Palavrinhas

Uma das mais fantásticas recompensas da leitura é, além da beleza que nos pode ser mostrada numa simples passagem, o que pode ensinar-nos um livro. Um dia destes, estava a ler o original de uma autora minha cujo cenário é a bela Itália, quando descobri que o verbo «carregar» (que associo imediatamente a «carga») tem a mesma raiz etimológica de «caricatura», palavra muito mais próxima de «caricare», que é a tradução italiana de «carregar». O «carregador» é, em italiano «caricatore» e foi por aí que a minha autora descobriu a etimologia. Este verbo português «carregar» tem, de facto, um número incrível de sinónimos, como «transportar», «levar», «encher», «exagerar», «fazer pesar», «insistir», «pôr munições numa arma» ou até «sublinhar», que é o que hoje me interessa, porque na «caricatura» o que fazemos é realmente sublinhar os traços mais característicos de alguém, e é por isso que as duas palavras (carregar e caricatura) estão ligadas. É também do verbo «carregar» que vem o verbo «encarregar», e por isso uma pessoa é «encarregada» de fazer alguma coisa (por favor, não escrevam encarregue, que é um erro feio e não existe!) tal como alguém é «carregado» em ombros. Palavrinhas.

Comentários

  1. Também gosto de saber a origem das palavras e de aprender coisas nos livros, embora isso não seja a finalidade da leitura.
    Pus de lado O Rastro do Jaguar que estava a ler até com muito gosto e agora voltei a ele e ao local onde o deixara de pousio. Por ele estou a saber o que foi a Guerra do Paraguai. Talvez porque as guerras onde não interveem diretamente as potências do chamado mundo ocidental não constam dos manuais, eu nada sabia dela. E é pelo livro que estou a saber.

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  2. António Luiz Pacheco22 de abril de 2026 às 12:54

    O tesouro do presidente do paraguai
    "O tesouro do presidente do paraguai" é um romance de aventura escrito por Emilio Salgari e publicado em 1894. A história se passa em 1869 e narra as aventuras de dois marinheiros paraguaios, Diego e Cardozo, que são encarregados de entregar um tesouro de diamantes ao presidente Francisco Solano López. Durante a jornada, eles enfrentam diversos perigos, incluindo ataques dos pampas e índios patagônicos, enquanto tentam chegar ao Chile, país neutro. O romance é parte do ciclo menor de Salgari, "Os dois marinheiros", e apresenta muitas descrições da flora, fauna e pessoas dos lugares onde a história acontece, além de narrações do contexto histórico da Guerra da Tríplice Aliança.

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  3. Gostei do post, porque se aprende neste particular das curiosidades linguísticas.
    Li algures que o nome "malária" provém precisamente do italiano "malaria", que significa "mau ar"; até ao virar do século passado, muitos pensavam que a malária era causada pelas emanações dos pântanos.
    O nome Venezuela significa "pequena Veneza". Justifica-se pela impressão que causaram as casas (palafitas) na água no lago Maracaíbo, que impressionaram Américo Vespúcio e Alonso de Ojeda, pois lhes fez lembrar Veneza.
    Finalmente, como também sou caricaturista (caricatore), posso considerar-me "carregador", muito embora não me lembro de alguma vez me terem doído os músculos aquando dessas tarefas.

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  4. Saiu como Anónimo, mas trata-se de uma caricatura de quem não pretende dar o nome e apelido a conhecer num comentário. Eu quero: sou Fernando Costa.

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  5. Até que enfim que alguém fala no malfadado “encarregue”.É das palavras que me fazem comichão entre muitas outras,nomeadamente “dever de”(eu devo de comer…)

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  6. "Talvez porque as guerras onde não interveem diretamente as potências do chamado mundo ocidental não constam dos manuais, eu nada sabia dela"
    Curiosamente, já que estamos a falar dum livro brasileiro e a nossa anfitriã falou de Itália, estive a ler, há pouco tempo, sobre a campanha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) em Itália durante a II Guerra Mundial em 1944. Não foi uma presença simbólica, cerca de 25 000 soldados brasileiros (os pracinhas) combateram ao lado dos aliados em solo italiano.

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  7. Pois é, eu também aprecio imenso essas descobertas etimológicas que se fazem por simples curiosidade, umas tantas vezes.
    Destarte, recentemente descobri na língua de Dante o verbo «caricare» e daí cheguei a um posto profissional, uma função que se exerce, como «carico», termo que se refere também à carga dum caminhão.
    E isto que andávamos tão próximos da bela atividade dum Bordallo Pinheiro, mas não o sabíamos, eh!
    Saudações cordiais!

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