Histórias de um livreiro
Jaime Bulhosa está ligado aos livros pelo cordão umbilical (passe a metáfora, porque era o pai, e não a mãe, quem o levava desde criança às livrarias) e foi, durante muito tempo, um livreiro independente, primeiro na Livraria Bulhosa de Entrecampos, onde fiz muitíssimos lançamentos nos melhores tempos da edição, e depois na Pó dos Livros, que, infelizmente, fez tudo para se manter no mercado, incluindo arranjar aos clientes livros muito difíceis de encontrar, mas, dada a conjuntura actual, não conseguiu e fechou portas há cerca de um ano. Jaime Bulhosa alimentou um blogue, no qual contava coisas cómicas sobre perguntas e pedidos absurdos ou engraçados de clientes – e agora reuniu os seus posts e outros textos no livro Pedra de Afiar Livros e Outras Histórias de Um Livreiro, da Oficina do Livro, que deve ser lido, até porque é um testemunho muito interessante sobre os dias que atravessamos. Há um bonito vídeo sobre este livro (link abaixo), que aconselho a todos; e, além disso, o autor vai estar hoje na Livraria Menina e Moça, em Lisboa, às 18h30, para falar com os leitores.
https://www.youtube.com/watch?v=_LTuam0JGBs

Bom dia com alegria (e com calor estival, próprio duma roleta metereológica, sem lógica, aparente)
ResponderEliminarJá tinha visto o livro e, automaticamente, acresceitei-o à minha (desmedida) lista.
Gostava de ler o blogue e de frequentar a Pó dos Livros. O atendimento, mais que profissional, revelava um gosto pelo ser livreiro, pouco comum nos dias de plástico que correm.
Quanto ao repto "Estarão os livros a perder influência numa sociedade cada vez mais tecnológica?", a resposta não é linear.
Editam-se cada vez mais referências, vende-se menos. Do lado da oferta a resposta é objectiva e quantificável.
Mas do lado da procura, como medir a influência? Como saber que um livro comprado é um livro lido? Como saber se o livro X, influenciou A a tomar a atitude 123?
Na minha modesta opinião, o livro é imortal. (Poderá ser mais ou menos universal, fruto entre outras coisas da tecnologia.)
É imortal pela simples razão que pensar é inerente à condição humana. E os bons livros fazem-nos pensar!
Boas leituras
cp
Completamente de acordo!
EliminarÉ esse o meu sentir e o meu pensar… podemos até estar errados, mas tudo indica que não e, resume magistralmente com a conclusão sobre o pensar!
Parece que a hipertensão não lhe afectou nem o espírito nem o ânimo!
Abraço benguelense!
Vídeo - Lindo!
ResponderEliminarFascinante!
Creio que não será só quem gosta de livros poderá absorver integralmente a intensidade e a sensibilidade que estas imagens e estas palavras carregam.
É uma tristeza estas livarias fecharem.
Também achei o vídeo lindo, nostálgico, uma ternura.
EliminarQuando morava em Lisboa era grande frequentadora de livrarias, conhecia-as todas. Nunca conheci a Pó dos Livros, embora seguisse sempre o blog.
O Seve alguma vez comprou lá algum livro?
Maria
Alguns, menos do que desejava.
EliminarGostei de saber
EliminarBoas Leituras!
Maria
As livrarias são as plantas dos nossos jardins, apesar de haver quem goste de jardins de pedras… são onde está a nossa luz, de traças dos livros.
ResponderEliminarMorre com elas, sempre um pouco de nós, humanidade.
Neste caso fica mais um livro, que se afigura muitíssimo oportuno e interessante!
Saudações eléctricas (veio a energia da rede há coisa de meia-hora) cá da Cidade Morena!
Tum tum tum... houvera barulho a capa (mui) dura. Não, nem eram ruídos ou sons. Embora baixinhos; audíveis dentro à fora. Àquilo, outro plim! Pó dos livros em folhas a revestirem ternura soara palavras exactamente práticas a cismara singela partilha, os Bulhosa.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
O fecho de livrarias é das piores "mortes" que vou levando na vida. Lembro-me de ir a Londres ou a Oxford de propósito às livrarias. Sentava-me no chão e folheava, folheava; fazia as minhas escolhas e vinha carregada de palavras para ler. As horas que passei na Barata da Avenida de Roma, nos alfarrabistas da Baixa à procura de tesouros empoeirados. Tenho tanta saudade de um tempo em que as livrarias eram um espaço não em vias de extinção...
ResponderEliminarSaudades da Pó dos Livros: consegui lá encontrar algumas coisas difíceis de obter nessa época, como por exemplo " Declínio e queda do Império Romano" de Edward Gibbon (um clássico), ou "Quando tudo se desmorona" de Chinua Achebe. Hoje, uma imobiliária.
ResponderEliminarInfelizmente não criei o culto da livraria. A única que frequentei algumas vezes é em Setúbal e nem vou dizer o nome porque a proprietária me atendeu em cada vez de muito mau modo, creio mesmo que me varreria como fez a criada do jovem Gregor na Metamorfose, só que ela o varreu morto e a senhora, podendo, varria-me viva. Não devo ter o perfil certo ou fui indelicada sem dar conta. Não interessa.
ResponderEliminarMas conheci Jaime Bulhosa na Pó dos Livros que dinamizava várias actividades; li o seu blogue até ao fim. Que não tinha apenas coisas cómicas e subjectividades hilariantes de alguns clientes. É um prosador de qualidade e reflexivo qb. Muita sorte para o livro e o encontro com o público na Menina e Moça.
Oh! fiquei comovido. beijinhos
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