Celebrar Lobo Antunes

Perdemos António Lobo Antunes, o homem, mas não perdemos a sua obra, e dela fazem parte os magníficos livros de crónicas que foi escrevendo ao longo dos anos, sobretudo na revista Visão, muitas delas brilhantes e inesquecíveis. É sobretudo por elas que sabemos de muitos dados da sua vida pessoal, entre os quais que havia uma casa dos avós maternos em Nelas onde os irmãos passavam férias em pequenos. Pois bem, na sua décima edição, ELOS, o Festival de Nelas, organizado pela Câmara Municipal para as datas de 17 a 24 de Abril, vai celebrar o escritor através de um percurso literário com catorze pontos de paragem ao qual chamou «Pelas Memórias de Lobo Antunes», pontos esses constantes dos seus livros de crónicas, como, por exemplo, a loja do senhor Casimiro onde se compravam rebuçados. O percurso, aliás, existe desde 2023 mas a ideia é perpetuá-lo e dar-lhe uma vida permanente, para lembrar o escritor infelizmente desaparecido há cerca de um mês. A programação é diversificada e divide-se por actividades para adultos e outras dedicadas ao público escolar. O tema será «Escritores e Autores do Coração do Dão».

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de abril de 2026 às 02:08

    A região do Dão, ou dita Borgonha Portuguesa por causa dos seus vinhos, é uma parte do país, Beira Alta, rica em património sendo este muito diversificado seja nos aspectos geográficos e ambientais, seja na cultura, folclore, história, gastronomia e tradições.
    Vale a pena visitar os seu roteiros e visitar uma parte ainda autêntica do nosso pequeno porém tão belo quanto diversificado país. Acresce dizer-se que é "terra de boa gente".
    O antigo director da Região Turística do Centro, o serôdia e precocemente falecido Dr. José Manuel Alves (da Arega), meu excelente amigo, foi um apaixonado pela sua região, tradições, cultura e tudo o que muito bem aproveitava para a promover. Colaborei com ele e outras entidades, ICNF, Direcção Regional de Agricultura, Universidade de Aveiro, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, Clube Português de Monteiros, clubes de caçadores e zonas de caça associativas, paróquias, bombeiros, grupos desportivos e culturais, ranchos folclóricos, confrarias, estabelecimentos hoteleiros, ao longo de 10 anos, nos meses de Dezembro a Fevereiro, num vasto programa cinegético, cultural e turístico chamado Montarias do Centro, de que foi ainda editado um livro pela DRT do Centro.
    Promoveu-se a região e o seu turismo de uma forma efectiva e que deixou boa memória.
    Infelizmente os homens estão apenas de passagem, o legado fica mas nem sempre fica quem lhe dê continuidade.
    A região merece que a visitem e percorram, seja nos passos e na memória de Lobo Antunes, seja no seu todo.
    É uma iniciativa interessante e daquelas que nós precisamos, devemos participar e aproveitar.

    Ainda há dias desfrutei de um excelente Cabriz.
    Saúde, são os meus votos cá da Cidade Morena!

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  2. Compilei todas as suas crónicas da Visão, aquela forma de escrita em que mais se auto biografou. Mas do que gosto mesmo, é de ler-lhe os livros. Oxalá os roteiros de Nelas levem as pessoas à leitura. Receio por vezes que tanto efeito seja mais folclore que outra coisa. Mas se fizer ler....siga.

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