Excerto da Quinzena
"Felizmente havia pouco trânsito quando chegámos à entrada do Holland Tunnel. Aliviada, embrenho-me de novo na voz de Erma. E imagino-me a escrever uma história cujo fio condutor seria a atmosfera evocada pela sonoridade particular de uma voz. A sua voz. Sem me preocupar muito com o enredo, seguindo apenas tons e timbres e compondo frases como uma espécie de música, sobrepondo-as como folhas transparentes sobre essa mesma voz.
E o rosto do amor não é senão a brancura do inverno cobrindo as pontas das árvores caídas através das fendas descoloridas dos céus."
Patti Smith, Devoção, tradução de Helder Moura Pereira
«O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: transformar-se-á com o tempo, sei-o bem, como as árvores se transformam com o Inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre, no meu pensamento. Não por prazer mas como parte de mim, como eu própria.»
ResponderEliminarO monte dos vendavais, Emily Brontë, Ed. Presença, Colecção "Obras literárias escolhidas".
(...) " Imaginem o que é viver constantemente na rua, sem um sítio nosso para nos sentarmos a descansar um pouco, sem uma casa de banho para nos lavarmos e fazer as nossas necessidades mais básicas, e sem acesso pessoal a energia elétrica, sem sítio para arrumar a roupa, guardar a comida, sem nada".(...)
ResponderEliminarDiário de um sem-abrigo , 2.ª edição, Oficina do Livro, pág. 27, Jorge Costa ,mensagem da Lisboa
mensagem de Lisboa, quis dizer
ResponderEliminarHoje deu-me para recordar um dos livros mais marcantes da minha vida, lido na adolescência, que esteve no início da longa caminhada me trouxe até onde estou. "Expedição Moana", do francês Bernard Gorsky.
ResponderEliminarPara quem não saiba, "moana" é a palavra polinésia que exprime no mar aquilo a que chamo "largueza", expressão do meu Bairro Ribatejano. É o espírito do mar. Foi o nome escolhido pelos quatro aventureiros para baptizarem o seu veleiro no qual deram a volta ao Mundo a fazer pesca submarina nos anos 50.
Outro livro igualmente importante na mesma época e motivações, foi "O aquário de Deus", curiosamente do mesmo autor.
A um recife de coral particularmente bonito e cheio de peixes, em Moçambique, chamámos nós pescadores submarinos, "God's aquarium" em homenagem à lagoa do romance, onde um náufrago encontra algo de Extraordinário pela imersão diária atrás de peixes para se alimentar e como única actividade possível numa ilha deserta.
"Expedição Moana". Bernard Gorsky
"O sol ainda não se levantou. Está fazendo frio. Estamos na coberta, vestindo nossas japonas. Mar agitado, logo na saída do porto. Pierre está no leme, Saint-Malo, coberta por enormes nuvens cinzentas, desaparece lentamente. Ninguém fala. É bastante impressionante partir assim, de madrugada, para dar a volta ao Mundo. A situação tem algo de irreal. Olho para as ondas curtas, verdes e brancas, que chegam de estibordo e me esforço por reconhecer que estamos lá de verdade, todos juntos com nosso barco debaixo de nossos pés. Por meses e meses disse e repeti as mesmas coisas, só pensando na partida. Nada contava, fora a expedição. Sem que o percebesse, ela se tornara uma coisa abstrata, intangível, um alvo a ser atingido. Agora vou vivê-la, essa expedição. Vou precisar me acostumar com a idéia. Sei que também meus companheiros compartilham dos mesmos sentimentos. - Acabamos de percorrer nossa primeira milha - diz Roger. - Só faltam outras 24.999."
(Só lamento a tradução brasileira que desfeia um pouco o texto... mas é o que tenho).
Saudações nostálgicas, cá da Cidade Morena e votos de um Extraordinário fim de semana com muitas leituras e ainda Feira do Livro!
[...] Quina era imprescindível com o seu tacto político a respeito de relações, negócios, contratos. Nas feiras fizera-se conhecida, com o seu guarda-chuva e a saca de vidrilhos, cumprimentando aqui, escolhendo gado mais além, parando, demorando, num vício palrador, muito popular com o seu génio de ímpetos, facécias, conselhos, um apadrinhar de todas as desavenças, um apaixonado interesse por todos os projectos e todos os resultados. Incomensurável a sua vaidade, porém tímida, com uma candura fresca, de ignorância e surpresa, apesar de todo o conhecimento das coisas sórdidos, das realidades mais cruas, e ante as quais não opunha nenhuma fantasia. Ingénua sempre, com essa inocência de coração que leva até à morte um hálito de juventude e agridoce optimismo [...].
ResponderEliminarAgustina Bessa-Luís - A Sibila
Alguém deve ter difamado Joseph K., pois que numa linda manhã foi preso sem ter cometido qualquer crime.
ResponderEliminar"O PROCESSO"
KAFKA
"Gostava daquelas horas tranquilas a meio do dia quando as próprias ruas, sob o jugo do calor, pareciam tombar no silêncio."
ResponderEliminarAbdulrazak Gurnah - Vidas seguintes