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A mostrar mensagens de julho, 2026

Boas férias

Ufa! Que ano! (Para mim o ano começa quando cheira a lápis e cadernos novos, sempre.) Pessoal e profissionalmente, ano pesado, confuso, cheio de trabalho, de stress, de mudanças. Mereço mesmo umas férias. São apenas quinze dias, mas só volto ao blogue dia 1 de Setembro, pois preciso de escrever outros textos apalavrados e organizar muita coisa (até em casa, a papelada) que tem ficado para trás. Vou levar uma data de livros nestas duas semanas, embora saiba que dificilmente os lerei a todos, mas falarei deles no regresso, prometo. Vou também aproveitar para ver se resolvo alguns problemas deste blogue, pois já recebi várias reclamações sobre a dificuldade em comentar (e às vezes a impossibilidade), as horas e datas erradas, o não haver uma opção para subscrever... enfim, vamos lá ver se consigo melhorar essas debilidades. Boas férias aos que vão. Bom trabalho a quem fica. Boas leituras a todos. 

Viajante destemida

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Uma mulher desejou toda a sua vida viajar; mas a vida não permitiu, ou porque o dinheiro não abundava, ou porque o trabalho não deixava, ou porque era preciso tomar conta dos filhos, ora porque... Enfim, sonhara com viagens desde sempre (mesmo as de autocarro já eram uma alegria, andar, andar...); e, sendo tradutora de profissão, estava sempre a ver outros países nas palavras que vertia para português, aguçando o seu desejo. Foi já depois de ter «despachado» os filhos, já depois dos 50, que conseguiu finalmente juntar uns cobres para essa loucura e tirar um mês só para si. E que fez? Um Interrail, como se fosse uma estudante universitária. O país escolhido foi a bella Itália, por ter tanto que ver. Hoje, em vésperas de partirmos quase todos para férias, fazemos o lançamento deste livro incrível, A Turista Invisível, com apresentação de Rui Zink, que promete ser divertida. Apareça se ainda estiver por Lisboa!

 


 

Gulliver

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Fiz há uns tempos um prefácio para uma edição juvenil de As Viagens de Gulliver, da editora Fábula, um clássico de Jonathan Swift que descreve as quatro viagens de Lemuel Gulliver, um cirurgião. Só para verem a importância deste livro, quando hoje falamos de algo «liliputiano» para dizer «minúsculo», estamos a falar deste livro e de uma dessas viagens, a de Gulliver a Lilliput, onde há um mundo em miniatura e ele é uma espécie de Deus vendo os homenzinhos do alto. Mas noutra das viagens é ele o ser minúsculo, pois aí são todos gigantes e a sua experiência é completamente diferente. Na ilha voadora que constituirá a terceira viagem, Gulliver conviverá com fantasmas, de Homero a Descartes, e por fim estará numa terra com cavalos dóceis mais inteligentes do que homens, pessoas que ali são como os animais embrutecidos desses cavalos. O livro é muito mais profundo e alegórico do que os incautos leitores possam pensar quando vêem a imagem de Gulliver atado com fios por criaturinhas ínfimas; é na verdade uma sátira ao homem que o crítico Harold Bloom achou genial, em que nos revemos constantemente não sem um certo peso no peito. Ora, saiu agora uma nova tradução de Rita Cipriano na colecção de clássicos da Quetzal e, se não leu ainda As Viagens de Gulliver, aproveite as férias para viajar com ele.

 


 

Excerto da Quinzena (atrasado)

A memória é colorida pela invenção. Encobrimos o que se apagou com os tons da imaginação, uma paleta de cores que refaz pessoas e cenários entre pinceladas de calma ou de fúria, com texturas ora aveludadas, ora vibrantes, retoques de última hora, às vezes sombrios. Mas quantas nuances se perdem quando tentamos recuperar uma tela do passado? E como lidar com a suspeita de que outras versões dessa tela possam existir sob a imagem que vemos hoje? Obras de arte antes intocáveis, que nenhum restaurador ousaria raspar além do necessário em uma eventual limpeza, arriscando-se a danos de milhões de dólares, agora se revelam à luz da inteligência artificial. Em 2019, pesquisadores descobriram o rosto de uma mulher por baixo do Retrato de Uma Jovem, tela que Modigliani pintou por volta de 1917. A imagem que o artista teria tentado esconder possivelmente é a da escritora inglesa Beatrice Hastings, retratada em outras telas, com quem Modigliani já tinha rompido naquela época. Um rosto que voltou a existir em 2019, reconstruído em impressões 3-D.

Silvana Tavano, Ressuscitar Mamutes
(Vencedor do Prémio Oceanos)

David Machado, 20 anos

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Quando João Tordo ganhou o Prémio Literário José Saramago, fizeram-me uma entrevista no saudoso programa Pessoal e Transmissível, de Carlos Vaz Marques. Era a quarta vez que um autor meu vencia aquele Prémio e a circunstância fazia parecer que eu tinha alguma coisa que ver com o assunto, embora o mérito fosse, claro, dos autores. Às tantas, o Carlos perguntou-me quais dos novos escritores que não eram meus gostaria de publicar. Tinha saído pouco antes um livro de contos de David Machado e referi imediatamente o David. Ele não estava a ouvir o programa, mas um amigo contou-lhe. Foi o bastante. Acabámos «juntos», autor e editora, numa história bonita que já conta com 16 anos. Parece que foi ontem, mas por acaso o David Machado faz em 2026 vinte anos de carreira literária, o que já aqui foi noticiado por alturas da Feira do Livro. Os seus trabalhos na literatura infanto-juvenil são notáveis, e uso a etiqueta do infanto-juvenil com muitas reservas porque eu, adulta, adoro ler esses seus livros. O David recebeu prémios nesta área e na dos romances para adultos, mas queria destacar agora a Trilogia do Furacão, que acaba de ser fechada com A Rapariga Que Falou com a Montanha, uma história de três irmãs, filhas de médicos, que têm de enfrentar sozinhas um furacão, e evocam a memória da avó, que adorava animais e falava com as plantas, esperando que o seu fantasma lhes dê uma ajuda. A capa e as ilustrações são de Alex Gozblau.

 


 

Teatro

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Hoje seria dia do excerto da quinzena, mas vou passá-lo para segunda, pois, se não me engano, o que aqui me traz hoje tem um prazo curto para ser visto (penso que até dia 26 apenas). Trata-se de uma peça de teatro encenada por João Pedro Vaz, Caravana, que está em cena no Teatro Aberto em Lisboa e foi escrita pelo Prémio Pessoa, o poeta e médico João Luís Barreto Guimarães. Conta com cenários e figurinos de Sara Vieira Marques (muito bons) e desenho de luz de Manuel Abrantes. Apesar de só ter dois actores (Joaquim Horta e Rita Calçada Bastos), a actriz multiplica-se e faz um trabalho notável de transformação (as roupas e cabeleiras são importantes, mas há muito mais). Não vou contar a história, apenas dizer que a peça envolve um homem que vive numa caravana à beira de um bosque (saberão por que diabo se mudou para lá já bem adiantada a peça) e os encontros que aí tem com mulheres, mais ou menos conhecidas. É um espectáculo muito bem conseguido, e o autor, que já tinha ganho um prémio com este texto dramático, está de parabéns.

 


 

Até ao fim

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Terminei há uns dias um livro que comprei na Feira do Livro de Lisboa, chamado Funeral Divertido, de uma autora russa de quem já li dois ou três livros (o meu preferido dela é Sonechka): Ludmila Ulitskaya. Este romance, publicado cá no ano passado, fala de um pintor russo que emigrou há muitos anos para os Estados Unidos, onde fez relativo sucesso e se rodeou de amigos, quase todos seus conterrâneos. Teve uma vida cheia também em termos de mulheres (a sua infidelidade levou, de resto, a que a mulher mais recente se tenha tentado suicidar quando ele saiu da Rússia e a deixou lá à espera da papelada). Porém, agora está muito doente, deitado na cama de sua casa, recebendo visitas a toda a hora e com quase todas as suas mulheres à volta (e nuas, porque está um calor tremendo): a legítima, que gostaria de o baptizar para ele se encontrar com Deus quando morresse, mas ele é de uma família judia e não está pelos ajustes; a primeira mulher, que foi uma paixão de juventude bastante forte e aparece com uma filha adolescente a quem chamam T-shirt; e Valentina, a sua amante actual. Além destas, não faltam amigos a prepararem vodka e mezinhas para o verem mais bem-disposto. Enfim, tudo promete que, mesmo que não se salve, o doente morrerá feliz e terá um funeral divertido. Uma literatura inimitável, a russa.
 

 

Cavalo de Ferro

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Leio muitos livros da editora Cavalo de Ferro. É uma editora de bom gosto, levada pela mão muito criteriosa de Diogo Madredeus. Gosto muito do Diogo que, apesar de ter tantos autores premiados, é uma pessoa imensamente discreta e ponderada e não anda por aí a gabar-se. Nos últimos anos, ele tem sido bafejado pelos bons ventos de Outubro, ou seja, fartou-se de receber Prémios Nobel da Literatura por interpostas pessoas, e não foi só sorte de certeza absoluta. Na verdade, em 2019 teve-o por conta de Olga Tokarczuk, nascida em 1962 na Polónia, autora de Viagens, Conduz o Teu Arado sobre os Ossos dos Mortos e outras obras de peso (e que esteve recentemente no festival Babell). No ano passado, conseguiu-o através do húngaro Lazlo Krasznahorkai, que chegou a vir a Portugal ao Fólio, mas adoeceu com gravidade e teve de regressar a casa antes da respectiva participação. (Confesso que ainda não me estreei na obra deste autor, aceito sugestões para começar.) E, em 2023, recebeu-o como editor da obra belíssima de Jon Fosse (Manhã e Noite é até agora o meu preferido), o norueguês que este ano vem ao Fólio. É mesmo por isso que falei do Diogo e da Cavalo de Ferro, para dizer que o Nobel norueguês estará em Óbidos em Outubro e que o Fólio em breve divulgará o seu programa, mas está cheio de estrelas. Parabéns, Diogo, pelas boas escolhas.


 

A memória, a visão, as mãos, que mais?

Um amigo meu hipocondríaco, advogado hoje reformado, teve em tempos uma cliente que, numa fase avançada de um cancro, o chamou ao Instituto Português de Oncologia para tratar do testamento. Ambos precisavam de uma certa privacidade para conversar, mas o hospital só lhes arranjou um cantinho ao lado de uma sala onde um médico examinava uma criança, a quem fazia perguntas do tipo: Tens tosse? Quando tosses doem-te as costas? Quando corres, custa-te a respirar? Quando te cansas, dói-te o peito? E outras coisas mais ou menos normais. Ora, o meu amigo, assim que deixou o hospital, ligou-me a comunicar que tinha um cancro. Onde, perguntei? (Tinha estado com ele na véspera e ele não se tinha queixado de nada.) Respondeu-me que não sabia, mas que só podia ter cancro porque responderia afirmativamente a todas as perguntas que o médico fizera à criança que vira nessa manhã. Gozei-o... mas arrependi-me há uns dias quando recebi do SNS a notícia da campanha de sensibilização para a demência (link abaixo). Começa assim: «Perder a memória é da idade. E se não for?» Depois avança com os sinais a que devemos estar atentos e eu tenho mesmo todos... Logo eu, que preciso tanto da memória para trabalhar. A seguir vou para uma consulta de reumatologia porque tenho dores nas mãos (outro dos instrumentos com que conto absolutamente para editar livros, pois não me consegui ainda habituar às ferramentas digitais), e a médica vê as análises e diz-me que não tenho artrite reumatóide (graças a Deus), mas estou com o açúcar alto e tenho de ter cuidado, porque a diabetes é a principal causa de cegueira em Portugal (e eu, sem olhos, como vou ler e escrever?). Bem, de repente parece que estou hipocondríaca... Desculpem o desabafo, mas a velhice é mesmo tramada!

Campanha nacional de sensibilização para as demências – SNS 

Sem o Artur

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Há colaboradores que fazem parte da nossa vida, sobretudo aqueles que começaram a trabalhar para nós no início da nossa carreira e continuaram até ao presente. Este foi o caso de um casal de tradutores, a Cristina Rodríguez e o Artur Guerra, que julgo ter conhecido quando ainda trabalhava na Gradiva e também pela tradução de um romance de Gonzalo Torrente Ballester, Filomeno, há muito publicado na Dom Quixote. Depois, já na Temas de Debates, pude contar com a sua ajuda em muitos trabalhos e acabámos por tornar-nos mais próximos. O Artur, que também era professor, chegou a convidar-me a ir falar com alunos seus a uma escola próxima de Sesimbra. Quando comecei a trabalhar mais com autores portugueses, acabámos por ver-nos menos, mas continuei a ler sempre as suas traduções, até porque lhes devemos terem vertido para português obras de Camilo José Cela, Borges, Montalbán, Bolaño, Rosa Montero, Sepúlveda e muitos outros. Pois bem: o Artur estava doente já há bastante tempo e deixou-nos há uma semana. Tenho mesmo pena, porque, além de tudo, era uma pessoa excelente e muito delicada. Quero agradecer-lhe publicamente o seu trabalho e a sua amizade. Quero mandar um grande abraço à sua companheira de vida e trabalho, a Cristina, que agora trabalhará mais sozinha, mas que espero que continue a trabalhar, porque precisamos dela. Obrigada, Artur, por tantos trabalhos notáveis.


 

Os políticos de hoje

Sou de um tempo em que, geralmente, as pessoas que faziam política eram pessoas genuinamente interessadas em que os seus países dessem melhores condições de vida a toda a gente e pessoas cultas e com conhecimentos muito acima da média. A coisa, como sabemos, deteriorou-se, e não podemos comparar Mitterrand com Sarkozy e muito menos Roosevelt com Trump ou Mário Soares com Montenegro. Regra geral, o nível baixou por todo o mundo, os políticos de hoje lêem pouco ou nada; e, enquanto os de outros tempos tinham vergonha da sua ignorância num ou noutro aspecto, hoje os políticos não se importam de não saber nada de coisa nenhuma. Contaram-me uma história um dia destes bastante ilustrativa do que acabo de dizer. Quando pediram, julgo que na Feira do Livro, a Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP, que mencionasse um dos livros da sua vida, ele respondeu Os Filhos da Droga, de Christiane F., um livro de memórias de uma toxicodependente que foi importante provavelmente na sua geração, mas está longe de um Tolstói ou de um Dostoiévsky, que eu esperaria se encontrassem entre os seus livros de cabeceira. E, tendo ido assistir à homenagem a Lobo Antunes, Raimundo ouviu a intervenção de uma sua correlegionária, que era uma das oradoras, mas saiu assim que ela acabou de falar, mostrando que o seu interesse não era pelo escritor homenageado. Também se topa bem que os políticos não lêem um livro quando todos os anos, no 23 de Abril, Dia Mundial do Livro, os jornalistas lhes perguntam o que andam a ler e muitas das respostas são: «Ah, ando a reler os Maias.» Vê-se logo que desde o liceu não pegam num livro.

Poetas e poesia

Reparo que, ao contrário do que acontece em muitos outros países (sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos), em Portugal a poesia aparece muitas vezes na categoria de ficção. Ora, muita da poesia pode ser também ficção, é um facto, mas eu apostaria que a maioria não o é. Além disso, também há romances que não são ficções, baseando-se em histórias completamente verdadeiras. Até me lembro de As Cinzas de Ângela, que foi um êxito nos anos 1990, ser considerado não-ficção nos EUA porque se baseava na vida do autor e em Portugal ser classificado como romance. Contudo, vários jornais e revistas, ao publicarem semanalmente as listas dos títulos mais vendidos, parece que apenas separam a ficção da não-ficção, como se não houvesse mais categorias (a poesia, o teatro, a correspondência...). Também é esquisito que essas publicações nem sempre considerem os poetas escritores. Quantas vezes vejo em legendas frases do género: Fulano de tal é poeta e escritor... Ora, a escrita de poemas não faz dos autores escritores porquê? Só são escritores os ficcionistas? Mas então porque metem a poesia na categoria de ficção quando fazem aquelas listas dos melhores do ano?

Adília

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A poetisa Adília Lopes tinha (tem) uma legião de fãs cá dentro e lá fora (no Brasil, são mesmo muitos os seus admiradores). É, de facto, uma voz única no panorama da poesia em língua portuguesa, não se parecendo com nenhum dos seus confrades. E é bom saber que todos os estudiosos e apreciadores da poesia da Adília, apesar de terem perdido a pessoa, não perderam o que ela deixou, pois a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova vai acolher o espólio da escritora, criando um Centro de Documentação com o seu nome coordenado por Joana Meirim, com vista não apenas à preservação da obra, mas também à disponibilização dos seus materiais a todos os que queiram investigar e trabalhar a autora. O espólio reúne documentos, fotografias, livros e manuscritos e foi doado pelas herdeiras de Adília, permitindo-nos conhecer alguns dos seus objectos pessoais e também a sua biblioteca. A integração deste espólio na Nova, que teve o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, reforça o papel desta Universidade na valorização da poesia portuguesa contemporânea. Parabéns!

 https://www.fcsh.unl.pt/a-nova-casa-da-adilia/

 


 

 

Lembrar Persépolis

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Como provavelmente muitos dos leitores deste blogue, conheci Marjane Satrapi através de um maravilhoso romance gráfico da sua autoria chamado Persépolis. Era um livro que contava a sua vida no Irão durante a infância e a adolescêndia e os constrangimentos criados pelo regime dos aiatolas que tomou conta do país quando ela tinha apenas dez anos e que era, em tudo, diferente daquele que a sua mãe vivera. As mulheres da sua família, que eram cultas, tiveram de se reduzir à sua insignificância e pôr o véu obrigatório na cabeça; e muitas das colegas de escola de Marjane deixaram simplesmente de estudar. A parte mais “engraçada” era quando Marjane comprava discos dos seus ídolos no mercado negro, que então estavam proibidos. A obra deu lugar a um filme co-realizado  pela própria Satrapi que venceu o Prémio do Júri do Festival de Cannes em 2007 e foi candidato aos óscares. Satrapi já estava então exilada em França, onde continuou a trabalhar em cinema. Foi, de resto, em Paris que morreu no início deste mês, ao que anunciaram, de tristeza, por ter perdido há pouco o seu companheiro e nunca mais ter recuperado do desgosto. E, para a lembrar e homenagear, o seu filme Persépolis estará de volta aos cinemas portugueses a partir de dia 16, numa nova versão restaurada. Consulte a agenda e veja este filme.