Os escritores são de confiança?

A pergunta do título tem que se lhe diga, bem sei. Há tanta gente que, quando conhece um escritor em carne e osso, fica a pensar se não teria sido melhor ficar-se por lê-lo... Mas hoje não estou a falar do homem ou da mulher por detrás da obra, e sim da imagem do escritor no público (leitor e não leitor). Chega-me a notícia de um senhor caiu numa burla dessas que todos os dias chegam ao telefone ou ao correio electrónico de alguém para ver se o apanham distraído. E porque é que o tal senhor caiu se estamos sempre a ser avisados? Bem, porque lhe propunham um investimento que parecia bom e ele foi lá pondo dinheiro, até parar na quantia apetitosa de 18.000 euros, calculem. Fiou-se em que o negócio era decente e legal apenas porque, entre outros investidores, aparecia quem? António Lobo Antunes! E, se o senhor escritor tinha investido, não havia razões para desconfiar. Oh, meu Deus, mas desde quando os escritores percebem mais de finanças do que outra pessoa qualquer? Logo os escritores, que geralmente precisam de alguém que lhes preencha o formulário do IRS e se esquecem de pagar o IMI, o IVA e coisas do género? Será que ainda se olha para o escritor como aquele membro da aristocracia intelectual que sabe muito bem o que faz e é mais inteligente do que a maioria? Desenganem-se. Não invistam em nada só por dizerem que um escritor (ainda por cima, morto) pôs lá o seu dinheiro. Em vez disso, leiam-no, isso, sim.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de abril de 2026 às 03:29

    Já me ri com este post!!!!
    Os escritores? De fiar? Nin'nada!!! Olh'ó...
    Pois me desculpem os autores que leiam isto, e entendam o que quero dizer.
    Evidentemente que há escritores que são pessoas que podemos ter em conta no que toca aos assuntos da vida, do dia-a-dia.
    Há escritores que são profissionais noutras áreas, que conhecem a vida dos comuns mortais e a vivem como tal. Mesmo os pensadores de bom conselho e clarividência.
    Como há escritores que vivem na Lua! Se é que me entendem... os tais intelectuais, pensativos, ensimesmados, distraídos, alheados, etc. Isto sem desprimor, são o que são, muitas vezes geniais e por isso não fazem parte dos comuns mortais.
    Conheço de todos, há até aqueles que gosto de ler porém como pessoas são uns valentes estupores, convencidos, elitistas, soberbos, vaidosos, etc. Também os conheço como grandes pessoas, em termo de humanidade, simpatia, simplicidade, etc. (estou a abusar dos etc!). Como há mesmo os que não são nada disto, são como pessoas normais, apenas se simpatiza com eles ou nem por isso e o defeito pode mesmo ser nosso.
    No entanto, apraz-me verificar que modo geral os escritores são pessoas sensatas, boas observadoras do Mundo e dos outros, comunicam bem e com clareza, portanto gostamos de os ler, podendo segui-los, óbviamente nem tanto nos assuntos financeiros, mas as suas opiniões em termos de sociedade, cultura, gastronomia e outros temas afins, são no meu entender sempre de ter em conta, mesmo que discordemos, pois quase sempre são feitas com maturidade, propriedade e esclarecimento.
    Não terei razão?
    Isto por oposição a muitos outros artistas no geral, que leio por aí e sinceramente dizem sobretudo baboseiras, repetem chavões na moda, tentam exibir a sua superioridade intelectual e quase sempre são sobretudo prova de vida na tentativa de chamar a atenção... repito, aos escritores dou a atenção que não me merecem os demais, porque tendo a confiar nos escritores, dado que lhes conheço o pensamento e nem por isso são cataventos que mudam de opinião como mudam de namorado.
    Porém, se sou capaz de ir um restaurante comer um prato promovido num livro de autor confiável (olhem agora aquele da perdiz, eheheh!) é muito diferente de investir num produto financeiro anunciado pelo escritor X, tanto quanto o futebolista Y. Valem o mesmo!
    Enfim, já devo ter para aqui dito muito disparate, mas não têm de me seguir e muito menos de pensar como eu!

    Votos de boa continuação, cá de uma Cidade Morena ainda a secar-se da intempérie Pascal que matou gente e destruiu infraestructuras, a seca deu naquilo que o humor angolano já determinou ser o plano do MPLA, "água para todos", eheheh!


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  2. Gostava de saber a que se refere o amigo Pacheco com o da perdiz.Pura curiosidade!

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  3. António Luiz Pacheco9 de abril de 2026 às 08:08

    Não queria estar a fazer publicidade gratuita ao autor, que é um daqueles escritores que são gajos fixes, se bem que preguiçoso, em minha opinião... mas falo do novo do Paulo Moreiras, "Do palito à perdiz". Pronto, divulgo em atenção a si.
    Abraço!

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  4. Recomendo a leitura da "Liberdade", de Fernando Pessoa, que finaliza:
    O mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças
    Nem consta que tivesse biblioteca...

    Enfim, nem sabendo de finanças, como eu, porque fiscalidade e finanças foi a minha vida, a par da escrita; até porque, dentro desse meu múnus, escrevi um livro sobre a história dos impostos desde a antiguidade.
    Mas isto não quer dizer nada...

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  5. Curiosidade satisfeita.Obrigada!

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  6. Esse já não foi, o primeiro, nem será o último...
    Aqueles anúncios, nas redes sociais, patrocinados pelo "super influencer", desculpem-me, o "criador de conteúdos premium, que devia ganhar 6000 milhões de euros, dos serviços de streaming, pois é melhor que tudo o que lá há", que aparecem com fotos de actrizes/cantoras, a anunciar "Com 250 euros, ganhei 10000000 euros, em 2 semanas. Faça como eu, invista com 50000% segurança e multiplique, o seu dinheiro, por 50000 vezes, em pouco tempo." Já vi esse anúncio, milhões de biliões de triliões, de vezes, em tudo o que é rede social. E é o mesmo anúncio, só mudam as fotos (os mais recentes são com vídeos), com a mesma lengalenga e promessas.
    Só não percebo, porque é que ninguém, dos que perdem dinheiro nisso, não verificam a origem, das tais empresas... a maioria não existe, para além de 10000 milhões, de perfis, em redes sociais, em qualquer sítio. Números de contribuinte (como o 555555555, que aparece, nos anúncios em, todos, os influencers portugueses), moradas (todos deviam saber colocar endereço num serviço de mapas e ver, que não é nada do que é anunciado) ou os ditos anúncios. Se fossem reais, já os tinham visto nos canais televisivos ou jornais ou revistas ou, alguém conhecido, já tinha falado disso.
    É como aqueles membros, do Chega, em Braga, que sacaram 8 milhões de euros, com as burlas do "olá pai/mãe" e com as trocas de NIB, na segurança social, aproveitando, o Linkedin, para passarem publicidade, a uma app, que roubava, acesso, a quem tivesse app das finanças e da segurança social. Quando recebo as "famosas" sms do "Tem dívida de 33,84 euros, por Saúde 25, pague em 5 dias e não pague 100000 euros, de multa." dá-me para rir... NINGUÉM NOTIFICA NINGUÉM POR SMS!!!!
    Se devem algo, ao estado, recebem carta, pelo correio. Se devem, a privados, irá com a factura, do mês seguinte... O pior é o governo andar armado em parvo, com mudanças, nos sites, oficiais, a cada mês, com obrigações de mudar passwords, de ter passwords de 7000000 letras, símbolos e números, que não podem durar 180 dias, ou agora a PARVOÍCE TOTAL, de obrigar a dar o número de telemóvel, para conseguir aceder à segurança social (obrigatório!!!) e ás finanças (deve ficar obrigatório, a partir de Setembro), que leva, as pessoas, a acreditar, em mensagens recebidas, que dizem ser desses serviços. A maior segurança é o sistema do "falha 3 vezes, tem de pedir recuperação, via postal ou por telemóvel/email". Apps, são 65000000000000000000 vezes, mais inseguras que qualquer acesso, via browser... ainda pior que, ao serem obrigados a criar senhas longas, ninguém as decora, vá de gravar, no telemóvel, onde qualquer hacker pode aceder e passar a controlar vidas.

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  7. Os bons escritores são de confiança quanto aos livros que escrevem e enquanto autores. No mais, é melhor não confiar, são como toda a gente: uns administram fiel e eficazmente as suas finanças; outros são "uns nabos" e, como cita a Rosário, têm alguém para lhes preencher o IRS e afins. Note-se que o mesmo acontece na humanidade em geral.
    Apesar de tudo, tenho para mim que a malta do norte, leia-se escritores nortenhos, é mais astuta e atenta quanto a finanças. Mas admito estar errada.

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