Os livros de Smith

O jornal britânico The Guardian é um manancial de informação cultural e, há mais ou menos duas semanas, publicou as respostas a um questionário que dirige regularmente a escritores conhecidos, desta feita dadas por Patti Smith, escritora e cantora de gabarito internacional (não há muito esteve cá em Lisboa para um concerto que, evidentemente, esgotou assim que os bilhetes foram postos à venda). As perguntas (como no famoso Questionário de Proust) costumam ser as mesmas para qualquer escritor, mas, como é normal, as respostas variam bastante. Neste caso, são até surpreendentes: Patti Smith diz, por exemplo, que o livro que gostaria de ter escrito era Pinóquio; que a obra que a fez querer ser escritora foi Mulherzinhas (em especial a personagem Jo March); que o livro que mais influenciou a sua escrita foi Diário de Um Ladrão, de Jean Genet; e que ficou com tanta ansiedade enquanto lia O Príncipe e o Pobre, de Mark Twain, que até vomitou. Chorou com Charlotte Brontë e riu com César Aira; e envergonha-se de nunca ter lido O Homem sem Qualidades, de Robert Musil. A sua cabeça foi virada do avesso por O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse. Há mais, claro, mas o melhor é ir lá conferir.

Comentários

  1. Desses, li o Pinóquio na juventude, Diário de um Ladrão e O Homem Sem Qualidades. Das Mulherzinhas apenas vi as adaptações cinematográficas. Lamento não ter lido nada do Herman Hesse, mas ainda vou a tempo. Ouço dizer muito bem do Sidharta.

    ResponderEliminar
  2. A Patti também disse que não conseguiu acabar de ler "O Príncipe e o Pobre" de Mark Twain" e que está a ler "Space Invaders" de Nona Fernández (a Patricia actriz e escritora chilena, autora desta novela sobre o regime de Pinochet, que não está publicada em português).
    Aqui está uma boa ideia do The Guardian para a Rosário colocar as perguntas sobre literatura e livros, mutatis mutandis, a muito boa gente em Portugal e deixar-nos aqui essas respostas para nós "saborearmos".
    Espero que a Rosário, pela breve passagem por terras brasileiras, para além do cansaço, tenha colhido muito mais. E, se houver novidades, que no-las conte, caso o entenda...

    ResponderEliminar
  3. Prefiro a Patti Smith escritora à cantora, adorei os 3 livros que li dela.
    Para americana, tem uma cultura extraordinária e escreve de uma forma cativante.
    🍁
    Maria

    ResponderEliminar
  4. Gosto muito da Patti, aliás das três (da mulher, da cantora e da escritora).

    Consegue ser muito transparente e directa (especialmente na escrita...). Não se esconde atrás da vida, não foge dos dramas que tanto a ajudaram a crescer e a ser quem é...

    ResponderEliminar
  5. António Luiz Pacheco28 de outubro de 2019 às 03:19

    Também gosto de Patti Smith-a-cantora, mas nunca li nada dela, pelo que não sei se gosto da escritora.

    Uma coisa que não consigo fazer é nomear quais os meus livros fundamentais ou que me marcaram, pois foram tantos, ainda são e outros estão certamente para vir, que não sou capaz de fazer esse resumo. Admiro-me até que haja quem o consegue fazer com tanta e tão fiável precisão!
    Julgo que só mesmo no fim da minha vida, poderia tentar esse exercício.
    Pela mesma razão quando me perguntam que livro levaria para uma ilha deserta, só posso responder que seria um que ainda não tivesse lido! E, não sei qual… antes disso acontecer teria de dar uma volta pelas livrarias e às minhas estantes, à procura dele!

    Saudações multilivrescas cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Inclino-me, com uma grandessíssima inclinação mas sem cair, para subscrever a sua resposta. Fico sempre de queixo caído perante tantas certezas e influências definitivas, acho-me coisa sem préstimo. É que não consigo descortinar esses livros tão portentosos e de ligação directa à minha sensibilidade e inteligência.

      Eliminar
  6. Bom dia com alegria e (finalmente) chuva, que as barragens e a agricultura agradecem!

    A vida é feita de acasos e ,por acaso, este fds ofereci "As mulherzinhas" à filha de uma amiga (são três irmãs).

    Também por acaso o meu mais velho (pré adolescente encartado) me perguntou o que, das minhas estantes ele poderia ler. E estivemos com "O príncipe e o pobre" nas mãos, edição Relógio d'Água.

    Não por acaso, não li nem um nem outro livro, embora tenha uma vaga noção do que eles tratam. Como aliás dezenas de outros que tenho...

    Tudo isto, e mais, me fez reflectir e encetar uma dieta na aquisição de livros, não no consumo.

    Mas, não raras vezes dou uma "facadinha" na dita dieta, nomeadamente na feira do livro.

    Pareço a minha mulher, a roupa e os sapatos, e a falta sistemática de espaço.

    O racional diz não compres, vai à biblioteca, pede emprestado, tens tantos. O emocional parace alguem apaixonado, não ouve ninguém. É burro. Diz que um livro é como uma garrafa de vinho, guarda-se para abrir mais tarde.

    O próprio facto de aqui estar neste blog ler e a comentar, encerra em si mesmo uma dissonância cognitiva, uma faceta masoquista, um potencial pecado de gula literária.

    Afinal, aqui só me dão ideias para mais livros...

    Boas leituras
    cp






    ResponderEliminar
  7. Tirando Mulherzinhas, que em jovem decidi não ler, César Aira não sei quem é.

    ResponderEliminar
  8. Patti Smith - na parte que me toca - sou zero, tanto na música como na escrita (mas cheira-me a Bob Dylan e não gosto) -admito que por ignorância minha-.

    João Valjean foi quem me entranhou o vício dos livros

    Para além dos "MISERÁVEIS", há livros que para mim são inesquecíveis: "As vinhas da Ira", "Sidartha", "O Memorial do Convento", "Sangue Sábio" (Flannery O'Connor), os 9 volumes de "Conta-Corrente" "Amor em tempos de cólera", "O processo", "A Pastoral Americana" (Philip Roth), "As pontes de Madison County", "Treblinka", bem, e a lista continuaria (e como o bibliófilo adora listas, oh, se me pusesse a enumerá-los não havia como parar).

    ResponderEliminar
  9. Li "As mulherzinhas" na sua língua original, por empréstimo da professora de inglês, no 8º ano. Adorei o livro. Apesar de saltar linhas inteiras por querer avançar e não me apetecer perder tempo a traduzir. Finda a primeira leitura à pressão, comecei de novo, desta vez a reler tintim por tintim. Não ficou palavra por traduzir. E voltei a adorar. Também concluí que afinal tinha andado muito próximo do que lá estava - saltava linhas, mas imaginando o que diriam. Bem mais tarde, vi o filme e apesar de estar bem para o livro, não chegou aos calcanhares da minha paixão por aquelas garotas e pelo lindo rapaz de que já não lembro o nome, mas sei que nas primeiras folhas o interpretei como rapariga derivado a ele. Então, a coisa que mais gostei no livro foi da pobreza delas que para mim era como ser rico, facto que, é claro, me pôs logo nos píncaros o Reino Unido. Aquilo é que eram pobres como deve ser. E depois a gente banhava-se à vontade naquele amor e amizade genuínos que unia todos fosse na desgraça ou na graça. Queria ser a Joan porque era meia arrapazada, mas adorava a doce Meg. Fartei-me de chorar quando morreu. E pronto

    ResponderEliminar
  10. é que nem me lembro se o nome Meg está correcto. Talvez não.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Os nomes não são assim tão importantes, importante foi o que em si ficou da história :)
      A minha favorita também era a Jo (de Josephine) e claro que chorei quando a Beth morreu.
      Também li a continuação da história no livro 'Boas Esposas' .
      E a pobreza era no tempo da Guerra Civil da América.
      Boa noite, Bea.
      🍁 🍁
      Maria

      Eliminar
    2. Bolas, então errei os dois nomes. Mas havia uma Megan, suponho.

      Eliminar
    3. quer dizer que eu andei a adorar o UK para nada...Bolas. Nunca li Boas Esposas.

      Eliminar
  11. Nem um dia passa sem eu ler o The Guardian! :)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário