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A mostrar mensagens de junho, 2023

Centenários no jardim

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Estive uns dias no Algarve, mas não pude aproveitar a programação de conversas literárias em Portimão, celebrando vários centenários de escritores portugueses que neste 2023 se comemoram; os encontros no jardim começam apenas amanhã,  mas para quem esteja a sul, e a oeste (porque a costa é extensa e a A22 está cheia de portagens), vale muito a pena ir assistir às quatro belíssimas sessões, como decerto serão as dedicadas aos pintores e escritores Cesariny e Mário Henrique-Leiria (este bastante mal conhecido, com textos e pintura de monta), ou a que se ocupará do poeta maior que é Eugénio de Andrade (também mais esquecido do que merecia, mesmo assim muito mais lembrado do que Mário Henrique-Leiria) ou a que versará sobre a politicamente incorrecta Natália numa conversa entre João de Melo e a autora da biografia da grande senhora (já em terceira edição), Filipa Martins. As informações vão aqui em baixo no cartaz e o elenco é de luxo. Não perca!


(Entretanto, a quem interessar, presencial ou não: https://academia.observador.pt/products/o-que-faz-um-bom-livro-um-curso-por-maria-do-rosario-pedreira?fbclid=IwAR1s2PxbRzmhhKCvwdrQSrlK3q-L8Gr_3rF4yRIXiiTNUHuli2LVsOh4zd0)


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A casa das memórias

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Quando sabe que os pais puseram à venda a moradia onde passou férias durante a infância e a adolescência, a protagonista de Nessa altura já cá não estamos, de Lola Mascarell, sente que lhe arrancam metade da vida. E as coisas pioram quando aparece um comprador. Recusando-se a perder a casa, ela consegue adiar a venda e pede um empréstimo ao banco. E, enquanto aguarda o veredicto, instala-se na moradia, tentando aproveitar ao máximo aqueles que podem ser os seus últimos dias dentro dela. São recordações felizes as que lhe chegam sempre que abre uma gaveta ou desarruma um caixote: o seu grupinho de amigas, as tardes na piscina, as anedotas que o pai contava à mesa, as quedas de bicicleta, o primeiro namorado, as primeiras mentiras… Mas há também um inesperado segredo de família que se encontra estranhamente ligado ao destino que a casa terá em breve. Este é um romance maravilhoso sobre as alegrias e as dores da juventude, narrado alternadamente por uma voz luminosa e fresca e outra, adulta e desesperada. Como disse o grande escritor espanhol Luis Landero, poucas vezes foi tão bem evocado num livro o mundo da infância, com as suas incertezas, os seus terrores e as suas manias. Só por isso, já valeria a pena ler este romance. Mas, claro, há muito mais. Acaba de sair.


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Traduções artificiais

Aqui há tempos, li um livro de uma conceituada autora espanhola cuja tradução vinha assinada por alguém que já deu provas de ser competente e ter experiência no ramo. Porém, havia constantes deslizes indesculpáveis, não só porque os tradutores daquele tipo não escorregam habitualmente em falsos amigos e frases idiomáticas, mas também porque algumas passagens tinham uma sintaxe bastante estranha e retorcida. Na altura, pensei em duas coisas: na pressa, e daí a propensão para a tradução mais próxima do original (quiçá com recurso ao Google Translator, que dizem estar cada vez mais sofisticado); e a possibilidade de a tradução ter sido feita por outra pessoa mais nova e mais inexperiente e apenas revista pela pessoa a quem fora encomendada (isto acontece mais vezes do que pensamos e alguns editores preferem correr riscos e ter um nome sonante para chamar público a contratar um tradutor desconhecido e com tempo livre). No entanto, enquanto estava a gozar as minhas férias, veio a lume a polémica de muitos livros, sobretudo clássicos, já estarem a ser traduzidos por inteligência artificial e apenas revistos por humanos, tendo-se descoberto que uma senhora desconhecida (ao que parece, é um nome inventado) teria traduzido mais de cem ou duzentos livros num só ano, o que, dada a dimensão desses livros, seria completamente impossível. Isto levou-me então ao tal livro da espanhola e à hipótese de a sua tradutora ter recorrido também à IA para lhe fazer o trabalho duro. Será que já chegámos a este estado de coisas? Eu, que faço tudo para que as traduções que publico sejam entregues a bons profissionais e, em alguns casos, até beneficio de apoios dos países de origem dos autores para isso (Coreia, Países Baixos, Itália...), fico parva com esta má notícia. Que mais nos irá acontecer?

Quanto mais prima...

A escritora argentina Aurora Venturini já tinha oitenta e tal anos quando recebeu um importante prémio literário para obras escritas em castelhano com a ficção As Primas. Quem o conta é a escritora Mariana Enriquez, que fazia parte do júri, num curto prefácio ao romance que já se encontra traduzido em português e em muitas outras línguas. Venturini já tinha outros livros publicados (um dos quais de poesia, e elogiado por Borges!), mas, embora tivesse vivido em Paris muitos anos, em Espanha era uma perfeita desconhecida. E a sua prosa é tão desassombrada que foi uma autêntica surpresa para os jurados saber que a autora daquele romance incrível era, afinal, uma senhora já de muita idade. Depois disso, ainda houve outro livro (As Amigas), mas a escritora morreu em 2015. Em todo o caso, falemos deste As Primas e da sua narradora Yuna Riglos, uma rapariga com uma ligeira deficiência mental, mas extremamente dotada para as artes plásticas, que com o apoio de um professor faz exposições individuais de grande sucesso mas não pode abrir a boca, sob o risco de não conseguir «pontuar» as frases e afastar o seu numeroso público. É esta rapariga recém-chegada à maioridade que narra a história da sua família, que inclui uma mãe professora horrível, uma irmã deficiente profunda horrível e sobretudo muitas primas e tias, algumas das quais, temos de dizer, horríveis (e a mais simpática e cúmplice, Petra, até é criminosa). É tão desconcertante esta família que só podia ser ficção, mas parece que no mundo real a família de Aurora Venturini também não batia lá muito bem da bola. Divertido, desbocado, desarmante. Embora prometa mais do que dá, vale a pena.

Escrever em Madrid

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Olá a todos depois de umas curtas férias. E, enquanto me vou ambientando à dura realidade do trabalho e não partilho as leituras dos tempos livres, venho dar conta de uma bolsa de residência literária em Madrid. A nossa conselheira cultural na capital espanhola, Ana Patrícia Severino, já criou uma bolsa para escritores quando esteve em Berlim e, pelos vistos, manteve os bons costumes desde que mudou de posto. Se não erro, o jornalista e escritor José Riço Direitinho beneficiou recentemente desta nova bolsa na capital espanhola, e deve ser bom poder parar tudo por um mês e desfrutar da oportunidade de ir para outro lugar e trabalhar exclusivamente num livro. Se tem algum projecto em mãos e pode abandonar a casa ou a família, porque não concorre? Tem até dia 15 de Julho, já não falta muito. Pode consultar o regulamento aqui:


https://madrid.embaixadaportugal.mne.gov.pt/pt/a-embaixada/noticias/3-edicao-da-bolsa-de-residencia-literaria-em-madrid


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Kafka

Quem visitou a casinha de Kafka em Praga, uma construção absolutamente minúscula apesar de ter um mundo nas suas traseiras, mal pode acreditar que o escritor checo tenha nela produzido A Metamorfose, um livro fascinante sobre um homem que acorda transformado em insecto e a rejeição a que é votado pela irmã e os pais, que ninguém poderia imaginar continuasse a ser lido ainda hoje por leitores de todo o mundo e fosse até adoptado como leitura paralela nas escolas. Mas Kafka não é apenas A Metamorfose, e a ensaísta Ana Rocha vai dar o curso A propósito de Kafka sobre o livro-emblema, mas também sobre mais duas obras do mestre, talvez menos conhecidas do público: O Veredicto, que foi escrito quando o autor tinha 29 anos e dedicado àquela que era então sua noiva; e América, que curiosamente conheci através do escritor Nuno Camarneiro, que a ele alude no seu romance de estreia No Meu Peito não Cabem Pássaros. As lições serão três e acontecem nos dias 21 e 28 de Junho e depois no dia 5 de Julho, sempre às 18h30, na sala do Âmbito Cultural do El Corte Inglés. Umas horas kafkianas...


Aproveito para vos dizer que o blogue estará de férias (como eu) na próxima semana, regressando no dia 26. Até lá e boas leituras a todos.

Relacionamentos improváveis

Para me desforrar do livro do pianista de que não tinha gostado, abri o novo romance de Coetzee, que tem um piano na capa, e fui lendo com prazer este O Polaco que, apesar de não ser dos melhores do autor (Desgraça é imbatível), tem esse toque de genialidade de um mestre que, não por acaso, ganhou o Nobel. Trata do relacionamento entre Witold, um pianista polaco de apelido impronunciável que toca Chopin de uma forma praticamente isenta de romantismo, e a senhora catalã que gere uma espécie de clube musical fechado e selecto para o qual o instrumentista é convidado  para fazer um concerto numa dada noite. Witold, passados meses desse encontro, confessa à sua ex-anfitriã que vive para ela, que ela lhe dá paz, o que a desconcerta, porque na verdade só estiveram em presença um do outro nessa noite; mas o pequeno romance é realmente fascinante porque descreve muito bem o facto de nunca conseguirmos ser completamente indiferentes a quem diz que nos ama, mesmo que nos pareça que a pessoa em causa não faz minimamente o nosso tipo. Questões como culpa, pena, consciência pesada, intimidade, diferença de idades, arrependimento, fidelidade, são aqui abordadas de maneira muitíssimo interessante, não isenta de humor, sobretudo quando um conjunto de poemas em polaco (e portanto incompreensíveis, mas muito provavelmente íntimos) aparece para ser entregue à espanhola.

Ora toma

Como aqui então anunciei, este ano uma das minhas autoras (a espanhola Elena Medel) foi a convidada de Espanha para a Noite da Literatura Europeia. Depois da entrega do Prémio LeYa, fui a correr para a escola em cujo recreio aconteciam as leituras entre as 19h e as 22h. Para quem não conheça a prática, estas leituras são feitas, a cada meia hora, pelos autores nas suas próprias línguas e por uma actriz ou um actor em português. Ora, tendo eu entrado em cima do início de uma leitura, só tive tempo de cumprimentar os responsáveis do Instituto Cervantes quando o público já se levantava para ir ouvir a escritora italiana ao virar da esquina; e, como geralmente falo com eles em castelhano, ficámos uns minutos à conversa (também com a autora) ao lado de uma senhora que parecia aguardar que nos calássemos para intervir. Foi então que ela aproveitou uma aberta e disse em castelhano com sotaque alemão (ou parecido): «Que maravilha voltar a ouvir falar este idioma! Eu vivi muitos anos em Espanha, imaginem só o horror que foi ter mudado de Madrid para Lisboa... E, claro, parabéns à escritora.» Eu engoli em seco, perante as caras atrapalhadas dos senhores do Cervantes, e respondi apenas, desta vez na minha língua: «Ah, sim, então ainda bem que gostou.» Não vi se a senhora corou de vergonha porque a sessão era à noite, mas espero que sim, porque a minha vontade foi mandá-la para um certo sítio.

Árvores

Nunca fui boa aluna às disciplinas ditas científicas (Física, Matemática...), mas apaixonei-me aos catorze anos pela Botânica e adorei fazer um herbário que, infelizmente, a minha irmã acabou por deitar fora. Mais tarde tinha, claro, de enamorar-me pelo Herbarium de Emily Dickinson (belo livro com tradução portuguesa da querida Ana Luísa Amaral), que ofereci à minha sobrinha poeta e recebi de presente da minha amiga fadista Aldina Duarte. Mas, entre todos os elementos do reino vegetal, são as árvores que me fascinam (quando estou muito triste, penso que gostaria de me deitar num bosque e respirar fundo). E, como ser eminentemente urbano e «capitalista» (ou seja, que viveu sempre na capital), tinha muitos ciúmes de quem dizia ou escrevia naturalmente palavras como «liquidâmbar», «araucária», «ligustro» ou «metrosiderio». Pus-me então a estudar... E, já  a meio do projecto do meu segundo herbário, dei com um livrinho para crianças que adultos que gostam de árvores adorarão: Procuras Uma Árvore?, de João Gomes de Abreu, Maria Manuel Pedrosa e as deliciosas ilustrações de Madalena Matoso. Ensina o essencial sobre copas, raízes e troncos e permite identifcar uma data de espécies. De grande ajuda para adultos citadinos, será um objecto maravilhosamente útil para as crianças!

Excerto da Quinzena

"Felizmente havia pouco trânsito quando chegámos à entrada do Holland Tunnel. Aliviada, embrenho-me de novo na voz de Erma. E imagino-me a escrever uma história cujo fio condutor seria a atmosfera evocada pela sonoridade particular de uma voz. A sua voz. Sem me preocupar muito com o enredo, seguindo apenas tons e timbres e compondo frases como uma espécie de música, sobrepondo-as como folhas transparentes sobre essa mesma voz.


E o rosto do amor não é senão a brancura do inverno cobrindo as pontas das árvores caídas através das fendas descoloridas dos céus."


 


Patti Smith, Devoção, tradução de Helder Moura Pereira

A falta que nos fará

Na semana passada, jantava eu com dois autores brasileiros que publico (Itamar Vieira Junior e Celso Costa), recebi a notícia da morte de José Pinho, o homem que sonhou e fez a livraria Ler Devagar, que transformou Óbidos numa vila literária e desenhou o festival FOLIO, que recuperou das cinzas a Livraria Férin, que levou livros portugueses às feiras estrangeiras em que Portugal era tema, que programou o Festival 5L e que, entre muitísimas outras coisas e mesmo doente, tinha previsto abrir já este mês um Centro Cultural no Bairro Alto com sei lá quantos andares de livros... O José Pinho era uma força da natureza, um homem que nunca baixava os braços, uma pessoa cheia de entusiasmo por tudo, um combatente sempre com um sorriso na boca e os olhos a brilharem de alegria... enfim, alguém que não vejo como pode ser substituído (não conheço na sua área ninguém parecido) e que nos vai fazer muitíssima falta. Deveria ter escrito sobre ele mal soube, mas, sei lá, ainda acreditei que a notícia fosse falsa, que viesse alguém desmenti-la, pois o Pinho parecia aquela pessoa eterna que vence todos os obstáculos, e já tinha vencido outras fases dessa doença que não cessa de matar em todo o mundo. Vá lá que os poderes ainda foram a tempo de o homenagear e condecorar, o que, mesmo que não tenha grande importância, dá sempre a quem recebe pelo menos a dimensão de um reconhecimento. Reconheçamos que  o José Pinho merecia isso e muito mais e rendamo-nos à evidência de que não há outro como ele.

Cem anos

Este é um ano rico em centenários do nascimento de individualidades ligadas à cultura portuguesa. Falo, por exemplo, de Natália Correia (brindada recentemente com uma biografia exaustiva da autoria de Filipa Martins), mas também do poeta Mário Cesariny, do poeta Eugénio de Andrade e do ensaísta e especialista em Pessoa Eduardo Lourenço, de quem é impossível não ter saudades. Sairá, de resto, sobre este pensador a fotobiografia Tempos de Eduardo Lourenço, assinada por três estudiosas da sua obra (Maria Manuel Baptista, Maria Manuela Cruzeiro e Fernanda de Castro), que, a par de conter informação muito útil sobre a obra do filósofo, inclui dados certamente pouco conhecidos ou mesmo desconhecidos sobre o seu percurso pessoal. Pré-lançado no dia 23 de Maio na Guarda, na biblioteca que foi baptizada com o nome de Eduardo Lourenço, a edição estará nas livrarias no dia 22 de Junho (já fora do período de feira do livro em Lisboa) e estão previstas apresentações em várias cidades do País. 

O que ando a ler

No dia 1 devia estar a pensar noutras coisas e esqueci-me de falar sobre o que ando a ler. Na verdade, ando a ler há demasiado tempo um livro pelo qual me tenho arrastado, pois não consegui gostar no princípio, achei que tinha de perceber porquê mas, com o virar das páginas, nunca tive um pingo de empatia nem pela história, nem pela prosa enfatuada, e muito menos pelo protagonista, que senti demasiado caricatural e sempre igual (mesmo que seja o objectivo, evidentemente, torna-se muito chato). Assumo, porém, que o problema deve ser meu, que já há muito que ando a embirrar com livros escritos integralmente no Presente do Indicativo, em tempo real, como guiões ou notas que os autores tomassem para um romance, mas não o romance propriamente dito. E digo-vos que o problema deve ser meu, pois a badana está cheia de encómios de críticos respeitados e escritores imaginativos e virtuosos (Bruno Vieira Amaral, Valter Hugo Mãe, João Tordo...) que repetem a palavra «brilhante» a propósito da obra, explicando, aliás, porque foi A Dor Fantasma, de Rafael Gallo, o mais recente vencedor do Prémio Literário José Saramago. Descontem por isso o meu gosto pessoal (os gostos não se discutem) e atrevam-se a esta história de um pianista virtuoso e muitíssimo ambicioso que fica sem uma mão num acidente e culpa todos pelo seu destino (a mulher, o fabricante de próteses, o agente, a ex-amante, os alunos...) menos, curiosamente, o motociclista que o atropelou.

Amanhã

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Como não escrevo ao sábado, hoje vou falar de dois acontecimentos que se realizam amanhã para os quais gostaria de convidar-vos. O primeiro é a entrega do Prémio LeYa a Celso Costa na Feira do Livro, na Praça LeYa, às 18h30. O seu romance A Arte de Driblar Destinos venceu a edição do ano passado, fazendo deste autor o terceiro brasileiro contemplado com o galardão. A sessão incluirá uma pequena apresentação, leitura de um excerto e, claro, o discurso de agradecimento. Mas não é tudo: Elena Medel, autora de As Maravilhas, que publiquei no ano passado e fala de três gerações de mulheres e das consequências do tempo e do lugar onde se nasce nas nossas vidas (e se passa em Madrid, mas poderia ser perfeitamente Lisboa ou qualquer cidade portuguesa) é a convidada espanhola da Noite da Literatura Europeia, e a sua participação ocorrerá entre as 19h e as 23h numa escola sita na Av. Almirante Reis, nº 38. Esta é uma noite em que haverá leituras espalhadas por toda a cidade de 15 livros de 15 autores europeus, mas só os autores da Chéquia, da Espanha, da Estónia, da Grécia, da Itália, do Luxemburgo, de Portugal e da Roménia estarão presentes, dando ao público a possibilidade de conhecer os criadores europeus num ambiente mais descontraído. Também os locais são habitualmente instalações que não podem ser visitadas pelo público, por isso é uma boa oportunidade para fazer um périplo pela cidade e conhecer palacetes, fábricas e hotéis onde nunca entrámos. Programa para o fim-de-semana!


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Madrid

Não é só em Lisboa que há Feira do Livro no Parque nesta altura do ano.  Na verdade, quase nas mesmas datas (de 26 de Maio a 11 de Junho), o Parque do Retiro de Madrid enche-se de «casetas» para gáudio de leitores e escritores, os primeiros porque podem ver e comprar, os segundos porque são convidados a autografar para o público. Este ano, porém, não há só autores de língua castelhana no certame porque Portugal vai estar bem representado e terá uma programação variada. A participação iniciou-se, de resto, de forma a causar barulho (risos) com 113 cantores e seis grupos corais do projecto Cantexto, em que o cante alentejano recebe a colaboração de poetas e letristas como Matilde Campilho, José Luís Peixoto ou Patrícia Portela. Mas haverá também sessões com autores, como Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, Filipa Leal ou Afonso Cruz, e um programa especial dedicado a Portugal na rubrica Pagina 2 da televisão espanhola. Estarão ainda presentes editores e directores de colecções espanhóis que publicam literatura portuguesa e o romance biográfico de Cristina Carvalho sobre Ingmar Bergman também ali será apresentado. Duas feiras ao mesmo tempo é que é má ideia, pois não posso sair de Lisboa e também gostaria de lá estar.


 


P. S. Hoje era dia de falar do que ando a ler, mas só dei por isso esta manhã. Falarei então desses livros que me passam pelas mãos (e de um livreiro muito especial que acabamos de perder) na semana que vem.