Livros e política

Conheci a editora francesa Grasset et Fasquelle ainda com Ariane Fasquelle ao leme, substituindo o pai, Jean-Claude Fasquelle, seu fundador. Após a morte de Ariane, ou ainda antes (já não me recordo), a editora foi comprada pelo grupo Hachette, um autêntico gigante editorial. O editor da Grasset Olivier Nora, respeitadíssimo no meio dos livros e amado pelos autores, continuou a sua linha editorial que, pelos vistos, o dono ou presidente da Hachette, que é de extrema-direita, achou demasiado esquerdista. Resultado: foi despedido ao fim de vinte e seis anos a fazer a editora ao lado dos Fasquelle e depois disso. A escandaleira rebentou em França, claro; e agora mais de uma centena de autores (a Grasset é uma grande editora) juntou-se para rescindir os contratos, pois não se identifica com a política da Hachette nem quer ser conotada com a Extrema-Direita. Pois é, a política está a chegar aos livros e parece que é justamente em França, um país que nos habituámos a ver como livre e aberto, que a censura está a aparecer paulatinamente. Um susto. Do grupo Hachette fazem parte muitas outras chancelas (Lattès, Fayard, Larousse...) nas quais é provável que aconteça o mesmo. Se os autores se conseguirem libertar do jugo da Hachette, esta vai perder mesmo muito dinheiro.

Comentários

  1. A direita tem por tradição com o dinheiro fazer política. Agora também quer fazer dinheiro com a politica. Parece ambição demasiada.

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  2. Do estrito ponto de vista editorial, vender "carne e peixe" não será melhor do que vender só uma das coisas? Por maior que seja a editora, arrica-se a levar uma enorme machadada...

    Boas Leituras

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  3. António Luiz Pacheco27 de abril de 2026 às 15:18

    A política está a chegar aos livros???
    Mas, onde é que tem estado estes anos todos em que trabalha no Mundo editorial?
    A política, sempre esteve nos livros, ligada aos livros e os livros são uma das muita formas de fazer ou divulgar política...
    As casas editoras e os editores sempre estiveram ao serviço da política e envolvidos com ela, apesar de haver os que se proclamam independentes, mas sê-lo-ão deveras?
    O que quer dizer, se me permite, é que a direita está a sobressair, quando por sistema se presume que só a esquerda é que campeia nestas áreas. Será uma mudança de paradigma, isso sim, e não uma novidade.
    Saudações independentes cá da Cidade Morena.

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  4. E o vil metal, não entra nesta história?

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  5. Telma Pires Rodrigues28 de abril de 2026 às 02:50

    Segundo sei, a Fayard começou a seguir uma linha editorial muito próxima dos gostos do dono da Hachette. Em França, pelo menos, há cerca de 230 autores que pensam pela própria cabeça e não querem ficar conotados com uma ideologia que não defendem. Bravo!

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