O que ando a ler

 É curioso, mas eu, que leio pouca literatura africana, passei a semana passada a ler dois livros moçambicanos. Um deles era trabalho (e extenso) e deixo a divulgação para quando estiver mais perto da publicação, porque é uma pedrada no charco e vale mesmo a pena que lhe prestem a atenção na altura certa. O outro (ainda não o terminei) é de um jovem chamado Eduardo Quive e foi recentemente apresentado em Lisboa pela romancista e também comentadora Ana Bárbara Pedrosa, com quem troca cartas-crónicas, entre Lisboa e Maputo, no jornal digital A Mensagem de Lisboa. O romance começa com uma tentativa de suicídio, mas não se assustem, porque o choque é sobretudo perceber como quem salta da janela fica vivo e como quem assiste e sabe o que aconteceu fica culpado por não ter evitado o pulo: o narrador, Eurípedes, que está a contar-nos a história ao mesmo tempo que a narra à sua terapeuta; e a irmã mais velha, Anchia, a artista muito aplaudida, que padece de uma condição rara, é albina, o que levou o pai a abandonar a mãe assim que ela nasceu. A prosa de Quive neste A Cor da Tua Sombra é mesmo bonita e há alguns segredos latentes que estou a ver se descubro ao passar das páginas e se relacionam com Anchia e Sheila, a rapariga que queria morrer; mas fico contente que Moçambique se me mostre literariamente duas vezes na mesma semana, porque tenho de me pôr em dia com a literatura desta terra. Parabéns a este autor ainda jovem que promete! 

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