Bibliotecárias épicas

Falamos muitas vezes aqui no blogue (os Extraordinários nos seus comentários, bem entendido) das saudosas bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, montadas em carrinhas que atravessavam o País de lés a lés, parando em locais onde não havia livrarias e distribuindo livros por crianças e adultos. Descobri, porém, umas antecessoras curiosíssimas na América da Grande Depressão: bibliotecárias que, em plenos anos 1930, andavam quantas vezes mais de uma semana fora, a cavalo, para distribuírem livros pelos seus conterrâneos em zonas isoladas dos EUA. Geralmente, os destinatários eram pessoas que não tinham acesso à cultura de outro modo e que assim mesmo tinham de dar uma educação aos filhos. Então, o presidente Franklin Roosevelt criou a Pack Horse Library Initiative para que os Americanos se pudessem informar e estudar e, desse modo, arranjassem mais facilmente emprego numa época em que as coisas andavam mesmo mal. As bibliotecárias atravessavam estradas e caminhos lamacentos só para entregarem os livros. Estes eram frequentemente doados por bibliotecas fixas nas capitais do Estado onde as senhoras os levantavam regularmente. Deixo-vos com algumas das fotografias do artigo do History Daily onde dei com esta bonita notícia.


 


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Cavalos 3.jpg


 


 

Comentários

  1. America is great, no matter what they say.
    A última fotografia é linda.
    Obrigada, Rosário, por esta bela notícia logo pela manhã.

    Maria

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  2. Grande exemplo da difusão literária e cultural.

    Que América tão longínqua...

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  3. Não fazia ideia, adorei ficar a saber este facto!! As mulheres são extraordinárias mas estas são mesmo muito especiais!!!

    https://titicadeia.blogspot.com/

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  4. Meritórias e belas essas ações. Heróicas também.

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  5. Bom dia. Simples assim, mãos a massa.

    Cláudia da Silva Tomazi

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  6. Lembro-me da carrinha-biblioteca da F.C-Gulbenkian, em Ortiga, concelho de Mação; nós, crianças, esperávamos ansiosamente pelos livros nos anos 1960 -1970...
    Trinta anos separam estas realidades, em continentes diferentes, mas as dificuldades eram semelhantes…

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  7. António Luiz Pacheco27 de março de 2019 às 06:11

    A história da humanidade é composta de feitos, heroicos, a todos os níveis, não apenas na guerra ou nas vicissitudes, face aos grandes desafios ou cataclismos.
    O exemplo destas mulheres, no seu dia-a-dia duríssimo para levar livros, como de outras que levariam maçãs para o mercado com idêntico esforço, diz bem do que tem sido a nossa evolução, feita com entrega, esforço, sacrifício, sangue, suor e lágrimas.
    Só mantendo esse espírito pode a humanidade continuar a evoluir, pois a evolução não terminou, há que entender isso!
    Há que ter presente que em a evolução chegando ao seu fim, o passo seguinte é a extinção!
    Se há na Europa evoluída e desenvolvida, derrotistas ou evoluídos que assim acreditam, ainda há quem viva no resto do Mundo uma realidade muito diferente, onde ainda há muito espaço para evoluir, e, onde ainda é preciso essa entrega, esforço, sacrifício, sangue, suor e lágrimas no simples dia-a-dia de cada um.
    Ainda hoje de manhã muito cedo, vi grupos de miúdos pequenos, com as suas batas vestidas, sacolas a tiracolo e as cadeiras na cabeça, a calcorrear o caminho da escola por vários quilómetros de lama, vindos das suas casitas ermas pelo meio do mato. São os heróis de que falo, os do dia-a-dia. Imagino os nossos, que até fizeram greve pelo ambiente, se tivessem a dureza da vida destes aqui…

    Saudações heroicas, cá da Cidade Morena!



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  8. Por alguma razão os EUA são o país que mais investe na cultura e protege os cientistas e que no final de cada ano consegue obter mais prémios Nobel. Também são os que têm mais recursos é verdade, mas aplicam-nos e têm o retorno correspondente.

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  9. Este projecto durou oito anos, mas precedeu um quarto de século o da Fundação Calouste Gulbenkian. O que ele tem de Extraordinário é o facto de ter surgido na altura da Grande Depressão e ter-se recorrido ao mesmo sistema do Pony Express (espécie de CTT americano), mas com amazonas.
    A finalidade, em ambos, foi semelhante: levar literatura, conhecimento e saber às zonas mais recônditas, quer elas estejam no Kentucky, Montanhas Apalaches, quer seja no interior beirão de Portugal (no meu caso, enquanto rapazinho). Posso dizer que esse Serviço (com maiúsculas, propositadamente) prestou-me um grande serviço, pois proporcionou no meu caso uma aptidão especial, desenvolveu a minha criatividade, projectou até o meu futuro.
    O que mais me sensibilizou no artigo original foi verificar uma fotografia onde uma das jovens bibliotecários da Packhorse, se encontra a ler para um rural das montanhas do Kentucky, naturalmente porque ele não saberia ler.
    Não quero deixar de referir, no caso português, um nome: Branquinho da Fonseca. O serviço da Gulbenkian durou quase 50 anos.
    Como nota final: na qualidade de presidente de uma empresa municipal, na altura, fui depositário de todo o recheio bibliotecário fixo e itinerante da Fundação no concelho onde resido, uma vez que esta doou a gestão desse espólio à autarquia, juntamente com a carrinha, quando o programa foi extinto. Que eu me lembre, os livros foram recuperados e, por sua vez, entregues a bibliotecas fixas geridas pela empresa e também às das juntas de freguesia do termo que o solicitaram e possuem bibliotecas. A ordem era: nem um se perde. "Passei-me dos carretos" quando um dia vi uma carrinha de caixa aberta para "reciclar a tralha". Foi de volta, vazia, com um "raspanete" ao autor.
    Não sei onde a Rosário vai descobrir tanta coisa Extraordinária! Nem sei como é que o relógio dela funciona em relação ao pouco tempo que terá disponível! Sei, sim, que ela faz Horas Extraordinárias no sentido real e figurado.

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  10. O que eu gostei de saber que estas senhoras existiram! Era facto que desconhecia. Obrigada, Rosário, ainda bem que divulgou.

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  11. Que coisa tão interessante e tão inovadora (em qualquer tempo).

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