O dia do Afonso

Depois da magnífica notícia de ontem, a da atribuição do Prémio Literário José Saramago, da Fundação Círculo de Leitores, a Afonso Reis Cabral pelo romance Pão de Açúcar, podemos dizer que hoje é seguramente um bom dia para o autor. Não bastando o galardão, é dia de lançamento de Leva-Me Contigo, a sua obra mais recente, em que relata a odisseia de 24 dias a pé através de Portugal, ora debaixo de chuva, ora debaixo de um calor louco, pela mítica Estrada Nacional 2. Logo à noite, pelas 21h00 (a hora é boa para dar tempo ao Afonso de descansar depois da "festa" de ontem), na Livraria Ler Devagar, no LxFactory, Francisco José Viegas, que pré-publicou na revista Ler um excerto deste livro, vai apresentá-lo, e o cantor Caio vai brindar-nos com algumas canções que servem de banda sonora a um documentário sobre esta viagem. Contamos consigo para dar os parabéns ao jovem autor, quer pelo prémio de ontem, quer pela caminhada de há uns meses, quer pelos seus livros! Apareça.


 


Convite Leva-me Contigo (2).jpg


 

Comentários

  1. Parabéns ao Afonso. De certo conheceu as pessoas certas. Sorte e conhecimento são parceiros de sucesso! E o talento também: bem se vê que é de família.

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  2. Não deixa de ser curioso o que se está a passar. Cada vez se lê menos e então opta-se por transformar os escritores (este até tem uma cara fofinha) em "estrelas de rock"...

    Como muito bem diz a Rosário, "adeus futuro". :)

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  3. Mais um maratonista de prémios encomendados. Irá aos jogos olímpicos dos interesses literários.

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  4. Eu tenho sempre um azar desgraçado com estes eventos. Hei-de estar sempre ou fora ou em aulas... :(

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  5. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2019 às 03:43

    Eia credo… dêem lá uma oportunidade ao jovem, a quem calhou cair em graça!
    Não o penalizemos por isso!

    Pela minha parte, que nem sou de embarcar nessas coisas, já aqui disse e repito que acho que temos Escritor!

    Gostei de "O meu irmão". Pode não ser um grande livro numa comparação literária com "Os Maias", evidentemente, apesar de estar bem escrito o suficiente para nos transmitir aquilo que me pareceu ser o importante: o tema!
    E revelou desde logo, atendendo à juventude do autor, algo de notável e que me conquistou, que foi a sensibilidade e a maturidade com que conseguiu tratar o assunto, de forma que me sensibilizou a mim, pelo entendimento que deu provas, entendimento do ser humano, reparem que nem recorreu a um cãozinho ou tareco, usou um ser humano com deficiência! Afonso Reis Cabral é um Homem e um Ser Humano.
    Depois, pegou noutro tema sensível, tremendo e doloroso, escondido e varrido para debaixo do tapete: Pão de Açúcar… garotos inadaptados de uma instituição e um travesti!
    Caramba… conseguiu uma vez mais deixar-me com um arrepio na espinha!

    É por isso, que, quero lá saber do "colinho" ou dos prémios… fui eu quem o elegi como Escritor, como Humano num tempo em que a desumanidade impera, reina a hipocrisia e sobretudo os jovens se desumanizam, sendo que a tendência é "abortar" , é eutanaziar (sei lá se é assim que se escreve!) é despejar os velhos em instituições, é rejeitar e eliminar tudo o que nos incomoda, não compreendemos ou não gostamos!

    Afonso Reis Cabral não é para mim neto de ninguém!
    Não é para mim levado ao colo por ninguém!
    Não é premiado porque interessa promover nem é a aposta de nenhuma editora.
    Ele é para mim a esperança de futuro, a prova de que há jovens que são capazes de olhar em volta de se preocuparem em perceber as diferenças em vez de as obliterar porque lhe desagradam.
    Ainda há jovens assim, e congratulo-me.
    Congratulo-me com o seu sucesso e desejo-lhe mais e melhor!
    Ainda este mês terei oportunidade de ler o outro livro,, de que estou à espera. Depois direi…

    Saudações esperançosas, cá da Cidade Morena.

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    1. Se o Pacheco me permite, faço também minhas as suas observações sobre o Afonso R. Cabral. Congratulo-me com os seus sucessos, acho que ele merece. Já li parte deste livro que vai ser hoje apresentado - adquiri-o numa loja CTT, imaginem - e já divulguei a obra a amigos e conhecidos. Do que li, gostei muito. As suas observações de viagem, os pormenores, a linguagem humorada mesmo quando se refere à bátega de água que apanhou inicialmente, são de um escritor que não precisa "colinho" de ninguém para vencer. Sabe manusear as palavras, tem pertinência nos traços e nos pormenores, é um observador muito atento, para além de ser corajoso e de se expor nas redes sociais, tendo obtido desses contactos algumas simpáticas intervenções dos seus leitores ao longo do trajecto.
      Note-se que não se limitou a recolher bibliografia para este trabalho "Leva-me Contigo", foi ele mesmo percorrer a "pedibus calcantibus" todo o itinerário. E vou repetir o que já disse noutro comentário anterior: o Afonso descreve o percurso da N2 com grande mestria, pois eu também já escrevi sobre ele quando, a propósito da aventura de 5 ciclistas amigos, passei ao papel a odisseia dos ditos entre Chaves a Faro.
      É natural que a Maria do Rosário tenha visto as suas qualidades - logo ela, que tem um "faro literário" especial - e bem andou quando aceitou publicar os trabalhos deste jovem.

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  6. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2019 às 07:36

    Quem é o cantor Caio? Não consegui descobrir em lado nenhum… além de um tal Caio Costa que é brasileiro, será esse?
    Já agora… mordeu-me a curiosidade.

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  7. Herdeiro dele próprio, como disse o Manuel Alegre. Os maiores parabéns ao Afonso - e a quem o editou, já agora. O dia é complicadíssimo, não devo conseguir aparecer, mas se ele passar por aqui, deixo-lhe o meu abraço.

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  8. Tenho carinho especial a escrita e creio estar o prémio em boas mãos. Desconheço o trabalho do jovem, mas se lê (tanto) sobre Afonso e seu livro Pão de Açúcar e fica a doce presença. Parabéns
    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. António Luiz Pacheco9 de outubro de 2019 às 08:52

      Cláudia… com as devidas distâncias, da idade do tempo e do estilo (o Afonso ainda está longe da genialidade de JA) , mas o tema e os personagens, a forma, podiam ser de Jorge Amado!
      Ponho-o ao nível (salvo pela menor carga… hum, social?) do genial "A raínha do cine Roma" de Carlos Reyes que também brilhou no prémio Leya.
      Creio não estar a exagerar, pois "Pão de Açúcar" fala-nos à alma, à alma dos miúdos em instituições e aos excluídos, como à alma de um velho travesti em completa indigência e na miséria absoluta, mesmo moral.

      Saudações cá do meridiano 13º E !

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    2. Caro amigo, gostaria que a literatura fosse unânime e se lhe faz tendência. Houve diversas vozes nos mais variados estilos e todos se lhe enche graça e atributos a leitura. A intensidade pouco administra o sentido a palavra, mas a domina velada e curiosa. Está para o agrado público o monumento em parques, estações, memoriais... Mas, e os livros?! Qual seria portador se este canal a sede, ou de se lhe matar a sede de leitores. O pouco se tem feito desde Jorge Amado ou Paulo Coelho e por aqui o leitor brasileiro está em pose com hábitos que afinam talvez a identidade de um título, por exemplo Pão de Açúcar, porque não?

      O primeiro momento a literatura tem de buscar este leitor e a possível identidade as causas e em vosso relato, há causas suficientes sem delongas. Lembre "Vox populi, Vox dei". Abraço cá do Atlântico
      Cláudia da Silva Tomazi

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