A falta que nos fará
Na semana passada, jantava eu com dois autores brasileiros que publico (Itamar Vieira Junior e Celso Costa), recebi a notícia da morte de José Pinho, o homem que sonhou e fez a livraria Ler Devagar, que transformou Óbidos numa vila literária e desenhou o festival FOLIO, que recuperou das cinzas a Livraria Férin, que levou livros portugueses às feiras estrangeiras em que Portugal era tema, que programou o Festival 5L e que, entre muitísimas outras coisas e mesmo doente, tinha previsto abrir já este mês um Centro Cultural no Bairro Alto com sei lá quantos andares de livros... O José Pinho era uma força da natureza, um homem que nunca baixava os braços, uma pessoa cheia de entusiasmo por tudo, um combatente sempre com um sorriso na boca e os olhos a brilharem de alegria... enfim, alguém que não vejo como pode ser substituído (não conheço na sua área ninguém parecido) e que nos vai fazer muitíssima falta. Deveria ter escrito sobre ele mal soube, mas, sei lá, ainda acreditei que a notícia fosse falsa, que viesse alguém desmenti-la, pois o Pinho parecia aquela pessoa eterna que vence todos os obstáculos, e já tinha vencido outras fases dessa doença que não cessa de matar em todo o mundo. Vá lá que os poderes ainda foram a tempo de o homenagear e condecorar, o que, mesmo que não tenha grande importância, dá sempre a quem recebe pelo menos a dimensão de um reconhecimento. Reconheçamos que o José Pinho merecia isso e muito mais e rendamo-nos à evidência de que não há outro como ele.
Não conheci o Homem, sei agora e conheço a obra, aliás aqui falada várias vezes se bem me recordo.
ResponderEliminarNunca é de mais falar destas pessoas e sua obra. Pelo menos entre nós, já que para o grande público outros temas são mais importantes e os media se encarregam disso, como de desprezar aqueles que tantas vezes e afinal lhes prestam serviço sem ser mediáticos por razões até ridículas - isto de uma celebridade da treta ser notícia pela morte do seu melhor amigo, que afinal era um cão... convenhamos que é um estranho sinal dos tempos.
O Pinho fará falta certamente, vai fazer muita falta até!
Mas em algo discordo do que diz no seu post:
- Acredito que não há insubstituíveis, não pela falta da pessoa em si, para os que lhe eram próximos, evidentemente, mas no geral, porque alguém ocupará o lugar deixado vago e desenvolverá a obra que ficou, ainda que noutra direcção ou de outra forma, atrevo-me a pensar.
Vemos isso acontecer todos os dias e em muitas situações. Esta será mais uma, aguardemos portanto.
Saudações esperançosas, cá da Cidade Morena.
Claro que irá fazer muita falta.
ResponderEliminarTentou trazer os livros para a ribalta - e goste-se ou não -, para estes tempos actuais, em que tudo é espectáculo.
José Pinho é das poucas pessoas que conseguiu valorizar o livro, na última década. Um tempo danado para os livros, com o fecho de muitas livrarias e a perda de bastantes livreiros (livres e independentes) de Norte a Sul...
Caro Pacheco, a minha prática de vida, diz-me que há mesmo pessoas "insubstituíveis".
ResponderEliminarHá vários exemplos, de que nada fica igual, que ficamos mesmo a perder, com o desaparecimento de algumas pessoas especiais.
E penso que José Pinho é uma delas. Não se trata apenas da sua relação com os livros, há também a relação com o poder, a capacidade de seduzir os outros, de conseguir levá-los para a "nossa estrada" (nestes casos é o mais difícil)...
Mesmo sem o ter conhecido. Sem sequer ter ouvido falar dele. Vejo aqui que muito lhe devo. E acredito que não seja substituível profissionalmente. Que, pessoalmente, todos somos únicos. Mas uns mais que outros.
ResponderEliminarA falta que nos faz este livreiro. Descansou.
Sem nunca o ter conhecido pessoalmente, sempre o conheci. Principalmente depois da LER Devagar, uma livraria diferente, onde dava gosto ir. E Óbidos, o que ele fez em Óbidos é inacreditável. Só muito recentemente soube que a transformação da Férin se devia a José Pinho.
ResponderEliminarQue orgulho termos tido um Homem assim, que fazia obra, não se limitando ao habitual blablabla.
Ainda bem que foi condecorado em vida, achei-o demasiado magro quando o vi na tv, pensei que talvez estivesse doente... e estava.
Concordo com a Rosário, o Luís e a Bea: vai ser muito difícil, vai mesmo ser impossível substitui-lo.
Que descanse em paz!
💐