Traições

(Antes que me esqueça: hoje o Manel lança o seu novo livro de poesia. O Menino Que Via Passar Comboios, às 18h30 na Buchholz. Apareçam.)

Amanhã é o Dia Internacional da Tradução, e os tradutores, como sabemos, estão hoje realmente ameaçados. Por todo o lado se fazem já traduções, mesmo de livros literários, com recurso à Inteligência Artificial e, com o aperfeiçoamento tecnológico, é de crer que muitos profissionais de tradução e revisão deixem futuramente de poder trabalhar, substituídos por máquinas cada vez mais competentes e rápidas. Ouvi dizer que, na maioria dos casos em que companhias de teatro ou ópera estrangeiras vêm apresentar espectáculos a Portugal, as legendas traduzidas já são criadas por IA; e que, em boa parte dos festivais e reuniões internacionais (aquelas x-Summit que bem conhecemos), para a tradução das intervenções já não se recorre a gabinetes de intérpretes, até porque a aparelhagem é muito cara, mas a programas de IA que dão muitas calinadas e fazem até rir de vez em quando os espectadores. Enfim, para todos os efeitos, é preciso debater o assunto; por isso, amanhã haverá na Faculdade de Letras, em Lisboa, uma conversa com intervenientes das Universidades de Coimbra e Lisboa. Deixo a sugestão a quem queira estar presente. 

 


 

 

Comentários

  1. Não tenho conhecimento bastante para julgar esta questão... porém sou capaz de pensar, de usar as funções da inteligência, de selecção, análise e síntese, com recurso ainda a outras capacidades que me conduzem ao enquadramento, que não são artificiais e nem poderão alguma vez ser recriadas, como a sensibilidade e senso comum.
    Assim, manifesto as minhas dúvidas quanto à capacidade de a IA conseguir traduzir, com sensibilidade, poesia, estética, a subjectvidade ou o que não seja concreto. Uma tradução maquinal tiraria a alma a qualquer texto, sobretudo aos mais elaborados.
    Se calhar, traduzir por IA um romance de Hemingway, será possível sem afectar grandemente o sentido do texto. Porém gostaria de ver a IA a traduzir para inglês o nosso Luciano Megera... ahahah!
    Aliás nem imagino nenhum tradutor a fazê-lo, quanto mais uma máquina!
    E veja-sem as traduções ou legendas em rodapé, que só reproduzem calinadas, mesmo!
    Livros traduzidos por IA? Entendo que será a maior desgraça para a divulgação da literatura pela má qualidade dos textos finais. Não acredito que vinguem, pelo menos ainda no meu tempo de os comprar e ler.
    Veremos!

    Saudações naturais cá da Cidade Morena!

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