O que ando a ler
No dia 1 devia estar a pensar noutras coisas e esqueci-me de falar sobre o que ando a ler. Na verdade, ando a ler há demasiado tempo um livro pelo qual me tenho arrastado, pois não consegui gostar no princípio, achei que tinha de perceber porquê mas, com o virar das páginas, nunca tive um pingo de empatia nem pela história, nem pela prosa enfatuada, e muito menos pelo protagonista, que senti demasiado caricatural e sempre igual (mesmo que seja o objectivo, evidentemente, torna-se muito chato). Assumo, porém, que o problema deve ser meu, que já há muito que ando a embirrar com livros escritos integralmente no Presente do Indicativo, em tempo real, como guiões ou notas que os autores tomassem para um romance, mas não o romance propriamente dito. E digo-vos que o problema deve ser meu, pois a badana está cheia de encómios de críticos respeitados e escritores imaginativos e virtuosos (Bruno Vieira Amaral, Valter Hugo Mãe, João Tordo...) que repetem a palavra «brilhante» a propósito da obra, explicando, aliás, porque foi A Dor Fantasma, de Rafael Gallo, o mais recente vencedor do Prémio Literário José Saramago. Descontem por isso o meu gosto pessoal (os gostos não se discutem) e atrevam-se a esta história de um pianista virtuoso e muitíssimo ambicioso que fica sem uma mão num acidente e culpa todos pelo seu destino (a mulher, o fabricante de próteses, o agente, a ex-amante, os alunos...) menos, curiosamente, o motociclista que o atropelou.
Concluí "O Jogo do Reverso", de Antonio Tabucchi e, após ler uma introdução encomiástica de Francisco José Viegas, comecei as "Viagens sem Bola", de Rui Miguel Tovar. Já li bons livros brasileiros com o futebol como pretexto mas este não o levo até ao fim. Depois de há uns anos ter sido "crivellizado", não sei como caí nesta. O melhor é pôr-me de atalaia pois diz o ditado que não há duas sem três.
ResponderEliminarEstou no final do nosso Perdigote... do qual já falei e aconselho vivamente porque é uma lufada de ar fresco, como quem abre uma janela.
ResponderEliminarE, é uma viagem pela nossa língua portuguesa, o que por si só já é motivo mais do que suficiente para ler esta obra notável por isso mesmo!
Espero bem que o Paulo Moreiras pense sériamente em escrever um novo romance, actual mas ao seu estilo, narrando as aventuras e desventuras de um jovem provinciano ambicioso que estuda umas coisas (enfim, coladas com cuspo, como se costuma dizer a este saber incipiente), entra numa juventude partidária e cola-se a um líder em ascensão, vindo para Lisboa onde se deslumbra e faz carreira, até à desgraça final quando o amado líder lhe parte as pernas e o abandona!
Não sei se reconhecem alguém em particular, pois aplica-se a uma quantidade de políticos da nossa praça!
Mas fica o desafio, se me permitem, e porque dava um romance bem pícaro com o habitual e reconhecido humor deste Autor no que toca a criar personagens e situações, casos.
Saudações pícaras cá da Cidade Morena!
Ainda não li, mas estou curioso. O que quer dizer com “prosa enfatuada”? Achei a expressão interessante.
ResponderEliminarObrigado, Rosário!
Estou a reler um livro notável, da apaixonante CARSON MCCULLERS, "O Coração é um Caçador Solitário".
ResponderEliminarUm dos melhores livros que li até hoje - que escrita serena e realista!
Sempre ansioso de virar a página...
"O Garden-Party", de Katherine Mansfield. Uma maravilhosa colecção de contos de uma escritora neozelandesa da qual nunca tinha lido nada e que fiquei com vontade de ler tudo. Ao nível de uma Edith Wharton, que era sua contemporânea. É incrível como os textos destas autoras conseguem transmitir sempre elegância e naturalidade na voz do narrador.
ResponderEliminarpreciosa, alambicada, algo pretensiosa e cheia de si mesma...
ResponderEliminarTerminei, na semana passada, um livro do genial Tolkien. Hoje começo mais um clássico, Madame Bovary.
ResponderEliminarPois eu, ontem, não li mas ouvi um Prémio Nobel da Literatura. Ao vivo, a poucos metros dele, e com mais algumas (milhares de) pessoas. ;-)
ResponderEliminarQual do referido autor? Mera curiosidade, me perdoe, pois partilho da sua opinião quanto à genialidade.
ResponderEliminar"A Arte de Driblar Destinos" de Celso Costa .
ResponderEliminarTal quadro vivencial onde a ruralidade é absorvida pelo olhar de uma criança . Livro serpenteado por histórias que se entrelaçam com a vida e com a morte, com o realismo e com o idealismo.
A ler e para reler.
AM
Caro António, o erro foi meu que não o identifiquei. Terminei O Silmarillion. Depois do Hobbit e do Senhor dos Anéis, vou tentar ler tudo o que escreveu acerca daquele universo.
ResponderEliminarEstou novamente a pegar no "Misericordia" de Lidia Jorge.Percebo as alusoes,a expressao dos sentimentos,a vivencia desta epoca da vida,o relato dum fim de vida entre estranhos,enfim,acorda-nos para certas realidades que porventura nao conhecemos.Mas nao deixa de ser pouco interessante,monotono e que se deixa arrrastar.
ResponderEliminarExtraordinário Pacheco,
ResponderEliminarestava a sugerir (sub-entender) a atualização d'A Queda de um Anjo, de Camilo?
Tem ainda as aventuras de Tom Bombadil, Histórias de Fadas, e um que há muito procuro que é Mestre Gil de Ham. O Silmarilion é um bocadinho chato, confesso...
ResponderEliminarSim, pode subentender-se! Caro e atento Amalivros!
ResponderEliminarHá muitas outras obras sobre o tema, mas eu gostaria de ler uma história mais actual, hodierna, escrita pelo Paulo Moreiras concretamente.
Abraço.
Comprei-o hoje e vou começá-lo daqui a pouco.
ResponderEliminarBoas leituras!📚
O próximo deverá ser Os Filhos de Húrin. Ainda que não o compare aos outros dois trabalhos, no que diz respeito à qualidade, este livro é muito importante para os contextualizar. Peca por ser bastante sucinto em muitas passagens, mas é sempre um prazer voltar ao mundo de Tolkien.
ResponderEliminarSem dúvida!!!
ResponderEliminarBoas leituras.
Acabei de ler "Fantasia de Dois Coroneis e uma piscina", de Mário de Carvalho, com alguns anos de atraso.
ResponderEliminarFoi ficando esquecido na estante, até eu lhe pegar e dizer que sim, era mais que tempo de revisitar o senhor Carvalho.
Gostei de ler, porque Mário de Carvalho é um dos poucos escritores que se pode dizer que tem uma escrita muito própria, só dele e de mais ninguém, com personagens levadas da breca, e claro, um humor muito especial.
Amigo Octávio dos Santos
ResponderEliminarQuem foi esse prémio Nobel?
Fiquei curiosa
Bob Dylan!
ResponderEliminarhttps://expresso.pt/blitz/2023-06-05-Bob-Dylan-ao-vivo-no-Campo-Pequeno-82-anos-no-corpo-uma-eternidade-na-voz-um-concerto-inesquecivel-9d5e443b
Boa!Nao me.passou pela cabeça.Ainda não digeri muito bem esse prémio Nobel,assim como o Chico Buarque prémio Pessoa(ou Camões,já nem sei)-este ainda menos.Se os palavrões fossem de valorizar,então o Chico seria o mais nobelizado do universo.
ResponderEliminarMas enfim,são gostos.