A mãe
Bem sei que o Dia da Mãe já lá vai há mais de uma semana, mas dei comigo a pensar nele porque, de repente, parece que a Mãe se tornou tema de uma data de livros que saíram quase ao mesmo tempo ou, pelo menos, nos últimos meses. Falo de uma colectânea de poesia (a primeira, de resto) do editor e escritor americano John Freeman (o senhor que dirigiu a revista Granta e a tornou ainda mais famosa no mundo inteiro) intitulada Mapas (Tinta-da-China), que versa o luto materno, também ponto de partida de dois outros livros: Em Tudo Havia Beleza, romance de Manuel Vilas (Alfaguara) que vendeu milhares de exemplares no país vizinho com o título Ordesa (a montanha aonde o autor ia com os pais) e Filho da Mãe, de Hugo Gonçalves (Companhia das Letras), que é um texto semiautobiográfico. Além destes, descubro ainda o livro Mães Que Tudo, de contos (Companhia das Letras), em que escrevem apenas mulheres. A mãe (salvo seja) posta a render pode dar bons resultados. Os lucros serão nossos, claro.
Confesso que não sei se li algum livro sobre a figura da Mãe (penso que nem conheço nenhum) para além da "A MÃE" do Maximo Gorki que, nos de brasa, foi certamente dos mais vendidos em Portugal (não sei se dos mais lidos-eu, na altura, li).
ResponderEliminarSó por curiosidade fui "guglar" (uma forma sofisticada, moderna e internauta de coscuvilhar) e dei com uma carrada de livros com títulos incluindo a palavra mãe! Até o do meu amigo moçambicano Sérgio Veiga, "O quente aconchego da mãe negra", de quem falei aqui há já um par de anos.
ResponderEliminarMãe, parece portanto ser efectivamente uma fonte de inspiração e rendimento livresco!
Saudações cá da Cidade Morena, apagada há 52 horas consecutivas.
Força nesse gerador, Pacheco! Não me estou a ver 52 horas sem luz, a bater com o baixo ventre nas esquinas das mesas. Alguma coisa vai mal nesse reino da "dinamarca" e imagino que já alguém de lembrou de dizer qualquer coisa como isto: "quando a água benta é pouca e os diabos são muitos, não há quem os vença".
EliminarCom os desejos de "fiat lux" em sentido literal, despeço-me com um abraço desde este planalto, felizmente sem necessidade de recurso às candeias de barro.
Pois… mas como há 15 dias que não há combustível, as filas nas bombas são quilométricas e há quem passe nelas mais de um dia, o gerador também está restringido aos serviços mínimos… já houve quem adiasse a sua vinda cá, dois técnicos espanhóis por exemplo não vieram fazer uma montagem, virão quando normalizar, dizem…
EliminarVou - me safando com a reserva de 120 L que possuo, e ontem consegui atestar o depósito e dois bidons de 20 L, graças a dar sempre 100 "paus" aos moços da bomba, aqui chamados "bombeiros" e que eu trato por bombistas (eles riem-se muito, é das coisas que mais fazem, coitados: rir, infantilmente de piadas parvas) . Lá me conseguiram espremer o depósito do posto da Sonangol na Baía Farta e arranjar umas pingas.
De bombistas felizes, vivemos!
Abraço às escuras!
Com alguma acidez, já li "De Víbora na Mão", de Hervé Bazin, este que parece ser um romance autobiográfico. A mãe do autor não parece ter ali protagonismo positivo. Talvez muitas mães sejam como aquela senhora, das que expelem o nascituro e pouco mais fazem do que isso. Visto isto, louvem-se as mães que não se limitam a ser apenas progenitoras.
ResponderEliminarBom dia com alegria, e a estrelar ovos nas pedras da calçada
ResponderEliminarNão possuíndo uma ínfima parte da, chamemos-lhe.., talvez..., "rodagem literária" de alguns dos Extraordinários, oferece-me perguntar o seguinte:
estando prestes a concluir a leitura de "Os irmãos Karamázov", livro que gira em torno de um parricídio (e da existência ou não de Deus), pergunto se conhecem alguma obra que trate de um matricídio (livros técnicos à parte).
Um pedido com o seu quê de mórbido, que atribuo às elevadas temperaturas que se fazem sentir.
E ao facto de estar rendido ao romance do russo.
"Se Deus não existe, tudo é permitido" diz um dos irmãos. A páginas tantas começei a achar que Yuval Noah Harari também leu Dostoiévski, e aqui se inspirou para a sua obra "Homo Deus".
Alguém uma vez me disse: leia Dostoiévski, está lá tudo.
Confirmo.
Boas leituras
cp
Por norma, as mães são sempre postas e prontas a render. Também por norma, dão lucro. Mesmo as que não vão para as letras, sobretudo essas. O que lhes cabe é, por vezes, o amor dos filhos cujo, como se sabe, é muito menos incondicional que o delas. E tem dias. Mas talvez quem escreve tenha perspectiva muito diversa ou não haveria várias obras a abordar o laço materno.
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