A culpa morre solteira

No final de 1980, em vésperas de eleições presidenciais, uma avioneta cai em Camarate logo após levantar voo. Nela seguiam, entre outros, o chefe do governo de Portugal e o seu ministro da Defesa, que morrem carbonizados. Com dez comissões parlamentares de inquérito, ainda hoje, volvidas mais de quatro décadas, não se sabe se foi acidente ou atentado, e ninguém foi a julgamento. Na mesma altura, um grupo de revolucionários radicais cria uma organização terrorista conhecida por FP-25, cuja missão é matar os «inimigos do povo». Setenta e três réus são julgados, mas apenas uns trinta condenados e – entre amnistias e prescrições – poucos cumprem prisão efectiva. Entretanto, numa aldeia às portas de Lisboa onde não se deixa que nasça nem mais uma criança, uma rapariga morrerá misteriosamente pouco depois de dar à luz. A recém-nascida acabará ao colo do mecânico da avioneta acidentada; e o seu pai biológico – amigo do polícia que investiga os casos descritos – procurará durante muitos anos essa filha que passará boa parte da infância em cima de um baloiço. Estas são as pontas que nunca se atam verdadeiramente em A Arte Pendular do Baloiço, de António Tavares: um romance absolutamente fascinante, no qual se afirma, não sem alguma razão, que em Portugal nunca há culpados. Sai hoje.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco21 de abril de 2026 às 01:10

    Prémio aparte, que eu dispenso, fica água na boca e a vontade de o ler!
    Extraordinária proposta e votos de sucesso a António Tavares.

    Saudações cá da Cidade Morena, ainda combalida e enlameada dos tristes acontecimentos recentes.

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  2. Teresa Palmira Hoffbauer21 de abril de 2026 às 08:45

    Tenciono comprar A Arte Pendular do Baloiço, de António Tavares, durante a minha estadia na cidade invicta a partir do dia dez de maio.
    Saudações de Düsseldorf sempre verde e bonita.

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  3. Estou entretido com o "realismo ofensivo" de John Mearsheimer (em The Tragedy of Great Power Politics), a tentar "pescar" alguma coisa do que se passa no mundo.

    Calhando não fazia mal em adoptar antes a ficção sugerida...

    Boas Leituras (no blog ou na app)

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  4. Ui, quero ler!
    Lembro-me muito bem de estar a estudar para um teste de ciências da natureza e surgir na televisão a notícia do acidente que vitimou Sá Carneiro, Snu, Amaro da Costa.
    Parecia mentira. Parecia algo impossível de acontecer neste pacato país.
    Ainda parece.

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  5. O texto está confuso, sintaticamente falando. E não só. Em termos de bom gosto, está ao nível da capa do livro. Ética e estética não conjugam com propaganda.

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