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A mostrar mensagens de junho, 2026

Na Figueira

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Quando o escritor António Tavares (de quem recentemente publiquei o belíssimo A Arte Pendular do Baloiço, leiam-no) era autarca na Câmara da Figueira da Foz (se não me engano, vice-presidente e vereador da Cultura), eu ia lá muitas vezes com os autores que publico participar nas 5.as de Leitura, sempre numa quinta à noite, na Biblioteca Municipal. Depois veio a pandemia, e quebrou-se o ritmo; mas hoje vou voltar a assistir a este encontro sempre muito concorrido e rever bastantes caras conhecidas. A sessão tem desta feita apresentação e moderação da crítica Teresa Carvalho. A convidada especial é Carla Pais, a vencedora do Prémio LeYa 2025, que vive em França e veio a Portugal justamente para a cerimónia de entrega do galardão e apresentação do romance A Sombra das Árvores no Inverno em várias localidades: Lisboa, Leiria, Maia e... Figueira da Foz, claro. Portanto, se hoje à noite está sem programa e vive por perto, aproveite para ouvir a conversa que, tendo em conta o tema do livro, promete ser boa e sensível.


 

O que ando a ler

 É curioso, mas eu, que leio pouca literatura africana, passei a semana passada a ler dois livros moçambicanos. Um deles era trabalho (e extenso) e deixo a divulgação para quando estiver mais perto da publicação, porque é uma pedrada no charco e vale mesmo a pena que lhe prestem a atenção na altura certa. O outro (ainda não o terminei) é de um jovem chamado Eduardo Quive e foi recentemente apresentado em Lisboa pela romancista e também comentadora Ana Bárbara Pedrosa, com quem troca cartas-crónicas, entre Lisboa e Maputo, no jornal digital A Mensagem de Lisboa. O romance começa com uma tentativa de suicídio, mas não se assustem, porque o choque é sobretudo perceber como quem salta da janela fica vivo e como quem assiste e sabe o que aconteceu fica culpado por não ter evitado o pulo: o narrador, Eurípedes, que está a contar-nos a história ao mesmo tempo que a narra à sua terapeuta; e a irmã mais velha, Anchia, a artista muito aplaudida, que padece de uma condição rara, é albina, o que levou o pai a abandonar a mãe assim que ela nasceu. A prosa de Quive neste A Cor da Tua Sombra é mesmo bonita e há alguns segredos latentes que estou a ver se descubro ao passar das páginas e se relacionam com Anchia e Sheila, a rapariga que queria morrer; mas fico contente que Moçambique se me mostre literariamente duas vezes na mesma semana, porque tenho de me pôr em dia com a literatura desta terra. Parabéns a este autor ainda jovem que promete!