais recente vencedor do Prémio LeYa, sabendo como gosto de poesia. O projecto é, de resto, muito interessante, porquanto configura uma correspondência entre duas pessoas (dois poetas conterrâneos e contemporâneos de Itamar chamados Ana Martins Marques e Eduardo Jorge), correspondência essa que diz respeito a um período muito específico em que a poetisa morou na casa do poeta (mas não com ele, entenda-se). Quando alugamos um apartamento (como, aliás, refere o texto de contracapa), não alugamos só a casa, mas vizinhos, porteiros e muito mais. Estou a deliciar-me com este Como Se Fosse a Casa (Uma Correspondência).


 


P. S. Vou fazer ponte carnavalesca e só volto na quarta. Descansem e leiam.