O fantasma do luto

 Já aqui falei de vários livros que tratam o luto, alguns dos quais escritos pelos seus autores como uma espécie de terapia. Inesquecíveis, por exemplo, Noites Azuis ou O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, que se tornaram clássicos e creio que continuarão a ser lidos por todo o sempre. Belíssimo também O Meu Pai Voava, de Tânia Ganho, e a ficção Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de John Safran Foer, ou o pungente E então Fomos Embora, de Michael Kimball, que me lembra um dos meus filmes preferidos, Na América, de Jim Sheridan. Há poucas semanas saiu Fantasmas, o livro de Siri Hustvedt, viúva de Paul Auster, que também recorreu à literatura para fazer o luto do marido e que veio lançar o livro em Portugal durante a Feira do Livro de Lisboa, cidade aonde veio com Paul Auster várias vezes, até porque foi justamente aqui que o escritor fez o seu filme Martin Frost. Siri diz que levou apenas oito meses a escrever Fantasmas, uma colectânea de memórias da sua vida com Paul, na qual fala de tudo, mesmo dos objectos que ganharam dimensão com a partida do marido ou os últimos tempos da doença de Paul, em que ele desistiu dos tratamentos e escolheu não viver mais. Se gostam de Siri e Paul, vale muito a pena.

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