Pai
Hoje é Dia do Pai, e tenho muitas saudades do meu. Ao contrário de mim, que tenho tendência para a melancolia, o meu pai tinha um talento natural para a graça e um sentido de humor incrível. E possuía um manancial de histórias formidáveis para contar, que deveríamos ter gravado ou apontado enquanto era vivo, já que o mais provável é que se percam na nossa geração (os netos eram quase todos bastante pequenos quando ele morreu e alguns nem nascidos eram). Pois houve alguém (a editora Esfera dos Livros) que teve agora uma belíssima ideia e que, mesmo que o objectivo tenha sido apenas facturar à custa de filhos preguiçosos que não sabem o que oferecer ao pai neste dia, acertou na mouche. Criou um livro-caderno (sim, lá dentro as páginas são todas brancas), intitulado Pai, Conte-Me a Sua História, para que os filhos entrevistem os pais sobre a vida deles e registem as suas memórias, passando juntos momentos que de certeza não esquecerão. (As recordações do pai escritas pela mão do filho também podem ajudar os mais novos a melhorar a sua caligrafia, claro, uma vez que hoje a juventude se limita praticamente às teclas quando quer comunicar). Este é um bom presente para pai e filho que, mais tarde, pode vir a ser lido a netos e bisnetos, mantendo vivas as histórias da família.
Como filho não tive oportunidade de conhecer o meu! Faleceu quando eu tinha apenas 3 anos... Mas tenho uma mãe que vale por muitas!
ResponderEliminarA ideia do livro com as páginas em branco acaba por ssr uma excelente ideia para mim, isto se existir na versão para a mãe!
Extraordinária idéia, essa do livrinho da história(s) do pai e de toda a família.
ResponderEliminarLá em casa sempre houve muitas histórias, nossas, de parentes, de satélites, empregados ou conhecidos e conhecidos de conhecidos, um manancial enorme talvez porque também somos dados a isso. Vão passando de avós para netos, quem já tenha participado numa reunião familiar nossa, sobretudo à mesa, terá ouvido uma quantidade de histórias que vão sendo recordadas a propósito de tudo e de nada.
Creio que nós, portugueses, somos muito dados a isso, ou é impressão minha?
Já agora e a propósito, falo aqui novamente no projecto Arquivo dos Diários, que se dedica justamente a reunir e a disponibilizar essas memórias caseiras, colectivas, familiares ou individuais, esparsas e que tantas vezes são uma riquíssima fonte de informação para investigadores, escritores, académicos…
www.arquivodosdiarios.pt
Vão lá ver, que vale a pena, vale a pena divulgar e usar.
Saudações paternas cá da Cidade Morena!
J
Bom dia. Amei muito meu pai, meu herói, professor de vida na reserva deste amor. Engraçado, meu marido às vezes se lhe fica constrangido, quando relembro a infância, adolescência ou mocidade. Se por um lado acho graça, o considero nunca ter experimentado quão pesada a mão ou a cinta de meu pai, por outro diz que se faz perdoar. Entendo o “extremismo” de acções em sendo referência de épocas passadas, mas é lamentável ser refém da brutalidade, em relação à meus irmãos, por ser mulher. Sim, eu acredito na capacidade de uma boa semente.
ResponderEliminarLamento, mas a ideia não é nova.
ResponderEliminarExistiu e ainda existe um livro lindo chamado 'EMBORA LÁ PAI'
Perfeitamente adaptado à temática do dia de hoje.
Os trabalhos de casa são para fazer !!!!!
Zé Gonçalves
Penso que esse livro tem sugestões para programas pai-filho, mas não é um livro branco para os filhos apontarem episódios e histórias de família. Penso também que o livro que refere é claramente para crianças, enquanto este pode ser usado por pessoas de todas as idades que ainda tenham pai. Não é a mesma coisa, mas obrigada na mesma pela sugestão, pois muitos leitores aqui podem estar interessados nela.
EliminarBom dia com alegria
ResponderEliminarCom um telefone esperto e a nuvem, vamos poder fazer playback da nossa vida, como fazemos nas séries de TV com a box.
Aqui, a oralidade ainda prevalece, embora sejam deliciosas algumas leituras passadas.
Qb
Boas leituras
CP
Esta ideia do livro em branco não é inédita. Lembro-me que o Círculo de Leitores a lançou há anos (resisti a colocar "há anos atrás"), precisamente para que os "leitores", perante aquelas paredes em branco, decidissem a uma tentativa inicial para se tornarem escritores e as colorissem com palavras.
ResponderEliminarO livro que a MRP indica como boa iniciativa - e é - , a par de um outro "Avó, conte-me a sua história", custa 7,65 euros, praticamente o preço de um livro impresso em capa mole, sendo que o da Avó é mais caro 1 euro, ainda que ambos tenham 160 páginas em branco. Possivelmente pensa-se que serão os pais e as avós a pagarem os livros, uma vez que o avô não é chamado à narrativa; pelo menos, aqui, não há distinção de género.
Como eu sou um curioso por natureza, andei a googlar (como o Pacheco gosta de dizer) e encontrei "Vó, me conta a sua história?", com autoria de Elma van Vliet, editado no Brasil, com a particularidade de o neto o receber de volta preenchido. Nem sei qual a razão de a autoria ser atribuída à Elma, que vendeu 4 milhões de exemplares no mundo, uma vez que tradução segue de raiz, "lido" mesmo em mandarim e na língua dos bosquímanos, vizinhos do Pacheco.
Ora, falando por mim, quem quiser escrever não precisa fazê-lo (estive tentado a desafiar e incomodar com o "não precisa de fazê-lo") com um livro em branco, estando ao dispor, nas livrarias e superfícies de toda a venda e mais alguma coisa, uns livros que se chamam diários gráficos (para texto e desenho), também com 160 páginas e encadernados "hardcover" capa dura, a preços que não chegam aos 6 euros com papel de gramagem de 110 gramas; assim sendo, de "gramagem", sempre é preferível comprar e "gramar" um livro sem texto do que pagar por um impresso e gramá-lo com patacoadas que são entediantes, mal escritas e pior escolhidas.
De qualquer forma, como ideia, não sendo inédita, é de louvar.
E lá vão os cumprimentos para todos desde esta Nave com sol e com temperatura entre os 10 e 11 graus a esta hora.
Bom, como é dia do pai, lembrei-me desta carta a meu pai, do cantor angolano Matias Damásio, que é uma canção belíssima e tão simples quanto tocante.
ResponderEliminarAqui fica então o meu presente a todos os Extraordinários, de quem me sinto um pouco pai e que também o são para mim!
https://www.youtube.com/watch?v=HQEPs8GdxlE
É uma boa ideia.
ResponderEliminar(e também escrevi sobre o meu pai, no meu blogue...)