Lágrimas de crocodilo?

Li com atenção em vários jornais, diários e semanários, artigos e crónicas lamentando o fecho da Tema. A Tema era uma loja muito antiga na Praça dos Restauradores, em Lisboa, que vendia a melhor selecção de jornais e revistas estrangeiros em Portugal inteiro. Lá, era possível encontrar coisas mais ou menos fáceis de encontrar noutros sítios como o Le Figaro, o The New York Times, o Nouvel Observateur ou o The Guardian, publicações para grupos mais restritos como o Magazine Littéraire, a New Yorker ou a London Review of Books, mas também imprensa muito específica dedicada à moda, ao design, à arquitectura, ao cinema, à fotografia, à ciência..., em suma, a qualquer coisa de que nos lembremos (li no Público que até sobre látex havia lá uma revista, calculem). A Tema fechou portas e, pronto, toda a gente chorou, chamando-lhe até um "escândalo cultural". E percebo que tenham chorado pessoas como Miguel Esteves Cardoso, criadas desde pequeninas com a cultura inglesa, ou embaixadores que se habituaram a ler a imprensa estrangeira, ou artistas que aprenderam com o que se faz lá fora, ou intectuais que acompanham a "cena internacional". Mas, entre os que choraram, haveria assim tantos a ler, ainda hoje, jornais em papel? Não creio. Vejo cada mais mais gente a consultar as notícias online gratuitamente e cada vez mais apelos dos jornais a que os leitores contribuam com alguma coisa. Por isso, qual é a admiração com o fecho da Tema? Não aguentou ela muito tempo? Se ninguém já lê jornais em papel, como ter uma loja de porta aberta para os vender?

Comentários

  1. Bom dia com alegria

    Eis uma possível explicação: https://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro

    Boa semana, boas leitura
    CPedro

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    1. Fui ler o dilema do prisioneiro. Interessante problema. Como o aplica a esta situação concreta ?

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    2. Ao ler à borla, online, estamos a "incriminar" jornais e seus revendedores.

      Os jornais, por sua vez, aumentam o preço, desinvestem na grande reportagem, apostam na caixa alta, "incriminando" os leitores

      Um ciclo vicioso que, no limite, pode levar à letargia do jornalismo e, consequentemente, da Democracia.

      CPedro

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  2. António Luiz Pacheco18 de março de 2019 às 03:42

    As lágrimas de crocodilo… são choradas por todos nós, sendo afinal a hipocrisia do ser humano - de nós todos! - patente em tantas das nossas atitudes ou actos e palavras.
    Confesso que não me recordo da Tema, mas por exemplo em muitas vilas e cidades do interior ainda persistem e subsistem pequenas lojas ou espaços que se dedicam à venda de imprensa em papel, a par do tradicional tabaco, jogo e mais umas coisitas para compor.

    Época houve, em que ia de propósito de Oeiras a Lisboa, à Bertrand no Chiado, para ver revistas de caça e pesca, estrangeiras, que não podia comprar. Enfim, às vezes a tentação era tanta que lá trazia o Il Mondo Sommerso com a reportagem do campeonato da Europa ou do Mundo com que sonhava ou a Connaissance de la Chasse com aquele artigo sobre búfalos e calibres para eles. O significado disso, só muito mais tarde veio a ter corpo, verdade seja dita e Graças… a Deus? Sei lá, vamos fingir que sim.

    Crocodilos somos todos… mas que fazer? Temos pena de tanta coisa mas também pouco mais fazemos do que indignar-nos, agora preguiçosamente através do teclado do PC ou do aifone ou do telefone-esperto.
    Por cá. morreram umas vinte pessoas no temporal que desabou por meia-hora na noite de Sábado, e, me deixou sem água ontem todo o dia e sem luz até há umas horas… é assim, pior para uns do que para outros.

    Saudações crocodilianas cá da Cidade Morena e devastada.



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    1. (Tema) ficava mesmo ao lado dum pequeno espaço onde se bebia um PIRATA (ao fim da tarde depois de sair do emprego sabia tão bem....)

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    2. António Luiz Pacheco18 de março de 2019 às 07:15

      Ora, ao lado do Pirata, então …

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    3. Correcto e afirmativo. (A propósito destes e outros lugares comuns e tantas outras bacoradas que se lêem e ouvem diariamente nas nossas rádios e principalmente nas tv's -subir pra cima, descer pra baixo, multidão de gente etc.- folheei ontem (numa livraria, claro) um livro que me pareceu muito interessante -POR AMOR À LÍNGUA-.

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    4. António Luiz Pacheco18 de março de 2019 às 09:25

      Esqueceste-te do "entrou para dentro da viatura"! Ahahahah!
      E agora adoram dizer "caçadeira shotgun" (é o termo inglês para caçadeira) , o que dá um ar de quem entende de armas, sem perceberem o pleonasmo, ainda hão.de dizer como dizer escova de escovar,, porque fato de vestir já temos de dizer!

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    5. Ó ASeve, há de facto muitas redundâncias. Porém...
      Essa que o Manuel Monteiro aponta - multidão de gente - suponho que não seja, uma vez que o termo multidão abrange um leque alargado (pessoas, outros seres, coisas, etc.).
      Na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira - vol. 18, página 19 - são citados autores que empregam o termo com significado de maioria (do latim multitudire).Dá exemplos de "uma multidão de livros", uma "multidão de escudos", "grande multidão de navios", e há designadamente um que é citado com a frase "... sendo uma tão grande multidão de gente, que somente os que eram para tomar armas passavam de seiscentos mil homens" (cit. Pantaleão de Aveiro no "itinerário").
      De resto, esse livro "Por Amor à Língua" parece-me interessante, aguardando eu a sua consulta para saber se por ali vai o tal novo acordo "hortográfico".

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    6. Realmente multidão não se aplica só a gente, e o autor salienta esse facto, eu é que talvez tenha referenciado essa palavra fora do contexto.

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  3. Não é só não ler-se em papel, é ler e escrever em poucos segundos e... já está.

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  4. É realmente um lugar comum, mas não encontro melhor justificação:
    -não se pode parar o vento com as mãos!

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    1. E, acreditem, infelizmente, somos muito poucos a pretender parar este vento com as mãos.

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  5. Bem, as news in paper o são interrogações. Entre elas as "lágrimas de crocodilo" nesta fabulosa alegoria tal lágrima jurássica, nem se lhe conclui, afirmação. A grande notícia se lhe tornou fraccionada; simplicidade dos quê vem e vão.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. A hipocrisia da lágrima fácil.

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  7. Não sabia mas tenho pena. Eu compro semanalmente um jornal, e passo semanalmente pela under the cover e dou uma espiadela invejosa. Infelizmente os meus rendimentos não me permitem mais do que comprar o jornal que já compro semanalmente. Mas há tantas revistas belissimas e jornais =/

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    1. O que é:
      -Under the cover ?????

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    2. Uma livraria de revistas linda linda perto da Gulbenkian =)

      Link: https://www.underthecover.pt/

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    3. Não conhecia.
      Obrigado.

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