O gato na figueira
Dizem que os gatos gostam de subir às árvores (atrás dos pássaros) e que não gostam de viajar, sobretudo de carro; mas eu já tive de fazer uma longa viagem de avião ao lado de uma senhora americana muito gorda que, ainda por cima, trazia aos pés uma dessas caixas grandes de plástico com grades que tinha um bichano lá dentro. (Ele vinha confortável, suponho, porque nem o ouvi miar… Já à dona, transbordando do assento, foi difícil ignorá-la.) Agora, porém, vou ajudar a levar um gato até à Figueira da Foz, já que hoje à noite, pelas 21h30, na biblioteca daquela cidade, será a vez de Ana Margarida de Carvalho falar do seu muito aplaudido Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato nas 5.as de Leitura que ali acontecem uma vez por mês e são moderadas por António Tavares, também escritor e vice-presidente do município. Tenho a certeza de que o gato se portará bem pelo caminho e bem assim quando subir à Figueira, ou não fosse a sua autora excelente conversadora. Se estiver por perto, venha fazer-nos companhia.
Portanto parece-me que as escritoras de apelido Carvalho serão particularmente afectas à gataria... ahahah!
ResponderEliminarCertamente que nem todos os Extraordinários alcançam esta minha conclusão, mas fica no ar o mistério para darem uso às suas imaginações literatureiras... miau! Eheheh!
Saudações felinas cá da Cidade Morena!
E para além dos gatos nos títulos dos livros são ambas filhas de escritores de primeiríssima água.
EliminarE por falar em água, confirma-se: "Filhas de peixem sabem nadar".
E mais não digo, para não estragar o mistério...
Antonieta
Filhas de peixe... parece que sabem é miar!!!! Ahahahah!
EliminarMiar? Isso não sei, mas lá que sabem escrever, e bem, disso não tenho qualquer dúvida.
EliminarE que são filhas de dois grandes escritores também não: Rómulo de Carvalho e Mário de Carvalho.
Logo confirma-se o ditado: Filho/a de Peixe sabe nadar.
Antonieta
Este livro da Ana Margarida de Carvalho, como alguém disse há tempos, é um hino à língua portuguesa. Maravilhoso, maravilhoso... E espero sinceramente que arrecade muitos prémios, pois de facto merece esse destaque!
ResponderEliminarDivirtam-se e uma abraço mesmo grande à Ana Margarida de Carvalho.
Carla Pais
Muitos escritores adoraram gatos; só para citar alguns: Hemingwei, Truman Capote, Bukowski; Jorge Luis Borges tem até um poema dedicado a um gato; ainda não li o livro da Ana Margarida, mas eu também prefiro os bichanos aos cães e um familiar meu tem uma "scotish fold" que é uma doçura; acho que os gatos são uma companhia mais literária que outros animais de estimação; alguns até adoram bibliotecas, dizem!
ResponderEliminarPara além do Borges muitos outros escritores dedicaram poemas a gatos: Pessoa, Eugénio de Andrade, Manuel António Pina, Alexandre O'Neill, Neruda, Eliot, Baudelaire, Irene Lisboa.
EliminarMas também a Doris Lessing, o Cortázar e o nosso Agostinho da Silva, para só citar três, adoravam gatos e escreveram sobre eles.
Eu também prefiro os gatos aos cães.
Antonieta
E Cesariny. O eterno esquecido...
EliminarPor acaso o Cesariny até está numa antologia de poesia sobre gatos (Assinar a Pele, Assírio & Alvim, 2001), não com um poema mas com um pequeno texto de prosa poética. Mas são cerca de 50 autores... impossível mencionar todos.
EliminarE o Cesariny não está esquecido.
Qualquer leitor que compre um livro da Elsinore (e eu já comprei vários) tem logo na 2a. folha do livro o magnífico poema "You Are
Welcome to Elsinore":
«Entre nós e as palavras há metal
fundente...».
Lindo!
Antonieta
Não estarei na Figueira da Foz porque já estive com a autora num encontro literário realizado em Montemor-o-Velho, em outubro.
ResponderEliminarVou passar a noite junto ao borralho, com outro gato.
ABC
Acredito e desejo que seja uma tarde boa na Figueira. Li o livro e a autora tem uma prosa muito própria e de qualidade superior aliada a um imoderado imaginário. Também me pareceu ter havido aturado trabalho de pesquisa. E julgo que será cada vez mais uma voz em estereofonia na nossa literatura. O mal deve ser muito atractivo no romance, a gente do livro vem do piorio e pouco muda. A trama é gloriosa.
ResponderEliminarLi "Que importa a fúria do mar" e não fiquei plenamente convencido.
ResponderEliminarPorém, comprarei este último romance para tirar teimas.
Creio que já aqui falei do meu relacionamento com os gatos.
ResponderEliminarOra deixa cá ver... cá está: foi um comentário ao post de 16 junho 2015.
É que até me deu para coleccionar poemas sobre gatos.
E até tenho encaixilhado este de Alexandre O'Neill:
« Gato
Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato?, pesadelo lento e lesto,
fofo no pêlo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos? »
... ...
(Noutra modalidade da poesia, que é a fotografia, quem também capta muito bem o misterioso olhar dos gatos é Kristina Buceatchi. Vale a pena procurar no google.)
... ...
Tenho pena de não poder ir hoje à Figueira da Foz, pois que é a cidade onde vivi a parte fundamental da juventude e onde, nessa condição, pelos anos 60 aprendi a jogar ao-gato-e-ao-rato com a ditadura.
Porém, na próxima terça-feira às 18h00 lá estarei, sorrateiro como um gato, no Casino, para o lançamento de um livro de que sou co-autor, e no qual recordo e homenageio esses tempos, essas lutas.
Considerem-se convidados.