Tempo de medos

O Brasil está todo às avessas! E o pior é que os ignorantes tomaram o poder e a sua luta contra os intelectuais já se faz censurando livros e proibindo que estejam em feiras e festivais obras que tratem de certas temáticas ou sejam assinadas por adversários do governo de Bolsonaro. Bem, o presidente brasileiro já disse que não assinava o diploma do Prémio Camões dado ao grande Chico Buarque, que, como lhe competia, respondeu que essa não assinatura de Bolsonaro era, para ele, um segundo Prémio Camões. Hoje, na Livraria da Travessa, às 18h30, vai certamente falar-se disto, da Amazónia e de muito mais que está acontecendo no país irmão num encontro entre os escritores brasleiros Joca Reiners Terron (de quem publiquei um livro maravilhoso chamado Do Fundo do Poço Se Vê a Lua, leiam, leiam) e Carola  Saavedra, com moderação da escritora e jornalista portuguesa Isabel Lucas. Apareçam.


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Comentários

  1. E, já agora, Maria do Rosário, por que não falar na Livraria da Travessa da "travessura" ou mais propriamente "patifaria" que fizeram ao irlandês John Banville, anunciando-lhe (alguém supostamente da Academia) antecipadamente que ele tinha sido um dos contemplados pelo Nobel, a ponto de lhe colocarem à escolha se queria o de 2018 ou o de 2019.
    A coisa não teria mais significado, se o já vencedor do Booker Prize, não tivesse telefonado aos amigos e familiares anunciando ser ele o vencedor, o que não se verificou.
    Não se lembre alguém, por alturas do anúncio da decisão do Prémio Leya, fazer uma imitação desta brincadeira de mau gosto.

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    1. Não estou a ver a relação da Rosário com esse caso - e isso aconteceu mesmo?
      Há tantas fake news...
      Há tempos ouvi dizer que fizeram isso ao ALA, mas não sei se foi mesmo verdade; de qualquer modo o melhor é ficar caladinho até receber a notícia de forma oficial.

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    2. Se aconteceu ao não, vendo pelo mesmo preço que comprei; ou seja, sem provas e trabalho de investigação próprio, a custo zero.
      Li na Sapo Notícias e creio que o Polígrafo poderá confirmar o denegar.
      Se a Rosário falará disto ou não, é livre de pensar ou agir como quiser, nem eu preciso de procuradores para passar mensagens e supostos boatos.
      Aproveito para deixar um comentário que tinha intenção de colocar em resposta ao comentário do Extraordinário Pacheco, um comentador que considero grande intelectual e de bom senso, coisa que vai rareando.
      É certo que abomino esta atitude de Bolsonaro,como já abominei a queima de livros dos tempos antigos como se estivessem em auto-de-fé; abomino toda a censura, seja de onde for, porque acho que a liberdade do leitor é poder escolher e ler o que lhe der na gana.
      Certamente que na reunião onde estará a Carola, o Joca e a Isabel, não haverá espaço a não ser para a negativa atitude do presidente brasileiro. Porém...
      Como exemplos:
      Alexander Soljenítsin recebeu o Nobel de Literatura de 1970, mas como era crítico sobre o que considerava a ausência da liberdade individual pelo estado comunista, totalitário e soviético, foi expulso do país e viu-lhe retirada da respectiva nacionalidade.
      Outro ainda, também Nobel russo, Boris Pasternak, vítima do autoritarismo comunista soviético nos ano 30, livrou-se do Gulag, mas quando lhe foi atribuído o Nobel em 1958, a “democracia” russa não o autorizou a recebê-lo por razões políticas.
      Isto de perseguições políticas, há-as em todos os quadrantes, desde a esquerda á direita, passando pelo centro, mormente nas ditaduras. Tratar apenas de um caso isolado, cheira a subjectivismo e arregimentação, coisa que não devia caber na cultura, que se quer livre, actuante, opinativa e em prol da liberdade.

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    3. António Luiz Pacheco15 de outubro de 2019 às 05:15

      Ora ainda bem que me compreendeu!
      Grande abraço e obrigado pela sua intervenção, esclarecida!

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  2. Esperemos então que o prémio LeYa celebre a diferença e premeie um livro polémico e sobretudo diferente.

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    1. Pode tirar o cavalinho da chuva, querido anónimo. O prémio leya premeia temas conservadores, neutros ou politicamente correctos, basta ver o conteúdo dos livros vencedores. Acho que há sempre um oportunismo político na hora de escolher. Infelizmente a originalidade e o estilo não contam para nada.

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    2. Estou para ver o dia em que vença um livro de ficção científica ou LGBT...Mas estão certos, basta ver o painel de júris, todos da mesma escola, não há nem pode haver conflitos, ganhará sempre um livro a olhar para o passado, como é já da moda. Parecer ser já uma patologia social escrever só do passado, como se o presente não tivesse tanto por dizer, intristece-me bastante ver este novo tipo de conservadorismo a crescer, e em vez de estarmos a colher literatura para que o hoje seja compreendido, estamos sempre com a mania do posmodernismo da treta.

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    3. António Luiz Pacheco15 de outubro de 2019 às 10:02

      Caro Marco Sousa:
      Sem deixar de comungar do seu sentimento, começo por esclarecer que sou um leitor que não se dedica a este ou àquele género, leio de tudo e sobre tudo, consoante as fases em que estou, sobretudo, e, não sou apenas leitor deste ou daquele tema.
      Creio que este detalhe importa para iniciarmos a nossa conversa.

      Mas, vejamos:
      Tem lido todos os premiados Leya? E os que são finalistas?
      Eu tenho lido quase todos, claro que uns gosto mais, outros menos e alguns até nem gosto!
      Para ser justo, já li alguns (bastantes) sobre o passado… mas também li vários que não são como diz, livros só sobre o passado, sem conflito, etc. Pelo contrário, são bem actuais e sobre temas que conflituam com muita coisa, tal como diz.
      Note que, no tocante à Ficção Científica ou Policial, realmente não há nenhum, mas talvez porque há pouco quem escreva sobre esses temas, entre nós.

      Não estou a defender o Leya, apenas a conversar, porque me parece haver alguma deficiente apreciação sua nos prémios já atribuídos…

      Saudações cá da Cidade Morena!

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  3. A atividade de debater a discordância do Governo Bolsonaro na decisão de atribuir o Prémio Camões vai ser proibida através de um decreto do Governo Bolsonaro.

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  4. António Luiz Pacheco15 de outubro de 2019 às 02:46

    Não sou apologista de nenhum tipo de censura - que por cá já se vai ensaiando também! E não somos governados por Bolsonaros, atenção!
    Também acho que se devem separar as águas: política é política e literatura é literatura, se bem que e como todos sabemos a literatura seja também politizada e uma forma de a divulgar, o que se aceita.
    No entanto acho que misturar acções de activismo político com acções que deviam ser de literatura pura, é mau, para todos: política e literatura, o que não impediria que numa sessão dedicada à literatura se dessem umas ferroadas políticas, se é que me entendem.
    Tal como não se deve misturar a Amazónia, cuja história está muito mal contada e por apurar… não vi ainda em Portugal misturar em nenhum evento literário o apoio ou a discussão dos fogos de Pedrógão (onde morreu muita gente inocente) ou da Serra Algarvia.
    Creio que deveríamos começar por arrumar a casa… mas é só o que eu penso, e, claro, vale o que vale.
    Pela minha parte, mesmo estando aí, não participaria nesta sessão, não por apoio a Bolsonaro, mas por discordância nessa misturada toda, confusa e certamente sectária que repito, em minha opinião, não dignifica a literatura e nem os autores.

    Sobre a questão de o presidente eleito (lembro) do Brazil, não assinar o prémio, é um absurdo e uma imensa falta de senso, que lhe fica muitíssimo mal! Chico Buarque não tem ideologia nem côr, só tem génio e é propriedade imaterial da língua portuguesa e da cultura luso-brazileira, penso eu também.

    Saudações livres e não censuradas cá da Cidade Morena!

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  5. De facto, é com cada bingo: eu dou aulas em pós-laboral às terças! Buáááá... :(

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  6. Bom dia com alegria.

    Como em tantos outros eventos, a minha parca ubiquidade não me permite comparecer.

    Penso que, de uma forma ou de outra, conscientes ou não, todos os nossos actos são políticos.

    A avozinha que faz as compras no supermercado X ou Y, porque assim ganha pontos para um peluche, para oferecer à netinha, está a tomar opções políticas. Ou pelo menos está a legitimar opções tomadas por outrém.

    Não vejo mal nenhuma nisso, haja é consciência plena dessas ações.

    O busilis da questão hoje é duma dimensão fisiológica: pensar com os pés, ou com o "coração" e pouco com a cabeça.

    Raio da condição humana, se fosse de plástico era mais barata, disse alguém.

    Boas leituras
    cp





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  7. Finalmente a liteira atura e Camões se lhe merecia melhor craveira a bibelô em cabo de guerra. Solidarizo os camonianos se lhe empenham a labuta manuscrita.
    Cláudia da Silva Tomazi

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  8. Tempos de medos, sim!
    É bom que os que estão na liderança de boa-fé não esqueçam a história.
    No passado existiram trumps, bolsonoros e outros que tais.
    A Espanha classificou a democracia como crime e condenou-a a prisão efectiva.
    Tempos de medos, sim!

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    1. Permita que lhe faça uma pergunta, para já concordando com o facto de serem tempos de medos por esse mundo fora.
      A pergunta é esta: é por esse medo que publica como Anónimo(a)?
      Se o medo é falar sobre o medo, não há medo que meta medo ao medo, mesmo com tanto pleonasmo.

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    2. Antes de esperar a reposta - que pode até nem vir, é o seu direito - estranho ter metido o assunto Espanha e a imagem que utilizou para falar da democracia em prisão efectiva. Caso este blog enveredasse por este caminho de política, abster-me-ia de comentar, porque é suposto falarmos de cultura, de livros, de autores e não de perpendicularidades obviamente de índole política, que acaso até têm blogs próprios.
      É a minha opinião, pois ninguém me encomendou o sermão, mesmo estando de acordo consigo nos princípios que invoca.

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    3. Sim.
      Cada um com a sua circunstância.

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    4. A Catalunha vem naturalmente à colação quando falamos de medo. Também o Brasil e nem vou referir África ou o oriente médio.
      A cultura não é imune à política.
      O populismo sempre foi uma forma de "cultura política". Pois bem, está aí a reerguer-se por todos os cantos...

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    5. E o Fernando, tem medo da política?

      Quando falamos aqui de livros, de teatro, de cinema, de escritores, estamos a fazer política cultural. :)

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    6. De facto, Luís, não tenho medo (melhor dizer, receio) da política, mas dos políticos.
      Todos os livros têm política segundo a disposição dos autores, que têm todo o direito de a manifestar nessas suas obras; e todos sabemos que a cultura pode influenciar a política, principalmente no bom sentido, pagando um alto preço por isso.
      Quando me referi à política comentada, apenas a aprecio em blogs próprios, onde naturalmente há o terçar de armas pelos "beligerantes" de cada cor. No entanto, é evidente que não é de excluir de blogs como este os comentários sobre livros políticos, ou que tenham cunho político-social (ou não comentaria o Germinal, de Zola, o que é ridículo) desde que o leque seja transversal a todas as sensibilidades da esquerda, da direita do centro e de outras bancadas onde o Diabo senta o rabo pelado.

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    7. Caro Anónimo
      Eu, como cidadão e certamente sempre socialmente insatisfeito, sou um revolucionário à minha maneira. Julgo que a Liberdade está acima de qualquer disposição legislativa, principalmente quando a segunda contraria a primeira. Apenas inseri a perplexidade sobre a questão da Catalunha, que conheço pela rama, sem tomar partido.
      Tanto assim é, que me dedico a obras de personalidades revolucionárias, como é o caso de um dos vultos do Liberalismo, que irá ser apresentado no dia 26 deste mês.

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  9. Na caricata história do Prémio Camões o que mais gostei foi da resposta de Chico Buarque.
    O encontro de hoje é deeras aliciante. Oxalá vá muita gente ouvir esses três.

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