Ora toma
Como aqui então anunciei, este ano uma das minhas autoras (a espanhola Elena Medel) foi a convidada de Espanha para a Noite da Literatura Europeia. Depois da entrega do Prémio LeYa, fui a correr para a escola em cujo recreio aconteciam as leituras entre as 19h e as 22h. Para quem não conheça a prática, estas leituras são feitas, a cada meia hora, pelos autores nas suas próprias línguas e por uma actriz ou um actor em português. Ora, tendo eu entrado em cima do início de uma leitura, só tive tempo de cumprimentar os responsáveis do Instituto Cervantes quando o público já se levantava para ir ouvir a escritora italiana ao virar da esquina; e, como geralmente falo com eles em castelhano, ficámos uns minutos à conversa (também com a autora) ao lado de uma senhora que parecia aguardar que nos calássemos para intervir. Foi então que ela aproveitou uma aberta e disse em castelhano com sotaque alemão (ou parecido): «Que maravilha voltar a ouvir falar este idioma! Eu vivi muitos anos em Espanha, imaginem só o horror que foi ter mudado de Madrid para Lisboa... E, claro, parabéns à escritora.» Eu engoli em seco, perante as caras atrapalhadas dos senhores do Cervantes, e respondi apenas, desta vez na minha língua: «Ah, sim, então ainda bem que gostou.» Não vi se a senhora corou de vergonha porque a sessão era à noite, mas espero que sim, porque a minha vontade foi mandá-la para um certo sítio.
Se ao invés do " horror" de Lisboa o seu olhar abarcasse a luz serena desta cidade, os tágides binóculos do Castelo de S.Jorge, o livro em pedra do Arco da Rua Augusta, a calçada portuguesa ,a linguagem dos jacarandás, a História embutida nos pilares do Cais das Colunas , e ... talvez a sua capacidade auditiva encontrasse música na língua portuguesa.
ResponderEliminarAM
Parece que há, pelo menos, uma pessoa que não gosta de Lisboa.
ResponderEliminarPor outro lado, quem diz a verdade...
E eu aqui, alfacinha de gema, a morrer de saudades e sem poder voltar - a vida não é justa [:<]
Dizia eu que a vida não é justa...
ResponderEliminar😪
Achei piada „com sotaque alemão“
ResponderEliminarCaso a senhora seja alemã, não corou e simplesmente pensou:
"A verdade é razoável para as pessoas"
Situação caricata, sim... até incómoda, sobretudo para uma lisboeta.
ResponderEliminarEnfim, eu também não gosto lá muito de Lisboa, em que nunca vivi mas onde trabalhei.
Na verdade, devo dizer que gosto de muito poucas grandes cidades e Madrid não é uma delas... tirando o Museo del Jambón e a praça de Las Ventas, pouco mais me atrai na capital espanhola, aliás tenho uma sobrinha casada que vive lá, com marido espanhol e filhos, porém nunca fui sequer à sua casa, preferindo visitá-los em Torreón de Los Rubios de onde ele é natural, e, aí sim! Há aliás belíssimos embutidos e queso. Tempos houve em que ia com frequência ao Mercamadrid, em trabalho e só por isso. Como ia aliás ao Mercasevilha e outros locais com relevância hortofrutícola ou de matadouros de frango e porco, aqui sobretudo Galiza de que gosto muito e onde passei férias, nas Rias Baixas.
No entanto é sabido que muitos espanhóis gostam de Lisboa, além de muitíssimos outros estrangeiros. Um bom amigo Madrileno vinha de propósito em passeio, a Lisboa, comer churrasco e sardinhas, beber sangria. Adorava as marisqueiras, era entusiasta das marchas sendo frequentador dos nossos antiquários, por causa da arte africana que encontrava.
Também há de haver quem não goste, é claro... esta alemã fará parte desses. Em troca eu não gostei particularmente de Berlim e nem por isso de Hamburgo, Frankfurt, Colónia ou Bona, cidades que conheço por lá. Gosto de eisbein e de choucroute, mas fico por aí.
Há muitas razões para se gostar ou não, de cidades, e, suponho que uma delas - talvez a principal - seja integrarmo-nos, fazer vida na cidade, portanto pressupõe-se passar lá tempo para tal, para a apreciar. Tenho a noção disso, portanto de quão relativo é dizer que não gosto desta ou daquela, como é curioso dizer que gosto de alguma outra. Mas acontece.
Claro que não direi em público e sem conhecer a assistência que não gosto da cidade tal, para evitar esse tipo de situações embaraçosas, pois ninguém gosta de ouvir dizer mal da sua terra. Nem eu mesmo fico confortável ao ouvir um estrangeiro dizer que não gosta de Lisboa, mas temos de aceitar que prefira Madrid, se bem que o Solar dos Presuntos não seja inferior ao Museo del Jambón!
Portanto fico-me cá pela Cidade Morena, onde me aclimatei perfeitamente.
Saudações do cacimbo!
Então os museus e os parques e as livrarias e a arquitectura não lhe interessam?
ResponderEliminarÉ só mesmo a comidinha?
Acho pouco, mas cada um sabe de si...
Boa tarde!
Então, o meu extraordinário amigo, não conhece DÜSSELDORF — a cidade de Heinrich Heine, Jürgen Habermas, Wim Wenders, entre outros — a cidade que encantou absolutamente Napoleão e lhe dou o nome de „pequeno Paris“‼️
ResponderEliminarÉ um privilégio viver entre duas cidades maravilhosas: o PORTO e DÜSSELDORF.
Saudações amistosas da aldeia do Düssel.
Eisbein mit Sauerkraut é a ALEMANHA no seu melhor‼️
ResponderEliminarSomente após uma refeição com esta especialidade alemã, é que nos apercebermos que — os museus, os parques, as bibliotecas nacionais, a arquitetura, a moda, as livrarias, até a língua de Johann Wolfgang von Goethe — também têm um certo interesse‼️
Ora toma! Nem de propósito...
ResponderEliminarSe me permite, ahahah! É cá das minhas.
Servido por uma sólida moça com braços de culturista e umas canecas daquela cerveja turva! No fim um gelado de nata com calda de frutos silvestres.
Saudações Epicuristas cá da Cidade Morena!
ResponderEliminarCaríssima Geramnófila:
- Não conheço essa cidade. Na verdade a maioria das minhas viagens foram em trabalho... o que é efectivamente uma pena e uma falha na minha formação cultural, pois viajei mesmo muito, e, como disse, creio que para se "gostar" tem de se ter tempo para apreciar, nos integrarmos um pouco e sentir a alma da cidade (ou do local).
Outra boa parte das minhas viagens, e nessas sim, foram pela caça ou pesca, em que pude deveras apreciar aquilo que nem sempre os turistas apanham. Ainda ontem falando com amigos sobre o Chile, onde estive na cidade de Iquique durante cerca de um mês, lhes contava que saíamos diáriamente para o mar com pescadores locais, artesanais, com quem fatalmente contraímos laços, bebendo umas cervejas ao final da jornada, indo a casa deles comer ou conviver com as suas famílias, incluindo aniversário de algum filho como sempre acontece, o que me deu uma perspectiva que o hotel não daria, nem outras atracções turísticas - mas visitei o oásis de Pica, as termas de Mamiña e a cidade-fantasma de Humberstone.
Enfim, como digo, é a diversidade a funcionar... e ainda bem!
Perdão: Germanófila, trata-se de um lapsus digitatus!
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