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A mostrar mensagens de outubro, 2019

Crónica e nada a dizer

Como amanhã é feriado (e que bom um feriadinho à sexta!), deixo hoje o link da crónica:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/19-out-2019/os-sapatos-de-deus-11416791.html


 


Estou a caminho do Porto para uma reunião e por isso não consegui dar-vos mais nenhum bónus. Quero, porém, dizer que, sobre a questão do Prémio LeYa com que os Extraordinários decidiram ontem inundar este blog, dei uma entrevista ao escritor e jornalista Bruno Vieira Amaral para a revista Ler há uns anos e isso é tudo o que tenho a dizer. Por isso, nem comentei, nem respondi a comentários, nem o voltarei a fazer. Quero que saibam, mesmo assim, que este ano, dos sessenta e picos originais que me chegaram via email de autores desconhecidos que consegui espreitar não encontrei um só que se aproveitasse . É muitíssimo mais difícil encontrar um bom livro do que as pessoas supõem. Bom fim-de-semana.


 

Maturidade literária

O Prémio Literário José Saramago, que foi  criado para homenagear o nosso único Nobel da Literatura em 1998, é entregue a romances já publicados escritos por autores que, até recentemente, não podiam ter mais de 35 anos (como, aliás, é o caso de Afonso Reis Cabral, que tem 29 anos). Porém, estava a ficar difícil encontrar ficção de qualidade em escritores que estivessem dentro dessa baliza etária; e, tal como já acontecera no Prémio Agustina Bessa Luís (que é para revelar novas vozes literárias), o limite passou para os 40 anos. Sobre as razões que podem estar na origem do vazio literário em gente mais nova, eis um artigo muito interessante de Sérgio Almeida publicado no JN no link abaixo (e não digo que é interessante por ter dado também as minhas opiniões). A ler, portanto.


https://www.jn.pt/artes/especial/onde-estao-os-novos-ficcionistas-portugueses-11446210.html?fbclid=iwar2q_yyonl9mnxrhi5rfk01b-dlvvns4mekalfruggdg7ufisk1uuwas8vk


 

O nada que é tudo

A ida ao Brasil correu bem; fora, claro, o cansaço, a falta de sono e confusão de horas, tanto mais que regressei no dia a seguir à mudança da hora em Portugal e isso gerou mesmo uma estranheza. Na Bahia, ouvi falar autores, folheei alguns livros, conheci poetas, mas, ironicamente, uma das coisas boas da viagem foi o romance de um escritor austríaco, Robert Seethaler, que levei para ler no avião, do tamanho ideal para «papar» numa viagem de oito horas (li 80 páginas à ida e o resto à vinda). Chama-se Uma Vida Inteira, e a grande proeza do autor é fazer de uma vida em que pouco acontece um livro absolutamente maravilhoso, embora muito triste. Uma Vida Inteira foi Livro do Ano na Alemanha e finalista do Man Booker International Prize, tendo sido traduzido em mais de trinta línguas e elogiado por grandes escritores do mundo, como Margaret Atwood ou Ian McEwan. Conta a vida de um homem que se cruza com alguns dos episódios mais importantes da história do século XX (combate na Segunda Guerra Mundial e fica alguns anos num campo de prisioneiros da União Soviética) e arrasta toda a sua vida um amor que mereceu e perdeu e foi talvez a única coisa positiva da sua existência. Em certas coisas, fez-me lembrar a solidão de Stoner e a paisagem de Oito Montanhas. É mesmo muito bonito.

Os livros de Smith

O jornal britânico The Guardian é um manancial de informação cultural e, há mais ou menos duas semanas, publicou as respostas a um questionário que dirige regularmente a escritores conhecidos, desta feita dadas por Patti Smith, escritora e cantora de gabarito internacional (não há muito esteve cá em Lisboa para um concerto que, evidentemente, esgotou assim que os bilhetes foram postos à venda). As perguntas (como no famoso Questionário de Proust) costumam ser as mesmas para qualquer escritor, mas, como é normal, as respostas variam bastante. Neste caso, são até surpreendentes: Patti Smith diz, por exemplo, que o livro que gostaria de ter escrito era Pinóquio; que a obra que a fez querer ser escritora foi Mulherzinhas (em especial a personagem Jo March); que o livro que mais influenciou a sua escrita foi Diário de Um Ladrão, de Jean Genet; e que ficou com tanta ansiedade enquanto lia O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, que até vomitou. Chorou com Charlotte Brontë e riu com César Aira; e envergonha-se de nunca ter lido O Homem sem Qualidades, de Robert Musil. A sua cabeça foi virada do avesso por O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Há mais, claro, mas o melhor é ir lá conferir.

Crónica

O link da crónica:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-out-2019/para-ingles-ver-11395483.html


Até segunda.


 

Flica e vai

Mais daqui a pouco vou apanhar um avião para Salvador da Bahia, e a seguir um transporte de quatro rodas até Cachoeira, uma cidadezinha que fica a duas horas da capital baiana, para participar na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) organizada pela poetisa Kátia Borges. A minha mesa, na qual estarei com o poeta Antônio Brasileiro e a moderadora Mônica Menezes, é amanhã ao fim do dia e chama-se «Estratégias do Eu lírico, esse eterno fingidor». Volto sábado à noite, vai ser um estoiranço absoluto; mas deixo-vos amanhã o link da crónica, como de costume. Hoje, regressa a Santiago do Cacém o ciclo Viver (Com) a Escrita, que há vários anos tem levado diversos autores para contactarem directamente com alunos do Concelho. Desta feita, o convidado é Rui de Almeida Paiva, que lançou recentemente Quem Vem Lá, pela Editorial Caminho, livro que a autarquia (responsável pela organização deste projecto) adquiriu e ofereceu aos alunos envolvidos na sessão. este ciclo conta com a parceria da Livraria A das Artes e da Rádio M 24. Hoje também começa a 30ª edição do Amadora BD – Festival Internacional de Banda Desenhada. A quem interessar.

Nada original

Aqui há tempos, a Sociedade Portuguesa de Autores anunciou a sua parceria com o canal de televisão SIC num programa dedicado à cultura. A coisa prometia: não só porque os participantes eram de gabarito – Dulce Maria Cardoso, Rui Vieira Nery e Carlos Fiolhais, moderados pela ex-editora e hoje proprietária da Livraria-Bar Menina e Moça, Cristina Ovídio –, como também seria transmitido na noite de sexta-feira com retransmissão em outros canais da estação (SIC Notícias, SIC Mulher...). Original é a Cultura, assim se chama o dito programa, já começou há umas três semanas e tem duração de cerca de 40 minutos, abordando temas actuais, ao que parece escolhidos entre os muitos sócios da Sociedade Portuguesa de Autores, e convidando pontualmente um especialista na matéria. Vi o programa de estreia no computador uns dias mais tarde (como quase não ligo a televisão, deixei-o passar e só dei por isso na semana seguinte) e, apesar de Dulce Maria Cardoso estar bastante rouca, gostei imenso e achei o nível bastante bom. O problema é que todas as semanas há uma qualquer razão para a emissão ser mais tarde do que na anterior e verifiquei que na sexta passada o horário previsto era às 2h45… E querem que as pessoas se cultivem? Ora bolas, nem vale a pena dizer mais nada.

Em extinção

O jornal The Guardian trazia uma advertência para aqueles que estão em vias de escolher um curso ou um ofício, o de não optarem por uma série de profissões que estão em extinção. Algumas destas foram evidentemente tornadas obsoletas pelo aparecimento e a difusão em larga escala da tecnologia digital – quem é que hoje, por exemplo, manda revelar fotografias? – ou substituídas por máquinas «inteligentes» (as pessoas já podem pagar a conta do supermercado sem passar pela caixa, usando o leitor do código de barras, e nos casinos parece que as fichas das slot machines já são «cuspidas» por um dispensador); mas houve actividades que, infelizmente, desapareceram porque não houve jovens que se interessassem por elas (o trabalho nos teares é uma delas) ou porque já não fazem simplesmente sentido: quando se estraga um móvel, custa se calhar mais caro mandá-lo arranjar do que ir ao IKEA comprar um novo. A insegurança também acabou com coisas como as vendas porta-a-porta, e as câmaras de vídeo instaladas por todo o lado e os intercomunicadores dispensaram muitos detectives e porteiros. Mas foi a invenção da aldeia global, combinada com a disponibilização de toda a espécie de serviços online, a principal responsável por muitas profissões se encontrarem em extinção: os solicitadores, os agentes de viagens, as dactilógrafas, as telefonistas, os carteiros, os guarda-livros, os contabilistas… Hoje podemos fazer quase tudo sozinhos, desde que tenhamos um computador. Mesmo publicar livros, claro. O editor mais cedo ou mais tarde entrará na lista.

Jorge e Josélia

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A organização de um festival internacional como o Folio, em Óbidos, tem várias vantagens que ultrapassam as sessões in loco; e uma delas é o facto de muitos autores estrangeiros visitarem Portugal e poderem dar entrevistas e fazer sessões sobre a sua obra e a sua carreira. Este ano esteviveram cá escritores de todas as latitudes e, como referi na semana passada, também vários autores do país-irmão. Aos que referi na semana passada, junto agora a bahiana Josélia Aguiar, que foi durante dois anos a curadora da famosíssima FLIP (Festa Internacional do Livro de Paraty) e é, entre outras coisas, jornalista (correspondente da Folha de S. Paulo em Londres), sendo atualmente directora da Biblioteca Mário de Andrade. Mas a razão por que cá está é tão simplesmente o facto de ser a autora de uma biografia de Jorge Amado que Itamar Vieira Júnior (o mais recente vencedor do Prémio LeYa) teve a linda ideia de me oferecer quando esteve em Portugal (obrigada!) e que a D. Quixote publicou em Portugal neste Verão. José Carlos de Vasconcelos, que conheceu e privou com o escritor Jorge Amado, vai conversar com Josélia Aguiar amanhã na Fundação José Saramago. O moderador é Ricardo Viel. Apareça!


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Crónica & Avis

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Hoje é dia de crónica. Aí vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/05-out-2019/de-poucas-palavras-11367036.html


Hoje é também dia de começar mais um encontro de escritores, muito justamente chamado Escritos & Escritores, que acontece anualmente em Outubro em Avis, no Alentejo, e dura três dias. Diz quem já lá foi que vale muito a pena. Eu ainda não consegui, pois esta é uma época muito complicada para um editor. Mas divirtam-se se puderem lá ir.


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Namora

Este é o ano de todos os aniversários, e é também o centenário de Fernando Namora, o médico-escritor de grande sucesso, autor de livros adaptados à televisão como Retalhos da Vida de Um Médico, condecorado postumamente pelo nosso presidente da República no dia da abertura da Festa do Livro em Setembro passado, escritor cuja obra extensa está de momento a ser republicada pela Editorial Caminho. Ele é objecto de uma exposição patente no Museu do Neo-Realismo, “e não sei se o mundo nasceu” Fernando Namora 100 anos,  e nos dias 24 a 26 de Outubro será o tema de um congresso que decorrerá na Faculdade de Letras de Lisboa (24), no Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira (25) e, por fim, na Casa-Museu Fernando Namora em Condeixa (26) com vários participantes de muitas áreas. A inscrição é obrigatória. O programa está no link abaixo. Ide ler os seus livros.


http://www.museudoneorealismo.pt/cmvfxira/uploads/writer_file/document/21499/programa_congresso_fernando_namora.pdf


 


 


 


 


 

Tarrafal

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Conheci o escritor cabo-verdiano Mário Lúcio Sousa em Brasília, no ano de 2010, num encontro sobre o futuro da língua portuguesa; e, na altura, ele confidenciou-me que tinha um romance concluído. Chamava-se O Novíssimo Testamento e foi o primeiro de sua autoria que publiquei na Dom Quixote. Uns anos mais tarde, chegava-me à mão, já com um prémio em cima, Biografia do Língua que, no ano seguinte, arrecadaria também o Prémio do P.E.N. para Narrativa. Estamos a apresentar hoje, na Livraria da Travessa, em Lisboa, às 18h30, o seu terceiro romance na Dom Quixote, O Diabo Foi Meu Padeiro, que fala sobre um assunto que interessará a muitos portugueses: o campo de concentração do Tarrafal. Publicado 45 anos depois do encerramento dessa terrível prisão, este é um romance que evoca todos os prisioneiros que por lá passaram... e também os carrascos, porque é fundamental lembrar para não repetir. A apresentação estará a cargo de João Soares. Apareçam.


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Tempo de medos

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O Brasil está todo às avessas! E o pior é que os ignorantes tomaram o poder e a sua luta contra os intelectuais já se faz censurando livros e proibindo que estejam em feiras e festivais obras que tratem de certas temáticas ou sejam assinadas por adversários do governo de Bolsonaro. Bem, o presidente brasileiro já disse que não assinava o diploma do Prémio Camões dado ao grande Chico Buarque, que, como lhe competia, respondeu que essa não assinatura de Bolsonaro era, para ele, um segundo Prémio Camões. Hoje, na Livraria da Travessa, às 18h30, vai certamente falar-se disto, da Amazónia e de muito mais que está acontecendo no país irmão num encontro entre os escritores brasleiros Joca Reiners Terron (de quem publiquei um livro maravilhoso chamado Do Fundo do Poço Se Vê a Lua, leiam, leiam) e Carola  Saavedra, com moderação da escritora e jornalista portuguesa Isabel Lucas. Apareçam.


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Crónica e prémio

Aí vai a crónica, com agum atraso, mas a semana anterior, entre prémios e muitas outras coisas, não me permitiu organizar-me. Desculpem.


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/28-set-2019/contranatura-11342035.html


Sérgio Godinho, um dos maiores escritores de canções que temos em Portugal (se não for mesmo o maior de todos), acaba de ser contemplado com o Prémio Pedro Osório, atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo CD Nação Valente. Mesmo tendo já publicado livros de ficção (contos e romance), na minha humilde opinião, aquilo que é decididamente a sua obra-prima são as canções, com um estilo muito pessoal e inimitável que, mesmo para quem as queira cantar no duche, se tornam dificílimas. Parabéns, Sérgio Godinho! O prémio será entregue no início 2020.

Irmãos de letras

Já ouvi muitas vezes José Eduardo Agualusa elogiar o seu amigo Mia Couto – e só não ouvi Mia Couto fazer o mesmo porque, na verdade (por infelicidade minha, bem entendido), não foram assim tantas as vezes que pude ouvir Mia Couto, apesar de já o ter ouvido algumas, mas com um tema fixo que não lhe permitia estar a mencionar o confrade. Sabia, porém, que são dois escritores que se gostam (o que é cada vez mais raro num mundo muito concorrencial) e, como tal, não fiquei demasiado admirada com a proposta de um livro assinado por ambos. Dá pelo nome de O Terrorista Elegante (só o título já é bom), publica-o a Quetzal e foi apresentado ontem em Lisboa no Teatro da Comuna, numa sessão conduzida pela jornalista Anabela Mota Ribeiro e na qual o actor Miguel Sermão leu excertos. Hoje haverá outra sessão na Livraria da Travessa, ao Príncipe Real; amanhã será a vez da FNAC-Chiado; e, no Porto, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett recebe os dois autores para um Porto de Encontro no dia 13, às 17h. Eu cá estou curiosa com este livro. Quando o ler, aviso.


(A crónica vem na segunda.)

A tradução do ano

Publico, como bem sabem os leitores deste blogue, sobretudo livros de autores portugueses; mas de vez em quando dá-me para publicar uma tradução. Por isso, gosto de escolher tradutores que não me vão dar trabalho a ler e reler e corrigir e emendar. Trabalho com um grupinho pequeno e, há um ano e tal, juntei-lhe o Paulo Rêgo, que traduz da língua alemã. Foi quando decidi publicar um romance de Sasha Marianna Salzmann, uma rapariga russa que foi viver para a Alemanha em pequenina e que é conhecida também pelo seu trabalho na área do teatro. Chama-se esse romance Fora de Si e considero-o um dos melhores livros estrangeiros que alguma vez publiquei (não o resumo aqui porque escrevi sobre ele a altura da publicação, basta procurarem). Tenho pena de que não tenha sido mais lido, sobretudo por ter uma primorosa tradução. E não sou só eu que o acho, porque a Associação Portuguesa de Tradutores acaba de anunciar que Paulo Rêgo recebe este ano o Prémio de Tradução pelo seu trabalho neste livro! Parabéns, Paulo, obrigada por mais uma boa notícia esta semana. Mais logo, pelas 18h00, na Sociedade Portuguesa de Autores, lá estarei para ver o tradutor receber o galardão. Venham também.

O dia do Afonso

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Depois da magnífica notícia de ontem, a da atribuição do Prémio Literário José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, a Afonso Reis Cabral pelo romance Pão de Açúcar, podemos dizer que hoje é seguramente um bom dia para o autor. Não bastando o galardão, é dia de lançamento de Leva-Me Contigo, a sua obra mais recente, em que relata a odisseia de 24 dias a pé através de Portugal, ora debaixo de chuva, ora debaixo de um calor louco, pela mítica Estrada Nacional 2. Logo à noite, pelas 21h00 (a hora é boa para dar tempo ao Afonso de descansar depois da "festa" de ontem), na Livraria Ler Devagar, no LxFactory, Francisco José Viegas, que pré-publicou na revista Ler um excerto deste livro, vai apresentá-lo, e o cantor Caio vai brindar-nos com algumas canções que servem de banda sonora a um documentário sobre esta viagem. Contamos consigo para dar os parabéns ao jovem autor, quer pelo prémio de ontem, quer pela caminhada de há uns meses, quer pelos seus livros! Apareça.


 


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Folio 2019

Sob o signo de «O Tempo e o Medo», abre no próximo dia 10 de Outubro o FOLIO, um festival literário que tem lugar uma vez por ano em Óbidos e é em 2019 conduzido pela jornalista Ana Sousa Dias. Teremos alguns autores estrangeiros (quero muito ir à sessão com Donald R. Pollock, autor do brutal Sempre o Diabo, que vem lançar um novo título), alguns dos quais vêm a Portugal pela primeira vez, como a turca Ece Temelkuran ou a italiana Elena Varvello, outros repetentes, como Marina Perezagua ou Mathias Énard. Os escritores de língua portuguesa também não faltarão: José Eduardo Agualusa, Valter Hugo Mãe, Joca Reiners Terron (de quem publiquei em tempos um romance incrível chamado Do Fundo do Poço Se Vê a Lua), Lídia Jorge ou Ricardo Araújo Pereira. Haverá, como é costume, momentos musicais, desta feita com os Danças Ocultas, Cristina Branco, Diabo na Cruz e outros. O Folio Educa e o Folio Ilustra compõem a programação, que pode ser consultada no link abaixo. Dura até dia 20. Vão e divirtam-se.


http://foliofestival.com/en/home2019en/


 

Profissões em extinção

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Um dia destes, na editora, vi que estava um papel no chão, dobradinho em quatro, e apanhei-o, tentando perceber se era alguma coisa importante e a quem pertencia. Dizia, numa das faces, «Encadernador» em letra manuscrita, seguido de um número, que parecia de um telefone. Do outro lado, facilmente se percebia que era um bocado de um velho e-mail, ou seja, tratava-se e alguém que «reciclava» papel para escrevinhar notas, exactamente como eu faço. Fui então às letrinhas impressas, das pequeninas, e por sorte era ainda legível o nome do meu colega da Caminho, Zeferino Coelho, a quem me apressei a devolver aquele apontamento. Agradeceu-me como se fosse uma nota de 500 Euros, explicando-me que andava à procura daquele papel há que temos e que era uma alegria ter de novo o contacto do encadernador. Mas ainda há quem encaderne livros?, perguntarão os meus amigos Extraordinários. Ah, pois há; e, além de Zeferino Coelho, que é um bibliófilo e colecciona biografias, deve haver muitos mais, pois a Papiê organiza uma oficina de encadernação em Belém, em três dias diferentes deste mês: 12, 19 e 26! Inscreva-se e conhecerá um mundo novo e fascinante, que um dia lhe poderá ser útil.


Horário: 10:30 às 13:00
Local: From Hand - Home Concept Store
Rua da Junqueira, 362, Belém
, Lisboa


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Crónica e humor

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Hoje é dia de partilhar a crónica (que, no caso, foi publicada em 21 de Setembro) e, portanto, aqui vai o link:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/21-set-2019/velharias-11320765.html


Já em contagem decrescente para o fim-de-semana, um recorte de  um jornal inglês absolutamente hilariante, sobre a maluquice dos tempos que atravessamos. Vale a pena ler:


 


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Ler poemas

Nunca tive jeito para a música, acho que só na adolescendência me atrevi a cantar ao pé de outras pessoas; nem  sou desafinada, mas, tendo noção das minhas limitações, depressa se tornou claro que escutar-me a mim mesma não tinha grande graça (canto mais dentro da cabeça). No entanto, gosto de dizer poemas (e em várias línguas) e as pessoas que percebem disso até me dizem que tenho jeito. Mas mais jeito tem o grupo de dizedores que hoje à tarde estarão no foyer do Teatro do Campo Alegre na sessão do Café Literário «Poesia, a Suprema Ficção». Evocando o grande poeta norte-americano Lawrence Ferlinghetti (que concluiu recentemente 100 anos e de quem é o mote entre aspas), Cristiana Sabino, Jorge Pereira, António Domingos, Idalinda Fitas, Manuela Gomes e Armando Pereira apresentam as suas escolhas poéticas. Se estiver pelo Porto, não perca.

Preguiçar

Hoje estou com um dia infernal e portanto abusarei da vossa paciência preguiçando na escrita de um post. Tenho três irmãos e, quando publiquei a minha Poesia Reunida, um deles escreveu-me um poema tão lindo sobre nós que ainda hoje, quando o releio (na verdade, basta que me lembre dele), faz com que me venham lágrimas aos olhos. Já escrevi sobre como é lindo ter irmãos (dediquei a isso, aliás, uma das minhas crónicas) e, talvez por isso, quero partilhar convosco o discurso de um dos irmãos de António Lobo Antunes, Nuno Lobo Antunes (o 5º de seis), na homenagem que foi feita ao escritor no sábado 28 de Setembro. Que lindo. No link, creio que é também possível ouvir o discurso em vídeo (eu apenas li). Desfrutem.


https://www.sabado.pt/vida/detalhe/meu-bebe-amo-te-muito--o-discurso-de-nuno-lobo-antunes-ao-irmao-antonio


 

O que ando a ler

Leio a obra vencedora do Man Booker Prize em 2018 – Milkman, de Anna Burns, nascida em Belfast, onde, de resto, decorre toda a trama do romance que, em certas coisas, me remeteu para Pátria, de Aramburu, talvez por ambos os enredos se desenvolverem no período anterior ao cessar-fogo pelos grupos terroristas (no País Basco e na Irlanda do Norte). A obra de Anna Burns tem como narradora uma rapariga que vive num bairro assinalado como sendo absolutamente anti-governo e onde todos os moradores (mesmo os que não pertencem às «milícias») são vigiados, fotografados, investigados, apanhados, levados para se tornarem informadores dos «do lado de lá»; onde todas as famílias (incluindo a dela) têm medo (até de ir ao hospital) e perderam pessoas que puseram bombas, ou estavam no sítio errado à hora errada, ou andam fugidas, ou foram mandadas embora; onde os heróis podem usar o nome «Milkman» e isso fazer com que o desgraçado do leiteiro a sério (personagem fascinante, aliás) vá parar ao hospital; onde ter dezoito anos e «um namorado mais ou menos» não salva a protagonista de ser coagida a ter sexo numa casa de banho por «um dos seus»; e onde o facto de um dos cabecilhas do bairro a abordar um dia na rua leva toda a gente a dizer que ela perdeu a cabeça e não a livra de sofrer as consequências disso (e são muitas!). A linguagem divertida e inventiva da narradora (que adora ler enquanto caminha) e as travessuras das irmãs mais novas compensam a dureza do ambiente, de uma violência latente, que não nos deixa espaço nem para respirar. Uma história passada nos anos 1970, com a Irlanda do Norte ao rubro. A tradução – e boa – é de Miguel Romeira. O livro é da Porto Editora.