Irmãos de letras
Já ouvi muitas vezes José Eduardo Agualusa elogiar o seu amigo Mia Couto – e só não ouvi Mia Couto fazer o mesmo porque, na verdade (por infelicidade minha, bem entendido), não foram assim tantas as vezes que pude ouvir Mia Couto, apesar de já o ter ouvido algumas, mas com um tema fixo que não lhe permitia estar a mencionar o confrade. Sabia, porém, que são dois escritores que se gostam (o que é cada vez mais raro num mundo muito concorrencial) e, como tal, não fiquei demasiado admirada com a proposta de um livro assinado por ambos. Dá pelo nome de O Terrorista Elegante (só o título já é bom), publica-o a Quetzal e foi apresentado ontem em Lisboa no Teatro da Comuna, numa sessão conduzida pela jornalista Anabela Mota Ribeiro e na qual o actor Miguel Sermão leu excertos. Hoje haverá outra sessão na Livraria da Travessa, ao Príncipe Real; amanhã será a vez da FNAC-Chiado; e, no Porto, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett recebe os dois autores para um Porto de Encontro no dia 13, às 17h. Eu cá estou curiosa com este livro. Quando o ler, aviso.
(A crónica vem na segunda.)
São dois autores de referência na lusofonia!
ResponderEliminarLeio ambos, e gosto, umas vezes mais outras menos, mas o balanço é positivo.
O que e sobre aquilo que escrevem, por vezes pode não ser alcançável a um Universo de leitores europeizados, desconhecedores da realidade ou insensíveis ao dia-a-dia que eles retratam ou utilizam e que o interpretem mal. O que é compreensível, aliás. Ou seja, perde-se uma parte do impacto da sua escrita, e, digo isto porque conversando sobre eles com pessoas conhecidas noto isso mesmo.
Acho notável e excelente esta escrita a duas mãos que nos trás aqui hoje. Por mim é um livro que não vou perder, garantidamente!
Votos de um Extraordinário fim de semana para todos!
Trata-se de um livro composto por três contos (ou novelas), parte dele escrito pelos dois autores no alpendre de uma casa em Moçambique. As três novelas são "O Terrorista Elegante", "Venho Aqui para Matar" e "A Caixa Preta". estas duas últimas foram escritas pelos dois, a quatro mãos portanto, trocando mensagens por e-mail.
ResponderEliminarSerá uma obra interessante para mim, uma vez que aprecio igualmente romances policiais/criminais, ditos de suspense.
Depois de este complemento, quero falar da capa. Acho-a interessante, mas continua o já instituído método de o nome dos autores suplantar o título, qualquer coisa que significa a evidência da fama atingida e se queira vender o autor e não a obra em si. Sei que o método é importado, mas nem tudo o que vem de fora é adequado à nossa grandeza. É a minha opinião.
Esqueci mencionar um outro autor, tanto mais que li dele recentemente o livro "As Aventuras de Ngunga", editado pela Leya/D. Quixote. Falo de Pepetela, Prémio Camões 97. É interessante, escrito em 1972, que fala da guerrilha em Angola. recomendado para o Extraordinário Pacheco, que está por "dentro" do cenário moreno da acção.
EliminarSou grande fã de Pepetela!
EliminarSem dúvida, o escritor da alma de Angola e da sua alma histórica, pois sem complexos ele vai muitas vezes à história inspirar-se, como retrata cruamente a sociedade angolana actual.
Grande abraço aí para cima, literalmente, pois me encontro no paralelo 12 - Sul.
O Porto de encontro com os 2 escritores será no próximo Domingo às 18:30, o local é no Teatro Sá da Bandeira- Porto
ResponderEliminarhttps://www.facebook.com/PortodeEncontro/photos/rpp.254135497971011/2746809582036911/?type=3&theater
Obrigada pela correcção. Pelos vistos, recebi a informação errada.
EliminarPois é, assunto tão triste que chega ser engraçado e podem rir da tal, ciumera. Eu, por exemplo já retorci o gosto na leitura descritiva de três páginas (consecutivas) de elogio às mãos. Ah, Stendal
ResponderEliminarCláudia da Silva Tomazi
O texto tem um erro que poderia ter sido corrigido se se tivesse informado melhor, dado que fala no passado. Não foi a Anabela Mota Ribeiro que moderou a conversa no Teatro da Comuna. Era ela que estava anunciada, mas não pode ir, e foi Francisco José Viegas que fez essa moderação. Sei, porque estava presente. O livro é engraçado, são três contos diferentes, adaptados de peças de teatro escritas anteriormente por ambos, cheios de humor, magia, sarcasmo, emoções, situações caricatas...enfim...o que já nos habituaram na sua escrita. O primeiro, "O Terrorista Elegante" escreveram em conjunto, a meias, de forma presencial, durante duas semanas na casa de Mia em Moçambique. Nesse realmente não dá para diferenciar as partes escritas por um e por outro. As outras duas histórias, escreveram à distância, com um a acrescentar frases ao texto do outro. São amigos, cúmplices e é delicioso vê-los juntos. Confessaram que dão os seus textos/livros um ao outro a ler, antes de serem publicados e têm muito em conta a opinião do outro. Vale a pena ler!
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