Maturidade literária

O Prémio Literário José Saramago, que foi  criado para homenagear o nosso único Nobel da Literatura em 1998, é entregue a romances já publicados escritos por autores que, até recentemente, não podiam ter mais de 35 anos (como, aliás, é o caso de Afonso Reis Cabral, que tem 29 anos). Porém, estava a ficar difícil encontrar ficção de qualidade em escritores que estivessem dentro dessa baliza etária; e, tal como já acontecera no Prémio Agustina Bessa Luís (que é para revelar novas vozes literárias), o limite passou para os 40 anos. Sobre as razões que podem estar na origem do vazio literário em gente mais nova, eis um artigo muito interessante de Sérgio Almeida publicado no JN no link abaixo (e não digo que é interessante por ter dado também as minhas opiniões). A ler, portanto.


https://www.jn.pt/artes/especial/onde-estao-os-novos-ficcionistas-portugueses-11446210.html?fbclid=iwar2q_yyonl9mnxrhi5rfk01b-dlvvns4mekalfruggdg7ufisk1uuwas8vk


 

Comentários

  1. Mas que grande peça de Sérgio de Almeida no JN. Até o título, muito bem escolhido, me faz lembrar esse maravilhoso poema de Rafael Alberti, musicado pelos Aguaviva - "Balada para los poetas andaluces de ahora".
    O escritor João Reis e o crítico Frias Martins colocam o dedo na ferida. Não há que culpar apenas a televisão, a internet e os novos meios de comunicação pessoal. Não se publique apenas o que o editor gosta, mas aquilo que o público leitor gosta. Não é o leitor quem paga isso tudo?
    Num blog como este, colocando eu ontem - mesmo a despropósito do tema em aberto - a perplexidade da não atribuição do Prémio LeYa 2019, não senti que o assunto seja pertinente, quando o é. Por isso, tratei de eu próprio levá-lo a um dos meus blogs, fazendo até um historial dos nove prémios atribuídos (na minha opinião, todos eles merecedores), com as justificações do júri.
    Não posso conceber que um júri de limite a fazer em 2010, 2016 e 2019 o "copy & paste" desta breve justificação, referindo-se às 3 ou 4 centenas de originais - “se apresentavam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas”.
    Talvez não devesse trazer este assunto aqui, porque, sem querer ferir quem quer que seja com a metáfora ou aforismo, "não se deve falar de corda em casa de enforcado".
    Informo ainda, que não concorri e jamais pretendo concorrer ao Prémio LeYa (bem como a qualquer outro prémio). Apesar da fragilidade da minha obra, não estou para levar o "sabonete" de que o meu original seja limitado por "fragilidades estilísticas". E logo eu, que sou sensível a estas picadas de vacina, useiro e vezeiro nas figuras de linguagem como metáforas, paradoxos, eufemismos, presopopeias, hipérboles e demais cacofonias. Tudo muito frágil, como cristal de Sèvres.

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    1. O cristal, só por sê-lo, é bonito. E o cristal de Sèvres é variação bem agradável. Se os seus escritos são assim cristalinos e belos, para que precisa de um concurso? Digo eu.

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    2. A Bea está a ser simpática e agradável. Fico-lhe agradecido, muito embora os meus escritos divulgados não correspondam à beleza comparativa de um cristal de Sèvres.
      Para que preciso de um concurso? Não preciso! Tirando o valor monetário, que posso felizmente sobreviver sem ele, só me interessaria o que interessa ao grupo LeYa: publicidade.
      Eu nem devia "atacar" desta maneira, uma vez que tirando esta coisa dos prémios "ausentes", só tenho a dizer bem do grupo: fui publicado por uma editora do aglomerado e recebo periodicamente os magros direitos de autor sobre as vendas, estas tão magras e escanzeladas como o seria o Rocinante.

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    3. :)). Está bem metido o rocinonte.

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  2. Este é um dos artigos que merece um comentário gigante... Tantas as questões levantadas na reportagem.

    Mas nem sequer vou por aí.

    Na minha opinião pessoal não há falta de escritores com talento, há sim a dificuldade cada vez maior em se editar ficção no nosso país de autores desconhecidos (sem ter de pagar os livros...). Como o negócio está mau - há quem vez menos leitores... - e prefere-se apostar em coisas que se pensa que as pessoas lêem, ou pelo menos compram (livros de auto-ajuda e de culinária, por exemplo), que em novos autores de ficção.

    Eu, por exemplo, não consigo compreender que o Prémio Leya não seja entregue, pela terceira vez, pela falta de qualidade dos concorrentes... Acredito mais na falta de qualidade dos jurados (e até num provável recado na editora, que pode entender que este ano não dá muito jeito gastar todo aquele dinheiro, etc, etc).

    E todas estas dificuldades fazem com que quem escreva, perca a vontade de "crescer", por sentir na pele que não vale a pena, sacrificar tudo pelo desejo de ser escritor. E então escreve para ele próprio, mas sem ambição e sem o intuito de desenvolver o seu talento...

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    1. O que escrevi antes, pode parecer crítica às editoras, mas não é.

      Os actuais donos dos dois principais grupos editoriais, querem ganhar dinheiro com o seu negócio, e por isso, não estão com romantismos.

      E não acho que esta reportagem seja grande coisa, porque se limita a levantar questões, que todos os que gostamos de livros já conhecemos.

      E é completamente ridículo, querer colocar os "novos escritores" e a sua qualidade, no fio da navalha, como se eles é que fossem os culpados das pessoas comprarem cada vez menos livros.

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  3. Não me digam que o talento dos novos autores está em escrever os lugares comuns do menino Afonso, que até me dá uma cosinha má. Quanto ao prémio LeYa, não foi com certeza por falta de qualidade das obras, mas por pura estratégia. Ou então, "lêem" os originais só na diagonal...

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  4. Meus queridos, qual é a surpresa? Até parece que é a primeira vez que isso acontece. Se querem vencer o prémio, comecem a escrever segundo os "parâmetros de qualidade literária" do júri. Escrevam, por exemplo, sobre coitadinhos e pobrezinhos, ou uma treta qualquer sobre sustentabilidade, ou então memórias sobre prisioneiros de guerra ou vizinhos solitários. Coisas assim, sem grande criatividade ou espírito vanguardista, e se cheirar a mofo com léxico verborreico e bananas semióticas, melhor ainda!
    Ah, mas antes tentem ir a muitas e muitas conferências dos amigos dos amigos da LeYa, e não se esqueçam também de bajular e bajular os editores e escritores e autores e críticos e revisores e etc.; enfim, toda essa malta de modestos-sobranceiros que talvez possam dar-vos um empurrãozinho no futuro. Portanto, digam-lhes coisas bonitas, digam-lhes que escrevem todos excepcionalmente bem, que são todos uns pa-ta-ti-ta-ta, e pronto, quem sabe se assim não têm sorte. Afinal, a sorte também se constrói; isto se forem pessoas normais como e não tiveram tido a sorte de nascer numa família burguesa de ascendência erudito-literária (ou apadrinhando por uma, vá lá). O talento não chega, nem a inspiração, nem o trabalho, nada disso. Na verdade, o que conta é a oportunidade que o poder nos dá. Afinal de contas, é ele quem define os "parâmetros de qualidade", mesmo que, em alguns casos, nem sequer se dignifique a explicá-los. Qual justiça? E o pior disto tudo é essa gente já nem ter distância sobre si própria para ver como funciona. Culpam o sistema que supostamente contribuiu para a má qualidade da escrita, mas depois regem-se precisamente por esse mesmo sistema nas apreciações lacónicas que fazem.

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    1. O júri refere-se a qualidade literária, e a qualidade humanística e empática que eles deveriam ter? Um comunciado pobre, sem qualquer tipo de fundamentação. Queixam-se dos tempos que correm e depois cominicam como autómatos. Grande desrespeito pelas pessoas. É a desumanização total do mundo. Uma vergonha para a LeYa. Com a agravante de não haver contraditório. A verdade é a construção deles.

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    2. Cada um é livre de comentar como entende, mas dará mais consistência à sua eventual crítica se escrever fora do Anonimato. Encontro aqui pertinentes questões, alguns exageros até, possivelmente até autores que levaram o epíteto da fraca qualidade referida pelo júri pela sua obra concorrente. por que razão não se hão-de identificar, quando mais não seja com um pseudónimo?
      Com a frontalidade que alguns me conhecem, maxime o facto de não ter concorrido, dar-me-á azo a que comente identificado e acrescente ainda mais isto, sob pena de ser tido por aqui como diplomaticamente "persona non grata".
      Há coisas que são como são, tais como se apura na sabedoria popular que “caminho de inverno e cueiros de menino, ninguém se fie que estejam enxutos”.
      Para se apurar a forma como tão prestigiado prémio é entregue, para uma decisão final (apenas lêem os finalistas já apurados), o júri do Prémio LeYa tem uma particularidade – pronuncia-se sobre obra de ficção sem que tenham publicações próprias nesta área.
      O Prof. Dr. Lourenço do Rosário é um etnografista e contista, com obra publicada e recolhida da tradição oral moçambicana – não é ficcionista.
      O Prof. Dr. José Carlos Seabra Pereira, crítico, bibliografista, estudioso e professor de literatura – não é ficcionista
      A mestre em línguas africanas Ana Paula Tavares, poetisa – não é ficcionista
      A jornalista Isabel Lucas, para além de crítica literário e de um livro sobre a viagem ao sonho americano – não é ficcionista.
      O jornalista e tradutor Paulo Werneck, brasileiro, com onze anos como editor de livros – não é ficcionista.
      Nuno Júdice, apesar de vasta bibliografia, também é com colector de contos e etnografista, poeta e ensaísta – não é propriamente ficcionista.
      Manuel Alegre, para além de eterno presidente do júri e poeta (grande poeta, segundo a minha opinião) – não é propriamente ficcionista e, ao contrário da poesia, sem relevo no romance.
      A propósito do grande valor compensatório deste prémio, não se fie que é o montante atribuído que lhe dá prestígio, mas as obras premiadas. E, tal como comecei, termino com o rifão – “freio de ouro não melhora o cavalo”.

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  5. Texto brutal!!! Muito perspicaz e acertado. O que vou vendo chegar ao ensino superior é toda uma geração sem capacidade de concentração prolongada, com um vocabulário muito reduzido e coloquial, incapaz de montar uma frase (menos ainda um parágrafo). Chegam sem apetência ou aptidão para a leitura e tudo tem de ser instantâneo. Não conseguem tirar notas porque não conseguem determinar o que é importante e o que é acessório e, muito preocupante, não conseguem verbalizar dúvidas. Algo de profundamente inquietante se está a passar a montante...

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  6. Ó MRP apague os Anónimos porque é gente sem tomates, é gente de facada nas costas.

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  7. Bom dia com alegria

    Li com muito interesse o artigo recomendado por nossa anfitriã.

    Li com muito interesse alguns dos comentários até agora produzidos.

    Partilho com a Francisco José Viegas a forma sucinta, compreensivelmente escatológica, como ele perspectiva o problema, pois falamos do futuro do país (Adeus futuro?):

    "Se não houver cuidado, preocupação e incentivo à leitura de qualidade nas escolas, contacto com os clássicos, com a qualidade literária, com os grandes autores, daqui a dez anos poderemos estar todos a publicar merda para gente de merda. Não me parece muito animador"

    Enquanto pai de dois pré adolescentes, tento fomentar o gosto pela leitura, pela honestidade intelectual, pela reflexão, etc, etc.

    Sinto-me diariamente a remar contra a maré!

    Não pelo rumo que os meus levam, apenas e só pelo rumo da corrente.


    De que serve ter livrarias independentes, bons livros publicados se ninguém lhes ligar patavina?

    De que serve ler se não se reflectir sobre o que se leu? Se não se partilham leituras?


    Cara MRP,

    Muito obrigado pela divulgação que aqui faz.

    Que não lhe faltem as forças e o ânimo para prosseguir. Que não permute os seus critérios por outros mais venais.


    Caros Extraordinários,

    [entusiasmado com a verve de FJV]

    Porra, nem todos os anos há Pêra Manca!

    Boas leituras
    cp

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  8. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 07:06

    ESTOU A COMENTAR SEM TER LIDO AINDA O RESTO DOS HABITUAIS COMPARSAS COMENTADEIROS!

    - Interessantíssima análise, do ponto de vista dos profissionais da escrita/edição! Falam do que sabem, óbvia e fundamentadamente.

    - Sim, o Afonso Reis Cabral - de quem me assumo fã, como pessoa e como escritor - é a excepção, talvez um case study (desculpa lá o anglicismo ó Sev!).

    - Assumidamente, não gosto e leio pouco, todos os nomes referidos como "achados" no actual panorama literário português… serei um tosco dum barrão, reacionário, tradicionalista, inculto ou até uma besta, o que quiserem, mas falo como alguém que compra uns 50 livros por ano, portanto se não tenha o peso cultural ou "intelectual", que tenha ao menos o peso economicamente opinativo, pois é a economia (estúpidos!) que parece imperar, pelo que peço aos profissionais e aos marqueteiros que atentem no que digo, pois eu COMPRO livros!
    Os outros, não se ofendam com o que digo, é a dura realidade! No resto já me assumi como tosco!

    - Uma parte do problema já o identificaram, mas não o trabalham ainda: A ficção, o romance caiu… por causa das séries muito boas!
    Será preciso um Nobel da Economia para o perceber? Então escrevam, ficcionem, romanceiem sobre assuntos como os das tais séries… simples não é?
    Já ouviram falar do ovo de Colombo? Pois… mas não, continuam a escrever sobre a tal dita "autoficção" (aprendi agora mesmo) e como eu repetidamente digo: sobre os seus próprios fantasmas, tentando exorcizá-los à custa de nós leitores. De mim não!
    Escrevam sobre assuntos do Mundo, histórias dos outros, do que os rodeie… leiam bons autores para aprenderem com eles a escrever, e fujam do único assunto que conhecem: - vós mesmos!
    E reparem, caíu muito menos nos EUA, o que acredito, dado que continuo a comprar e a ler autores americanos, pois escrevem exactamente aquilo que quero ler e subsituem no meu caso as tais belíssimas séries que a nossa anfitriã muito bem refere!

    Saudações económico-literárias cá da Cidade Morena!

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  9. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 07:16

    Pois é …
    Já li os restantes comentários, e sem surpresa, são coincidentes!!!!
    Inteiramente de acordo, até com os anónimos, se bem que leia nas entrelinhas algum óbvio azedume de rejeição ou inveja, mas que se admite a até concordo, enfim salve a parte da inveja…

    Aguardo mais comentários, pois há Extraordinários (não-anónimos) que ainda não se pronunciaram.

    Saudações não-premiadas cá da Cidade Morena!

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    1. Hoje estou de serviço... E espantado! Só não estou indignado porque não me meti na contradança e me move a inveja por não concorrer.pelo contrário, gostaria de comprar a obra do vencedor, como já comprei as outras.
      Na minha opinião,ó Pacheco - porque às vezes me ponho a cismar como o Bandarra - a não atribuição do Prémio LeYa este ano (como em outros dois anos dos doze aninhos), faz parte de uma estratégia de marketing. O Prémio, para além do custo que é significativo (a editora não arrecadaria nunca um milhão de euros em vendas para pagar tais direitos), estava a entrar numa fase rotineira. Doze edições deixam de ter impacto nos leitores e na comunicação social, caindo no trivial, pelo que é preciso abanar a barraca. O que pensou a estratega ou estratego da coisa? Como o prémio resulta por ser badalado e como a sua não atribuição, por razões de qualidade estilística (ups!), dá ênfase à grande exigência e respeito pelo galardão (re-ups!), nada melhor que deixar os 409 originais na prateleira, como quem diz, na incineradora ou na devolução.
      Ó Pacheco, mas que critérios faltaram? Iguais a alguns finalistas que mereciam ser vencedores e não o foram? Iguais a vencedores que eu, como editor, devolveria o original para poupar uns cobres?
      Revejam os envelopes e se encontrarem algum original que seja meu, eu pago os 100.000 euros, o que quer dizer que não concorri, não concorro e não concorrerei. Sei, à partida, que nunca preencheria os critérios de tal tipo de júri; nem tampouco me submeteria a um júri que não considero à altura de me examinar.

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    2. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 08:21

      Caríssimo Fernando Costa… caramba! Mas não meto no saco dos invejosos… de modo algum! Mas nunca, jamais… você é dos que tem coluna vertebral!
      Fui mal entendido… referia-me aos anónimos ou anónimo, sei lá, que comentaram e a quem em parte dou razão, e a outra não, naquilo em que obviamente se percebe ser uma ferroada a um determinado autor, que me escuso de referir.
      Nada a ver consigo, com mil raios!
      Abraço!

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    3. Sim, caro Fernando, creio que as razões foram essas mesmo, meramente instrumentais. Todavia, nada justifica o comunicado que , como alguém já referiu aqui, nao foi nada empático, faltando até à verdade, pois nada pode ser menos verdadeiro do que não apresentar as provas de que 400 não tinham qualidade....

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    4. Caro Pacheco
      Não, não me referi à inveja em resposta à que expressou. Nada disso. De entre os comentadores que me merecem todo o respeito, é o António Pacheco o primeiro da lista.
      Repare que até me fugiu a "língua" para a verdade, porque escrevi "e me move a inveja por não concorrer". Não queria dizer isto, mas uma vez que o disse, julgo que, com este tipo de actuação jurada, tenho pena de não ter concorrido. E digo isto porque considerando que, sem serem aviltados, os autores a concurso, metidos no mesmo saco, saem exaltados.
      Tenho pena destes três anos.Os meus netos, mais tarde, que não tendo na estante três dos doze livros premiados entre 2008 e 2019, dirão que foi omissão minha, para poupar uns cobres.

      Um abraço deste planalto, onde não estará à venda, na livraria, o premiado LeYa 2019.

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    5. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 08:53

      Também acredito que as razões tenham sido determinadas pelas finanças, e o marketing tratou de o mascarar!
      Como ninguém acredita que em 409 obras nenhuma prestasse… sendo já de duvidar que tenham conseguido analisar bem, todas elas!

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  10. Bem, estive a ler os comentários dos anónimos e não posso estar mais de acordo. De facto, o comunicado desrespeita todos os candidatos, metendo-os todos num mesmo saco e, consequentemente, iludindo a percepção pública; que agora deve pensar que não há bons escritores. Porém, não se esqueçam que o júri só teve acesso aos originais escolhidos pela comissão da LeYa, que não devem ser muitos, e mesmo assim generalizou a ideia do comunicado, como se a LeYa pudesse ter tido o trabalho para ler todos os originais e ser justa. Convenhamos, quantos bons livros se devem perder nos critérios arbitrários das editoras? Muitos, e em 400 e tal nem quero imaginar quantos...
    Tirando algumas excepções, os livros precisam de uma disponibilidade mental para serem lidos, coisa que hoje em dia, dado o trabalho que as editoras têm, não existe. O júri parte do pressuposto, errado, de que todos os 400 livros foram lidos e avaliados, o que seria humanamente impossível.

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  11. Andando cada vez mais pela Academia, começando a conhecer-lhe os truques, manhas, vícios, virtudes, sei que a resposta a «onde andam os novos romancistas?» é um pouco idêntica a «onde andam os novos académicos?» Talvez a melhor resposta a esta pergunta possa ser: os novos romancistas nacionais de tanto esperarem simples¬mente… envelheceram! Cansados de esperar sabe-se lá por quê e de quê. Ou talvez saibamos e não o queiramos dizer. Com esperança de não ofendermos poderes há “demasiado tempo instalados”, desmedidamente habituados a uma expressão e condução de um gosto excessivamente próprio. Ansiosos e esperançosos por uma pequena atenção das novas-velhas casas editoras que de tão pouco arriscarem por autores pouco conhecidos do público, são incapazes de mudarem de agulha — o que fará com que um dia “caiam como o velho Salazar… de velhas”.
    Pois em causa própria garanto-vos que a minha escrita é alegre e continuada. Mesmo se não seguindo camisas-de-força, modelos, que nos querem vender. Mas se escrevêssemos para imitar os outros escreveríamos para quê? Por mim só mesmo pelo prazer que a escrita me dá. E a festa deste trabalho contínuo de muitas horas diárias continua assim. E, se as editoras nacionais nos dizem “Nada!” — como o poderiam dizer se retribuo com “nada”?! — há sempre “o espectro” do esperto estrangeiro de quem dizemos mal, sentindo como uma ameaça, mas que — mais à superfície do que no fundo — vai apenas preenchendo as oportunidades e espaço deixado pelos manhosos, preguiçosos, ascéticos, medrosos e invejosos Portugueses.
    Pois “à conta” desse “malvado” estrangeiro “Amazónico” está aí mais uma trilogia:
    “O Meu Nome É Nemésio – a Inquirição”, “O Livro das Queixas” e “Cada Um Pesca Nas Suas Águas”.
    Quando somos proibidos de pescar nas nossas águas, rumamos assim a outras paragens, engordando as contas dos maléficos estrangeiros em detrimento dos Portugueses. Deixando por respeito aos “Grandes Portugueses” a oportunidade de poderem exercer as suas múltiplas queixas, preguiça, o seu inquietante "medinho" e o "respeitinho" que lhes é devido!
    Andará o nosso “Rei da Literatura” estremunhado e nu?
    Pedro A. Sande

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  12. Pois é, o artigo é bom e não aponta novidades. O mal está identificado. Penso que as séries de qualidade não repudiam o livro, são objectos diversos com fim diverso. E também julgo que a receita não pode ser ir buscar temas idênticos ao de séries de sucesso. Quem escreve livros não voga ao sabor do gosto do público, cada autor decide sobre o que escrever. Também não entendo a razão de não se poder escrever sobre si mesmo, há autores famosos, considerados clássicos da literatura, que sempre escreveram sobre o seu mundo. Julgo que a qualidade do escritor se afirma nessa visão totalizante de um mundo particular.
    Também não relaciono a falta de leitores com a fraca qualidade de escritores. Portugal tem bons escritores. E desinteressa se são novos ou velhos. São bons, dignificam a língua, sabem contar, lêem-se com prazer. Uns já nos deixaram fisicamente há muito, outros andam por aí como se sejam pessoas normais. Que não são, a mente deles alimenta a nossa capacidade de sonho. Sinto profundo respeito pelos escritores, praticam arte de grandeza essencial.
    O ar dos tempos constrói ou já construiu novas pessoas. Mudou-lhes talvez o sonho. O certo é que questiono humanidade que não sonhe.

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    1. Concordo consigo, Bea. Um dos principais problemas é precisamente essa falta de «visão totalilizante de um mundo particular», mundividência ou referencial subjectivo que suporte a identidade de um determinado escritor, tão importante, e cada vez mais confundido com «saber mostrar», tanto veiculado nos cursos de escrita criativa e praticamente institucionalizado nas editoras.
      Há muita pouca cultura estética em Portugal.
      Os grupos editoriais são poucos e detém o poder concentrado, no entanto, isso não se reflectiu em mais meios para lançar novos autores, como as pequenas chancelas de outrora sem ganhos quase nenhuns, mas para alimentar a estrutura dessa pirâmide editorial.
      Quando vi as pequenas editoras a serem agregadas a grandes grupos, confesso que ainda pensei que poderia ser bom, pois poderiam investir mais na divulgação, mas não, pura ilusão. Acho que por aqui fica também clara a origem da "qualidade de leitores"...

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    2. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 11:39

      De acordo consigo Laura!
      Falta sobretudo mundividência (gostei particularmente do seu «visão totalizante de um mundo particular» . Porém acredito que seja defeito de juventude…

      Cumprimentos cá da Cidade Morena.

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    3. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 11:54

      Caríssima Bea, deixe-me explicar melhor:
      - Não defendo que se escreva como se para guiões das tais séries! Mas sim que,
      atendendo às séries de sucesso, e faço notar que são muitas e de variadíssimos géneros, os escritores percebam através delas aquilo que as pessoas estão a gostar de ver e portanto gostariam de ler.
      Ou seja, o autor tem de estar atento às tendências, ao seu tempo e fazer parte dele. A menos que haja um rasgo de génio e se crie uma das tais obras primas, um clássico… e caramba isso é muito difícil e só alguns alcançam.
      Depois e ainda esclarecendo o que penso e digo, para se escrever sobre si mesmo, das duas uma: ou se é alguém com uma experiência significativa e que seja partilhável, ou, novamente, é-se um génio capaz de escrever sobre o seu pé-esquerdo!
      Precisamente o que falta aos escritores mais novos e sobra aos "veteranos", a experiência de uma vida que lhes dê temas e material para escrever, que tenham vivido e visto muita coisa. É por isso que um dos meus temas preferidos são as biografias, e anseio ler a de Jorge Amado! Ele é um marco na escrita não só pelo talento mas pela sua vida rica e cheia de experiências, não sei se me faço entender. Muitos bons escritores foram ou são jornalistas, "voyeurs", assistem ao filme da vida que se desenrola ao seu redor, seja no café, em cenário de guerra, no hotel das férias… e sabem interpretar e trazer-nos para o papel de uma forma magistral, seja qual o seu estilo, em floreados ou telegramas, aquilo que assistem e depois sobre o que ficcionam.
      Não será assim?
      Enfim, é a minha opinião… repito que os livros que compro são os que me interessam, e sei bem o que me interessa ou não, pelo que muitos dos actuais autores portugueses apenas os folheio nas livrarias, e não os levo comigo. Escrevem sobre coisas que não me interessam.
      Mas claro, isto sou eu… talvez não seja a maioria, ou pelo contrário, serei?
      Os homens do marketing que o decidam, mas não pensem que me iludem com premiações ou capas e títulos… nanja!

      Saudações cá da Cidade Morena!

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    4. Talvez os homens escolham as leituras de forma própria. Nunca me ocorreu ir ver o assunto de que trata um livro antes de o comprar. Acontece-me ler uma ou outra página, isso sim. Sei, sou ametódica e os livros tocam-me de ouvido. Já li neste blogue resumos de n livros interessantes. Ainda não comprei um único apenas por esses resumos. A maioria das minhas escolhas tem pouco a ver com racionalidade ou temas que me interessem. É a escrita que me decide a comprar, a gostar, a recomendar e emprestar. E se compro alguns por serem clássicos e não os ter lido, outros são escritos por gente de que nunca ouvi falar, mas escolho-os na mesma.
      Boa noite.

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  13. Conheço muita boa gente que já participou no prémio leya e que, mesmo sem ter sido um dos finalistas, conseguiu, curiosamente, publicar numa chancela da leya. Isto para vos dizer que, por vezes, nem mesmo a própria editora tem noção dos concorrentes e das suas respectivas potencialidades, simplesmente passam muitas coisas boas nessas remessas massivas. Não desistem de escrever por causa desse comunicado absurdo para o zé povinho ver. Não, não concorri ao prémio!
    Laura Figueiredo

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  14. Ouçam o Senhor António Lobo Antunes e não participem nesses premios da treta.

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  15. Em relação ao post: há sempre pessoas com talento, aberrações como dizia a Agustina, e com tanta quantidade de pessoas não acredito que não haja quem se destaca. O que me quer parecer é que vocês têm preguiça para os encontrar. Ah pois!

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  16. Vocês se esquecem que a mesma geração de escritores que estão agora criticar é a mesma que começa a trabalhar nas editoras e a selecionar os manuscritos que depois vocês dizem não gostar. E esta, hein?

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    1. Nem mais, da mesma forma que dizem que é cada vez mais difícil encontrar novos escritores, pelo mesmo raciocínio, também novos editores. Vejo assistentes de editoras muito fraquinhos/as, completamente formatadas pelos chavões da escrita criativa. Imaginem se fossem elas a seleccionar os "bons" manuscritos dos 400. Era bonito! Eheheh

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  17. Este anos temos novamente o Prémio Não Leya.

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  18. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 12:06

    Caríssima Drª Maria do Rosário Pedreira:
    Com a devida licença, sua e dos nossos Extraordinários Confrades Comentadores, atrevo-me a sugerir que o departamento de marketing do seu Grupo Editorial, a Direcção Comercial ou mesmo a Administração, deveriam ler sériamente e analisar o que aqui se disse e ficou hoje escrito.
    Um Gestor competente e profissional, entende aquilo que estou a sugerir e fá-lo-ia.
    É verdade que se criam tendências e é possível influenciar a opinão do público consumidor, mas é mais seguro, rápido e eficaz, ter uma ferramenta de consulta da opinião como é este blog. Nunca o perceberam? Duvido…

    Saudações cá da Cidade Morena.

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    1. A sugestão é boa, se bem que eu, no lugar da Dra. Rosário, preferiria ver-me longe desta frente de combate. Eu mesmo, arregimentado do lado de cá da barricada, não receio que a Ex.ma directora do dep. de Direitos de Autor Edições Gerais me deixe de mandar a folhinha e a ordem das vendas, pois não veja em mim o franco atirador sobre os bens da Casa, até porque não tenho recebido as verbas atribuídas para não passar recibos verdes (este ano), pois enxergo os colminhos brancos dos tubarões do fisco e da segurança social, preparados para abocanhar.
      Não sei se Pais do Amaral manda alguma coisa (conheci o pai dele em Mangualde, onde têm o solar e a quinta, o Palácio dos Condes da Anadia), nem sei quem é o director-geral, nem me interessa, presumindo que Lobato de Faria o seja desde 2008, saído da "Oficina" e actualmente no Clube do Autor. Sei apenas que o editor Manuel Alberto Valente, marido da Rosário, é da Porto Editora.
      Isto tudo para dizer que alguém, na cúpula, devia estar de sobreaviso. A não atribuição do prémio descredibiliza o Grupo, pois não haverá um único português com raciocínio, que não veja uma estranha perplexidade de tornar pacotilha 409 originais, achando-os sem qualidade, tanto mais que são preparados pelos autores para competir. E podem até pensar que aqui há ludíbrio, ganhando publicidade e poupando aquela "pipa de massa".
      Manuel Alegre para me deixar satisfeito (porque admiro A Trova do Vento que Passa), devia pensar que este é um inusitado resultado que se intitularia "A Trova do prémio Que Passa".
      Se posso parafrasear a poesia, moldando-a à minha maneira, aqui vai dedicada ao Pacheco:
      "Pergunto ao prémio que passa sobre os concorrentes do meu país
      E o vento cala a desgraça, o vento nada me diz;
      Pergunto aos editores que levam tanto sonho à flor das gráficas
      E os editores não me sossegam, levam sonhos deixam desgraças".

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    2. António Luiz Pacheco30 de outubro de 2019 às 13:49

      Tunga!
      Gostei e agradeço a quadra!
      Abraço!

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    3. A propósito da minha informação (mal informada) parece-me que quem coordena a coisa nem poderá ser o administrador - delegado Isaías Teixeira, mas Tiago Morais Sarmento, o COO do Grupo. Este acrónimo significa Chief Operating Officer e corresponde ao executivo que coordena de perto as rotinas operacionais de uma empresa.
      Como tem contacto no Linkedin, tanto ele como o administrador-delegado, talvez lhe exponha estas preocupações, se eles as aceitarem, bem entendido, porque a LeYa continua a ser, para mim, para além de uma editora de referência, a da minha preferência.
      Continuo na minha e com isto fecho o dossier Prémio LeYa 2019: a editora saiu descredibilizada; perderá certamente a confiança dos quatrocentos concorrentes (serão menos se algum duplicou a dose de originais); ficará como useira e vezeira em "flops" de prémios ribombantes. Se acham que são muitos originais, tornem o prémio bienal ou reduzam o montante, mas não façam de parvos os "pobres" concorrentes,porque quem é parvo, segundo o povo, deve pedir a Deus que o mate ou ao Diabo que o leve.

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  19. Uma editora hoje em dia é 95% comercial, dirigida para resultados e objectivos, entre eles criar reputações através de prémios e organizar eventos para vender livros, e poupando o mais que pode em funcionários. De vez em quando lá edita um ou outro novo autor, que é para dizer que está atenta aos novos talentos, Portanto, esse discurso da falta de "maturidade literária " , parece-me encaixar como uma luva no modos operandi editorial. Assim já fica tudo explicado por que razão editam tão poucos novos editores e não dão prémios. O que está acontecer aqui é o mesmo fenómeno de 1984 de Orwel. Em todas os momentos históricos existiram pessoas fora da caixa e a escrever bem. Não generalizem.

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