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A mostrar mensagens de dezembro, 2016

Feliz Natal

Foi um ano maluco, cheio de trabalho e viagens com autores, e nem eu sei como consegui alimentar este blogue para que os Extraordinários tivessem um post novo quase todos os dias. Acreditem que não foi fácil – e que tive de tirar muitas vezes tempo e cabeça ao trabalho, à leitura e à família só para não desiludir os que aqui vêm todos os dias ler e, frequentemente, dizer de sua justiça. Mas amanhã é véspera de Natal e decidi tirar uma semanita para descansar, sabendo que nesta época muitos dos leitores do blogue andam de casa em casa e de terra em terra, vendo amigos e parentes, confraternizando, comendo e bebendo, gozando a vida e sem grande disponibilidade para perder tempo com as minhas opiniões. Por isso, desejo a todos um excelente Natal, com muita saúde e alegria, e umas belíssimas entradas no ano que aí vem – que, espera-se, há-de ser melhor do que este que agora termina. Divirtam-se muito, ofereçam livros a toda a gente e leiam-nos, mesmo que apenas uns minutinhos ao deitar depois das comezainas e das conversas. Eu prometo voltar no dia 2 de Janeiro, refeita e pronta para mais doze meses de Horas Extraordinárias. Convosco, claro.

Há Fadistas!

Na semana passada anunciei aqui o lançamento de Há Fadistas!, de Pedro Teixeira Neves, um álbum fotográfico dedicado a fadistas e casas de fado por esse País fora, que revela como a nossa canção está viva e de boa saúde e continua a atrair artistas e público de todas as idades. Fui convidada pelo autor a produzir um texto sobre as suas fotografias, e saiu-me uma coisa bastante emotiva, que reflecte o papel que o fado desempenhou na minha vida desde pequena, já que comecei a ir aos fados andaria pelos cinco ou seis anos. Mas agora, com o livro na mão, pude apreciar igualmente o texto de Rui Vieira Nery que ao meu se segue, uma maravilha de prosa em que aprendi uma porção de coisas que não sabia, como, por exemplo, o facto de durante o Estado Novo os fadistas não poderem cantar nada que não tivesse passado no teste da censura e isso ter levado naturalmente a que diminuíssem as letras do fado operário, queixosas da situação, dando lugar a narrativas de amores feridos e abandono – que são, curiosamente, as que ainda se cantam hoje, mesmo sem haver lápis azul. Outra feliz notícia é que este livro, profusamente ilustrado e com muitas páginas, só custa 12 euros, pelo que aconselho todos os que se interessam por fado a comprá-lo e oferecê-lo.

Penumbra

Desde que comecei a trabalhar na edição que vejo muitos jornalistas de qualidade desaparecerem de cena em levas sucessivas de despedimentos colectivos. E reparo que, frequentemente, os que saem são justamente aqueles que eu achava desempenharem melhor a sua função, substituídos por moleques e miúdas que têm quantas vezes ordenados de miséria mas dizem a tudo que sim. Desta feita, a injustiça tocou a alguém que está perto de mim – uma autora que, além de galardoada desde muito cedo como jornalista com quase todos os prémios de jeito que havia para ganhar, ainda arrecadou com o seu romance de estreia o prémio mais cobiçado atribuído anualmente a uma obra de ficção. Falo, evidentemente, de Ana Margarida de Carvalho (e de Que Importa a Fúria do Mar), que acaba de ser dispensada da revista Visão, para a qual trabalhava havia muitos anos, e que tinha seguramente mais bagagem, experiência e talento do que muitos dos seus confrades que lemos ou ouvimos actualmente nos meios de comunicação portugueses. Segundo um post que ela própria publicou no seu mural do Facebook, a terrível notícia foi-lhe dada por um membro dos Recursos Humanos da empresa, nem sequer por aqueles que chefiam a redacção ou dirigem a revista, como se as pessoas já nem fossem pessoas, mas meros números, e não merecessem respeito nem gratidão pelo trabalho que fizeram durante anos. Fico muito triste – não só por ela, mas pelo estado a que as coisas chegaram num país que teve de lutar pela liberdade de expressão durante tanto tempo e que, afinal, mais de 40 anos decorridos do estabelecimento da democracia, volta a comportar-se como se estivesse numa ditadura (a ditadura do dinheiro e das vendas): Pensas, logo não podes existir.

Música silenciosa

Li um livro maravilhoso de Vassili Grossman de que já aqui falei (Tudo Passa) e agora tenho em mãos uma outra preciosidade que me remeteu para esse romance, até porque o seu autor, o britânico Julian Barnes (também falei de outros romances dele aqui no blogue), parece adaptar-se ao assunto, a «Rússia soviética», e escrever um pouco à russa desta vez. Chama-se O Ruído do Tempo e trata de um tempo realmente maligno, o do estalinismo, em que as pessoas andavam caladas por causa do terror das purgas, mas o protagonista não podia manter-se silencioso pela simples razão de que fazia música. Estou a falar de Chostakovich, compositor aplaudido no mundo inteiro nesses anos 1930 e admirado pelo regime soviético até um belo dia em que uma ópera sua incomodou o líder e a sua comitiva no Teatro Bolshoi, em Moscovo, e o jornal do dia seguinte trazia na primeira página uma crítica terrível, acusando o compositor de fazer «chinfrim» em vez de música (crítica provavelmente escrita pelo próprio Estaline). O medo que a partir daí se apodera de Chostakovitch, o que ele faz para evitar os interrogatórios, a forma como se prepara para ser chamado a depor, vestido e de mala pronta para evitar a humilhação de ser levado de casa em pijama, são momentos inesquecíveis neste romance que retrata uma época em que os artistas não tinham liberdade e o poder colidia claramente com a arte. Não percam esta jóia.

Um mês a felicitar

Dezembro dá sempre direito a festas, brindes e felicitações. Ele é o Natal, por norma reencontro de familiares, ele é o fim de ano e os desejos de Ano Novo expressos enquanto se mastigam passas com os amigos… Mas não só: e neste específico Dezembro de 2016 há dois autores que têm razões de sobra para festejar e partir para 2017 de cabeça erguida. Falo naturalmente de Frederico Lourenço, o escritor e tradutor que nos trouxe, por exemplo, as obras fundamentais de Homero e está agora a braços com a árdua tarefa de traduzir a Bíblia do grego (um dos volumes já saiu e, para quem esteja sem ideias, dará um excelente presente de Natal) e que ganhou a mais recente edição do Prémio Pessoa. Falo também de José Luís Peixoto, que arrecadou o Prémio Oceanos (o antigo Prémio PT) no Brasil com o seu romance Galveias, no qual retrata a sua terra-natal, que homenageia com uma prosa sublime e musical. É, pois, tempo de os felicitar e desejar que continuem a brindar-nos com a sua arte no ano que vem e por muitos e bons anos.

Fotografar o fado

Conheci Pedro Teixeira Neves enquanto responsável por uma revista de arte e por causa de um conto infantil que me ele pediu que escrevesse sobre um quadro de Fernando Lanhas; mais tarde, reencontrámo-nos numa editora em que trabalhei porque ele tinha um romance para publicar, e que eu lhe publiquei, chamado Uma Visita a Bosch. Ficámos muitíssimo tempo sem nos ver depois disso (intermitentemente, cruzávamo-nos em festivais) e, quando surgiu o Facebook, comecei a prestar atenção ao seu trabalho fotográfico, de que gosto muito, e acabei por convidá-lo para ilustrar com as suas belas imagens alguns poemas meus durante uma sessão dedicada à minha poesia nas Quintas de Leitura do Teatro do Campo Alegre. Passados anos, foi a vez de o Pedro propor que eu escrevesse um texto para um livro de fotografias suas. E eu aceitei imediatamente porquê? Bem, em primeiro lugar pelo que já disse: gosto das imagens do Pedro Teixeira Neves. Mas havia mais qualquer coisa: eram sobre fado, eram fotografias de fadistas cantando por esse País fora! E o lançamento é hoje, pelas 18h30, no Museu do Fado, com apresentação de Rui Vieira Nery. Não faltem!

O gato na figueira

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Dizem que os gatos gostam de subir às árvores (atrás dos pássaros) e que não gostam de viajar, sobretudo de carro; mas eu já tive de fazer uma longa viagem de avião ao lado de uma senhora americana muito gorda que, ainda por cima, trazia aos pés uma dessas caixas grandes de plástico com grades que tinha um bichano lá dentro. (Ele vinha confortável, suponho, porque nem o ouvi miar… Já à dona, transbordando do assento, foi difícil ignorá-la.) Agora, porém, vou ajudar a levar um gato até à Figueira da Foz, já que hoje à noite, pelas 21h30, na biblioteca daquela cidade, será a vez de Ana Margarida de Carvalho falar do seu muito aplaudido Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato nas 5.as de Leitura que ali acontecem uma vez por mês e são moderadas por António Tavares, também escritor e vice-presidente do município. Tenho a certeza de que o gato se portará bem pelo caminho e bem assim quando subir à Figueira, ou não fosse a sua autora excelente conversadora. Se estiver por perto, venha fazer-nos companhia.


 


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Lembram-se dela?

Neste blogue sempre houve comentadores residentes, como António Luiz Pacheco, que comenta quase todos os dias. Outros comentam de forma mais esporádica, mas tenho a certeza de que os frequentadores assíduos deste espaço se lembram de Carla Pais, que aqui vem com alguma frequência deixar as suas opiniões. Pois foi uma grande felicidade – para mim, pelo menos, que a conheci por causa do Horas Extraordinárias há já três anos – saber que esta nossa Extraordinária cometeu o também extraordinário acto de vencer, com obra inédita, o prémio Agustina Bessa Luís! O romance, intitulado Mea Culpa, será publicado em breve e fala de um homem – Amadeu Jesus – que «nasceu do lado torto da sociedade» e de uma mulher – Briosa – que «é criada no seio das montanhas, onde desenvolve o instinto de sobrevivência através dos sinais que o corpo lhe envia». Digo eu que a coisa promete e que prometo à Carla ler este seu livro que lhe provou que, quando se acredita na literatura, respeitar os grandes e tentar alcançá-los é sempre compensador. Cá ficamos à espera, Carla. E, claro, muitos, muitos parabéns!

Recomendações

Eu, que publico actualmente muito poucos livros estrangeiros, fico contente por ter acertado na escolha de A Vegetariana, pois, quando comprei os direitos deste pequeno romance para Portugal, ele ainda não tinha tido nenhum prémio internacional de monta nem fora publicado senão em dois ou três países. Foi, como dizem os franceses, um simples coup de foudre. A sorte acompanhou Han Kang, a sua autora, que arrecadou o Man Booker International Prize pouco depois, e acompanhou-me também a mim, que acreditei no seu talento. De resto, não fui só eu – e os elogios têm-se multiplicado nas últimas semanas; nas listas que muitos jornais e revistas publicam habitualmente quando o Natal se aproxima e as pessoas estão mais receptivas a sugestões porque têm de comprar presentes, seja na Publishers Weekly, no New York Times, na Economist ou no Guardian, A Vegetariana (e, no jornal britânico, também Human Acts, um outro livro da coreana com que brindarei os leitores em 2017) apareceu destacado e foi considerado uma das melhores leituras do ano 2016. A mesma sorte não teve, infelizmente, um romance de uma autora chilena, Andrea Jeftanovic, que me pareceu igualmente fascinante – Amar numa Língua Estrangeira – e que mereceria mais atenção.  Pode ser que os editores de língua inglesa a descubram e façam também dela um sucesso.

Talento desperdiçado

O meu amigo escritor e editor Adolfo García Ortega, residente em Madrid, manda-me regularmente coisas que publica na imprensa espanhola ou em sites dedicados ao nosso ofício. E começou de há dois meses a esta parte a fazer um Abecedário do Leitor realmente fascinante; chegada há uns dias a letra «B», fiquei deliciada com o que me contou sobre as irmãs Brontë. Ora vejam: Charlotte, autora do famosíssimo Jane Eyre e, segundo o meu amigo, a mais inteligente da família, morreu aos 39 anos. Emily, que escreveu o por tantos adorado Monte dos Vendavais – adaptado, de resto, ao cinema numa versão muito teatral –, morreu com 30 anos, deixando apenas esse romance de que ainda hoje se fala. A mais nova das três, Anne, morreu ainda mais cedo, com uns meros 29 anos, tendo escrito dois romances considerados bastante modernos para a época: Agnes Grey e The Tenant of Wildfell Hall. As Brontë constituem um raro exemplo de talento familiar (seria dos genes ou coincidência?) – e as suas obras passaram todas no teste do tempo. Agora imaginem: se todas tivessem vivido mais anos, que livros não poderiam ter-nos deixado?…

Esclarecido? Não

Já aqui disse mais de uma vez que gosto de dicionários – e o mesmo é dizer que as palavras me fascinam, o que não é de estranhar em alguém que passa o dia à volta delas. Consulto muitos dicionários – online e em papel – e, normalmente, basta-me abrir na página certa para ficar esclarecida. Mas um dia destes não aconteceu… Por causa de um ensaio sobre o pecado, da autoria de Miguel Real, que publicarei em 2017, precisei de me informar melhor sobre o conceito de «heteronomia» (e tudo vinha a propósito de Kant, claro). Algo precipitada, resolvi consultar um simples dicionário de língua portuguesa, mas a primeira definição de «heteronomia» pareceu-me mesmo estranha (digam-me se sou só eu a pensá-lo): «Conjunto de leis da natureza cuja violência se exerce nas necessidades e paixões.» Esclarecidos? Pois eu cá senti-me muito estúpida, acabando por desistir do dicionário e por ir àquela enciclopédia que, mesmo que nem sempre fiável, é uma boa bengala. Aí, li: «Heteronomia (do grego heteros, “diversos” + nomos, “regras”) é um conceito criado por Kant para denominar a sujeição do indivíduo à vontade de terceiros ou de uma colectividade.» Esclarecida? Agora, sim. Mas continuo a ler a definição do dicionário sem perceber patavina...

Contar uma história

Se me pedirem um exemplo sobre alguém que sabe contar mesmo bem uma história, a primeira pessoa que me vem à cabeça é Alfred Hitchcock – que nem escritor é. Escrever, no sentido de escrever um romance, é, aliás, muitíssimo mais do que contar uma história, como todos sabemos; mas, se temos uma história para contar por escrito temos também de saber como encadear os episódios, manter algumas coisas em suspenso, surpreender aqui e ali, guardar para o final algo de suculento. Contar uma história num livro é como construir um edifício com palavras, ideias, imaginação – a estrutura tem de ser cuidada a todo o instante sob o risco de o edifício ruir a qualquer momento. E é isso que nos propõe o escritor João Tordo, um excelente contador de histórias, num curso chamado exactamente assim: Escrever – A Arte de Contar Uma História. As aulas vão decorrer de 13 a 16 de Dezembro em horário pós-laboral, entre as 19h00 e as 22h00 (leve uma sanduíche se não quer desfalecer de fome, não vá um dos autores lidos descrever um lauto jantar) e as pré-inscrições estão já abertas. Se conhece uma boa história, gosta de escrever e quer aprender como pode passá-la ao papel, pode aprender com o mestre João Tordo e os mestres da literatura que ele trará para as suas sessões: Hemingway, Carver, Bolaño e muitos outros. Todas as informações no link abaixo.


 


http://palavrasditas.pt/portfolio/escrever-a-arte-de-contar-uma-historia/


 

Para casais

Não, não pensem já em malandrices, pois falo de assuntos muito sérios – de poesia, para ser mais concreta. Tal como acontece anualmente desde 2005, a Câmara Municipal de Matosinhos organiza mais uma Festa da Poesia entre amanhã e dia 9, celebrando pelo meio o aniversário de Florbela Espanca, que dá, aliás, nome à bonita biblioteca do município onde decorrerão várias das actividades do festival, desde conversas (Nuno Júdice é certamente a maior estrela deste firmamento) até leituras públicas (como a Poesia no Quarto Escuro – e não pensem de novo em malandrices – com vários diseurs e poetas, entre eles  Jaime Rocha). Além de uma bateria de sessões em escolas com o rapper Mundo Segundo e alguns declamadores profissionais para familiarizar as crianças com o ritmo da poesia, as ruas encher-se-ão de poemas, que poderão ser lidos junto às passadeiras do centro da cidade, onde o tráfego é mais intenso e o sinal vermelho para os peões fica mais tempo aceso. E, sim, chegou a altura de revelar a surpresa: é que o casal-maravilha – o Manel e eu, bem entendido – estará dia 8, depois de almoço, a cumprir uma troca viva de poemas de amor durante meia hora, a que a organização chama Poemas Que Te Direi. E diremos. Venham, se puderem.

Baobá

No tempo em que andei na escola, os cadernos eram todos feios e as borrachas não cheiravam a nada. Os lápis ou eram vermelhos ou brancos com a tabuada. Mochilas? Estavam a uma enorme distância temporal: usávamos pastas de couro com umas alças (mas também não andávamos carregados como os miúdos de agora). Até os livros infantis eram desengraçados ao pé do que hoje vemos nas nossas livrarias. E, embora as coisas tenham mudado muito e as obrigações estejam agora mais ligadas ao consumismo e ao prazer, a verdade é que não tínhamos ainda uma boa livraria dedicada especialmente aos livros ilustrados. Vai daí a editora da Orfeu Negro, que tem excelente catálogo de literatura infantil, saiu da sua zona de conforto e abriu recentemente a Baobá - numa referência a uma árvore originária de África, "sólida, ligada à memória e a lendas africanas e brasileiras. Inspira a muitas coisas fantásticas, tem um tronco enorme onde podia existir uma porta. No fundo, os livros são como a raiz", disse a fundadora do projecto. Este é um lugar aonde apetece entrar no bairro de Campo d’Ourique, em Lisboa, nem que seja para folhear formosuras e ouvir histórias bonitas. Mas não só: vem aí um serviço educativo que vai servir as escolas e as crianças do bairro. Só é pena eu ter crescido entretanto...

O que ando a ler

Para ser completamente sincera, ainda não deixei de ler poemas que foram cantados no fado, pois estou a preparar um trabalho sobre a matéria. Mas, entre essas leituras e as do trabalho, ando agora a espreitar um livro para o qual a minha curiosidade foi despertada por uma reportagem de fim-de-semana publicada num dos nossos jornais. Trata-se de uma história que poderia chamar-se com propriedade Da Síria, com Coragem, mas se intitula apenas Nujeen, que é o nome de uma autêntica heroína: uma rapariga com paralisia cerebral que atravessou a Síria arrasada pela guerra de cadeira-de-rodas, na companhia da irmã, e juntas, usando o inglês que tinham aprendido nas séries de TV (a televisão às vezes faz milagres) fizeram mais de 5000 quilómetros até alcançarem a Hungria, com a esperança de conseguir asilo na Alemanha. Nujeen tem hoje 16 anos e conta-nos o seu êxodo e como é ser refugiada, narrativa em que foi ajudada por Christina Lamb, a escritora que já fora co-autora de um livro sobre outra menina-coragem: Malala Yousafzai. Se gosta de testemunhos empolgantes e lhe interessa o que se está a passar no mundo sob a indiferença de muitos poderosos, este é um livro importante para se pôr em dia, contado por alguém que esteve do lado de dentro da história.