O que ando a ler
Estão aí todos? Mesmo todos? Espero bem que sim. Fecharam-se as portas da casa antiga para sempre e agora temos de viver neste apartamento experimental para onde trouxe o básico, mas que ainda necessitará provavelmente de umas obras. De vez em quando, farei os meus erros ou faltarei à chamada, tirando talvez tempo para aprender a arrumar este novo espaço. Veremos como corre. Por favor, vão dando o vosso feedback. Ora, num regresso ao passado, tomo o primeiro dia do mês para falar do melhor livro que li nas férias: chama-se Pirilampo e foi escrito por Natalia Litvinova, uma bielorrussa que vive em Buenos Aires desde os dez anos (foi para lá em 1996) e que escreve em espanhol, tendo ganho o Prémio Lumen de Romance com este seu livro que fala essencialmente de uma família que vivia muito perto de Chernobyl quando se deu a explosão na Central Nuclear e da influência desse incidente na vida de todos. Com avanços e recuos, a autora compõe as memórias (algumas inventadas) da narradora e dos seus parentes, que talvez brilhem no escuro por causa da radioactividade (daí o título Pirilampo), enquanto atravessa a segunda metade do século XX, levando-nos ao nazismo e ao estalinismo, mas também à actual xenofobia dos argentinos e à estupefacção de uma rapariga educada na União Soviética sobre a falta de disciplina na escola de um país democrático. Duro mas extremamente poético, tem uma prosa que brilha como um pirilampo. Vale mesmo a pena.
Ora formalmente cumpridas as formalidades formais, pareço ter formalizadamente acesso a entrar neste espaço por via formal. Muito bem!
ResponderEliminarBom regresso e esperemos que na nova casa tenhamos tanta alegria e bem-estar quanto na anterior.
Começo por dizer que a descrição de "Pirilampo" me atraiu pois parece ser a extensão da minha amiga Irina, uma veterinária russa que conheci aqui em Angola e é das nossas relações habituais. Tem uma história muito semelhante a esta, salvo pelo detalhe de Chernobyl, mas no resto é em tudo muito parecida e na verdade tem sido uma espécie de guia para entender os russos soviéticos, alguns dos quais se instalaram em Angola, casando e constituindo aqui família. Conversamos bastante, é bastante culta mas surpreendentemente ingénua no que toca a política e até história Mundial, pois só conheceu uma versão dela. Está cá vão 30 anos mas permanece algo desinformada em muitos aspectos sobre os quais também não tem tido com quem falar, conclui-se. Sabe o que se passa no Mundo, óbviamente, mas no tocante ao passado a sus visão é muito reduzida, o que não me espanta. No entanto já se apercebeu de que aquilo que lhe contavam não era a realidade. Portanto vou procurar ler o Pirilampo.
Saudações a todos cá desde a Cidade Morena, apareçam!
Extraordinário, como sempre, estas postagens pela sua utilidade literária-divulgativa!
Estou presente.
ResponderEliminarFico muito satisfeito por o blogue ter sido reposto e ainda mais por a sua Extraordinária autora estar de volta.
ResponderEliminarSe introduzir alterações no futuro próximo gostaria que repusesse o tamanho da letra, que era magnífico.
O que ando a ler é O Louco de Deus no Fim do Mundo. Não tenho apreciado as obras de Javier Cercas mas tive curiosidade por este livro sobre o Papa Francisco, uma mescla de crónica com ficção e até alguma reflexão religiosa. Vou quase a meio sem grande entusiasmo.
Vou tratar disso.
EliminarO relógio que governa o blogue deve carecer de acerto. Registou que publiquei às 08:14 mas eram 16:14.
ResponderEliminarA letra parece-me pequena (até me parece mal aproveitado, o espaço) e no meu computador o blogue aparece-me descentrado. Do lado esquerdo há uma faixa vertical grande, sem nada. Fora estes comentários, que só pretendem ajudar, o importante é que mantenha o blogue.
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