Garrett sem casa

Almeida Garrett nasceu numa casa do Porto que foi recentemente objecto de notícia nos jornais e televisões portugueses pelos piores motivos: houve nela um incêndio de grandes proporções que destruiu totalmente o interior, apesar de se ter conseguido salvar a bonita fachada (mesmo que enegrecida). Não se sabe ainda o que aconteceu, mas suspeita-se de que tenha havido vandalismo ou descuido. Ao que li, a Câmara do Porto tinha a intenção de comprar o edifício (para fazer uma Casa-Museu?), mas parece que ainda não tinha feito propostas concretas ao proprietário, e a Polícia Judiciária exclui à partida que o fogo tenha que ver com especulação imobiliária. Mas a verdade é que João Baptista da Silva Leitão Almeida Garrett, o escritor muitíssimo janota que se casou com uma rapariguinha mal saída da puberdade, pugnou pela construção do Teatro Nacional D. Maria II e escreveu, entre outras coisas, as memoráveis Viagens na Minha Terra (obra que dividiu muitos estudantes da minha geração: uns gostavam dos apontamentos de viagem, outros só liam a história de amor entre a Joaninha e o Carlos), está, depois de morto, desalojado… É que, em Lisboa, a casa onde viveu no bairro de Campo de Ourique, depois de grande polémica aqui há uns anos, também foi deitada abaixo para, no seu lugar, ser construído um complexo de luxo… Pobre Garrett, que merecia um museu, mas não me parece que o vá ter… Mais uma folha caída.

Comentários

  1. Pelo menos está no Panteão, valha-nos isso!

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  2. Infelizmente é assim que tudo começa neste país, cheio gente que gosta mais de dinheiro que do património e da nossa história.

    Agora deixa-se de falar da casa, deixa-se em pousio. E algo nascerá por lá, daqui a meia-dúzia de anos...

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  3. Garrett é para mim o autor da única obra-prima portuguesa de teatro.

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  4. Pois é, tantos anos para fazer qualquer coisa e nada se fez... e agora carpimos, como de costume.
    Fosse ele um futebolista, ou um industrial falido... e aparecia logo uma pipa de massa.
    Não adianta lamentarmo-nos, nós somos assim e nunca vamos mudar.
    🍁
    Maria

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    1. Se pudesse, punha aqui a "Barca Bela" cantada pela Teresa Silva Carvalho: Lindo!
      Maria

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  5. Museu??? Serve para quê? Isso só dá despesa, um Condomínio Fechado daqueles com muros altos, de pedra aos altos e baixos como só os pato bravos do séc XXI sabem construir, disso é que a gente precisa ou um Resort de luxo, que é o que tá a dar. Se fôr preciso dinheiro falem com os banqueiros deste país que sabem o que fazem e não cá a dormir ou a sonhar como esses intelectuais que falam logo em museus...

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  6. Bom dia com alegria

    Relativizemos.

    Mesmo que se fizesse a casa a Garrett, a folha seria sempre caduca.

    Garrett não cai por causa da casa. Garrett, e outros, e a língua, vão caindo aos poucos, paulatina e inexoravelmente.

    A casa é meramente simbólica, bem como o seu especulativo destino, fruto do passar do tempo e da única e verdadeira religião integradora da humanidade: o pilim.

    Adeus alteridade!

    Boas leituras
    cp

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  7. António Luiz Pacheco6 de maio de 2019 às 04:34

    Viagens na minha terra, é um livro que me parece além de memorável, histórico, pelo conteúdo e o género. Ainda recentemente li um livro de viagens (gosto muito de literatura de viagem), creio que do Paul Theroux (não tenho a certeza…) que na nota de abertura transcrevia um parágrafo da obra de Garrett! Há portanto quem o conheça e aprecie, além de nós!

    Saudações morenas, cá desta Cidade!

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  8. Que lástima!!! Ainda há pouco aqui falávamos de casas de escritores e eis como se trata a memória patrimonial de um dos Enormes da nossa literatura. Nem tenho palavras para descrever semelhante miséria.
    Adoro o Garrett das Viagens... (tão próximas da minha terra).

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  9. É triste, porque acontece com várias pedaços da nossa história... Deixámos de ser um país com orgulho!
    https://titicadeia.blogspot.com/

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