O uso abusivo do K
Agora, que já lá vai a estuporada Black Friday (em alguns casos, foi uma autêntica Black Week e não se conseguia estacionar em lado nenhum que tivesse lojas nas proximidades), vou voltar às questões ortográficas. É que todos os dias dessa «semana negra» recebia um e-mail e via um cartaz a caminho do trabalho que me irritavam profundamente. Diziam «Kuanto Kusta o que queres comprar?» e depois tinha a frase «Encontra Aqui» dentro de um rectângulo para carregarmos e vermos onde poderíamos gastar dinheiro. Mas não consigo perceber o porquê do «Kuanto Kusta» em vez de «Quanto Custa». Se escrevem com cores berrantes (nomeadamente laranja), ainda têm de introduzir o erro para chamar a atenção porquê? E, já agora, porque não são coerentes e acrescentam «o ke keres komprar»? Francamente, num país em que as pessoas falam e escrevem tão mal e se fez um acordo ortográfico cheio de palavras com redacções facultativas que só serviu para confundir os menos informados, acho que a publicidade devia ser obrigada a cumprir a ortografia vigente e, como em certos países, pagar uma multa valente de cada vez que prevaricasse. É por isso que os nossos jovens já usam «k» em vez «que» a maioria das vezes...
Penso que o novo acordo ortográfico, ao não ser aceite por todos (e bem...), trouxe a "anarquia" ao português. As pessoas acham que podem, e devem, escrever como lhes apetece.
ResponderEliminarE o mais grave é que quem deveria tomar medidas, assobia para o lado...
Já se deveria ter feito a correcção devida ao novo acordo (retirar as grandes "aberrações"...), para que todos o seguíssemos.
Tendo a concordar consigo!
EliminarDigo "tendo" porque na minha ignorância de traça dos livros, seria atrevimento dizer que a concordância é absoluta, o que não é o seu caso, pelo que me limito a segui-lo!
Eu chamo ao AO o "acordo otográfico" dado que parece que se escreve como se pronuncia… o que faz sentido aparente, mas na verdade não faz, pois deve seguir-se sim, a etimologia - não sei se estou a dizer bem, mas como a nossa língua é de raiz latina, creio que o latim impera, e, é a nossa língua-mãe que deve orientar a que se fala nos PALOP ainda que nestes haja muito mais população, aliás só unida entre si pela língua portuguesa!
Ainda que à intelectualidade brasileira isto custe a aceitar, é a verdade… e um facto.
A língua sendo viva, altera-se e inclui novas palavras? Claro, por isso é viva e no português existem muitas palavras vindas do Mundo inteiro, de muitas outras línguas, que o tornam tão rico.
Só que, como bem sabemos, a tendência natural do homem é a de facilitar, procurar ter menos esforço e a língua sofre com isso… mas é mais um erro dos muitos que as gerações novas, sucessivamente, cometem, cometeram e cometerão, porque também enquanto seres humanos vivos e pensantes, a tal estamos, estivemos e estaremos sujeitos e ainda bem, porque quando deixarmos de estar será muito mau sinal!
Aqui, em Angola, fala-se um português muito diferente, ao qual tive de me adaptar para o entender, mas sobretudo para ser entendido!
Aqui não se diz "vou a", mas sim "estou a ir no/a" , aliás não se diz "à loja" e sim "a loja". Já
"a parede" diz-se "à parede". São exemplos de pequeninos detalhes…
Ora passa pela cabeça de alguém, aí no torrão natal, passar a dizer "estou a ir no trabalho"?
Saudações cá da Cidade Morena
A linguagem comercial utiliza "gliter". Interessante a décima primeira absorver status, uníssono.
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
Não sei se há regras para a publicidade mas vejo que faz o que quer muito bem entende. Não só no uso da língua mas também no abuso do espaço público. Não compreendo como não se impede a colocação de anúncios grandes nos arcos do Terreiro do Paço. O ritmo das arcarias encontra-se gravemente ofendido.
ResponderEliminarIrresponsabilidade ou corresponsabilidade da CML… porque não me parece nem que seja por ignorar, tolerar ou desleixo… aquilo certamente é pago, e alguém recebe!
EliminarA publicidade é uma arte… penso eu, talvez exagerando, mas bem-feita é criativa, logo me parece que se enquadra numa cadeia que contém arte!
ResponderEliminarE cria, sim, cria tanta expressão ou palavra que fica:
- Quem não se lembra ou nunca disse: "Estes publicitários são uns exógerados!".
- E aquele outro:
- Ai papá, tás cada vez mais na mesma!
Vips!
Não percebo, olha!
Vips!
Ah! Vips! Tem montes de absolutamente…
E por aí fora.
A publicidade é uma coisa que eu gosto imenso, confesso, e sempre gostei de ver anúncios, sobretudo aqueles bem feitos, engraçados, inteligentes e que às vezes até pedem alguma cultura, sei que parece uma coisa estúpida eu sei, mas que hei-de fazer?