Pois não. Felizmente para mim, descobri-o há muitos anos, mas quem quiser conhecer a sua obra ainda vai muito a tempo, e essa será a mais bela homenagem que lhe poderá prestar. Que tenha seguido pelo tal caminho caminho de rosas... 🌸 Maria
Só que foi um ser humano de uma gentileza ímpar. «Para mim talvez interessante seja que haja gerações mais novas que encontrem em mim alguma coisa de estimulante naquilo que escrevo. Isso é que é realmente a consolação das consolações.» Seguramente, caro Eduardo Lourenço. Eterna gratidão.
Junto ao Prof. Engº Gonçalo Ribeiro Telles, é outro Grande Desaparecido neste terrível ano de 2020... de quem já alguém disse ter encontrado a explicação, que foi o Mundo acabar em 2019 e nós sermos os que não foram para o Céu!
Dois pensadores de Portugal, dois arquitectos do saber e da portugalidade. O "Labirinto da saudade" é uma obra que fica para sempre.
A minha memória maior de Eduardo Lourenço vem do prazer imenso que eu tinha ao vê-lo improvisar sobre um tema que estivesse dentro dos seus interesses. Fiquei sempre com a sensação que ele próprio se surpreendia com aquilo que ia descobrindo à medida que deixava fluir o seu pensamento em associação livre. Como se fosse um Sócrates do monólogo, cujo diálogo interior era suficiente para o questionar a ele próprio e o levar à procura de novas ligações e de novos caminhos. Alguns dos "espetáculos" mais memoráveis que tenho tido o prazer de fruir ao longo da vida resultam do testemunhar ao vivo o funcionamento de cabeças privilegiadas, como a de Eduardo Lourenço. Fascinante !
Li o Labirinto da Saudade, Fernando Rei da Nossa Baviera, Poesia e Metafísica e o último Crónicas Pouco Marcianas. Revi a Fotobiografia-Tempos de Eduardo Lourenço de Maria Manuela Cruzeiro e Maria Manuel Baptista. Tive oportunidade de conviver com ele em Paris, num colóquio no CCB, onde falou sobre o livro e as novas tecnologias e num almoço de confraternização dos beirões .Também estou interessado no Pessoa Revisitado e em ouvir o Requiem Alemão de Brahms uma das suas músicas favoritas.
Estão aí todos? Mesmo todos? Espero bem que sim. Fecharam-se as portas da casa antiga para sempre e agora temos de viver neste apartamento experimental para onde trouxe o básico, mas que ainda necessitará provavelmente de umas obras. De vez em quando, farei os meus erros ou faltarei à chamada, tirando talvez tempo para aprender a arrumar este novo espaço. Veremos como corre. Por favor, vão dando o vosso feedback. Ora, num regresso ao passado, tomo o primeiro dia do mês para falar do melhor livro que li nas férias: chama-se Pirilampo e foi escrito por Natalia Litvinova, uma bielorrussa que vive em Buenos Aires desde os dez anos (foi para lá em 1996) e que escreve em espanhol, tendo ganho o Prémio Lumen de Romance com este seu livro que fala essencialmente de uma família que vivia muito perto de Chernobyl quando se deu a explosão na Central Nuclear e da influência desse incidente na vida de todos. Com avanços e recuos, a autora compõe as memórias (algumas inventadas) da narrad...
No dia do lançamento do novo romance de valter hugo mãe, encontrei imensa gente indignada com o facto de o autor da crítica ao livro publicada no Ípsilon da véspera – outro escritor (José Riço Direitinho) – lhe ter dado apenas duas estrelas e meia. A indignação, porém, não vinha só de se dar nota quase negativa ao romance (cinco estrelas é o máximo) – até porque algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido –, mas de, nesse mesmo suplemento, terem sido classificados com quatro estrelas livros de autores de um nível literário francamente mais baixo, como José Rodrigues dos Santos ou Mónica Marques. Na verdade, se os leitores se guiarem por estas classificações para saberem que livros devem ou não ler, a situação pode ser perigosa e extremamente injusta, na medida em que qualquer das obras de um Escritor (com E), mesmo que gore de algum modo as expectativas dos seus leitores, será sempre infinitamente melhor leitura do que uma ficção menor. Parece-me, porém, que o critério ...
Há muitas razões para não se simpatizar com certas pessoas e empresas, e já sabemos que em Portugal somos peritos em detestar quem tem dinheiro e quem tem sucesso. Não surpreende, por isso, que ao primeiro desaire do festival Babell (o atraso do conferencista inaugural e a falta de auriculares para todos os membros do público ouvirem a tradução simultânea), caísse tudo em cima a martirizar os responsáveis. Foi chato, calculo, ficar duas horas ao sol à espera da vedeta (apesar de a organização do festival ter oferecido chapéus, no que esteve bem); e, segundo percebi, pior foi não se ter apercebido logo de que o alemão seria a língua de comunicação da estrela do Oriente e usar a IA para a tradução, o que provocou risadas em certos casos. Porém, sendo a primeira vez de um festival destas proporções, vá lá, podiam perdoar estas falhas, tanto mais que, ao que leio por todo o lado, o resto foi um absoluto sucesso e encheu as medidas de todos os que puderam assistir às conversas de gr...
Pois não.
ResponderEliminarFelizmente para mim, descobri-o há muitos anos, mas quem quiser conhecer a sua obra ainda vai muito a tempo, e essa será a mais bela homenagem que lhe poderá prestar.
Que tenha seguido pelo tal caminho caminho de rosas...
🌸
Maria
Só que foi um ser humano de uma gentileza ímpar. «Para mim talvez interessante seja que haja gerações mais novas que encontrem em mim alguma coisa de estimulante naquilo que escrevo. Isso é que é realmente a consolação das consolações.» Seguramente, caro Eduardo Lourenço. Eterna gratidão.
ResponderEliminarJunto ao Prof. Engº Gonçalo Ribeiro Telles, é outro Grande Desaparecido neste terrível ano de 2020... de quem já alguém disse ter encontrado a explicação, que foi o Mundo acabar em 2019 e nós sermos os que não foram para o Céu!
ResponderEliminarDois pensadores de Portugal, dois arquitectos do saber e da portugalidade.
O "Labirinto da saudade" é uma obra que fica para sempre.
Saudações melancólicas, cá da cidade de Luanda.
Sem dúvida dois grandes portugueses!
EliminarA minha homenagem.
Perdemos um dos nossos maiores pensadores.
ResponderEliminarComo de costume, quem olha de fora, consegue ver tudo com mais nitidez...
Quero muito ler o seu, "Pessoa Revisitado".
A minha memória maior de Eduardo Lourenço vem do prazer imenso que eu tinha ao vê-lo improvisar sobre um tema que estivesse dentro dos seus interesses. Fiquei sempre com a sensação que ele próprio se surpreendia com aquilo que ia descobrindo à medida que deixava fluir o seu pensamento em associação livre. Como se fosse um Sócrates do monólogo, cujo diálogo interior era suficiente para o questionar a ele próprio e o levar à procura de novas ligações e de novos caminhos. Alguns dos "espetáculos" mais memoráveis que tenho tido o prazer de fruir ao longo da vida resultam do testemunhar ao vivo o funcionamento de cabeças privilegiadas, como a de Eduardo Lourenço. Fascinante !
ResponderEliminarA minha singela e sentida homenagem ao ETERNO PROFESSOR EDUARDO LOURENÇO,
ResponderEliminaraqui https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/12/aos-90-anos-de-eduardo-lourenco.html,
aqui https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/12/escrita-e-morte.html e
aqui https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/12/eduardo-lourenco-os-seus-poemas-de.html
RIP.
Li o Labirinto da Saudade, Fernando Rei da Nossa Baviera, Poesia e Metafísica e o último Crónicas Pouco Marcianas. Revi a Fotobiografia-Tempos de Eduardo Lourenço de Maria Manuela Cruzeiro e Maria Manuel Baptista. Tive oportunidade de conviver com ele em Paris, num colóquio no CCB, onde falou sobre o livro e as novas tecnologias e num almoço de confraternização dos beirões .Também estou interessado no Pessoa Revisitado e em ouvir o Requiem Alemão de Brahms uma das suas músicas favoritas.
ResponderEliminarÉ uma grande peça! Ouvir a versão com a Gundula Janowic: ihr habt nun Traurigkeit.
EliminarUm zacatrás para o camarada do CM, o 92 de 1934.
ResponderEliminarÀs vezes os silêncios são vazios, são opacos
ResponderEliminarEste não. É colapso..
Mas a Força do seu Pensamento corre no Rio da Vida a todo o Tempo.