O ALA
Às vezes, na voracidade dos dias, alguém na editora falava do «ALA». Referia-se, claro, a António Lobo Antunes, fazendo uma sigla a partir das iniciais do seu nome. Não era um autor que, nos últimos vinte anos, fosse regularmente à editora, nem um autor que desse demasiadas entrevistas, sobretudo fora do âmbito de um romance ou livro de crónicas que tivesse acabado de lançar. No fundo, sabe-se pouco sobre o homem que foi ALA; e uma maneira bonita de o homenagear é justamente deixar falar a seu respeito quem com ele privou. Amanhã, pelas 18h30, no Grémio Literário, em Lisboa, vamos poder ouvir justamente a sua mulher, Cristina Lobo Antunes, explicar como era ser casada com ele; uma das suas filhas dirá sobre o pai que ele era; Miguel Lobo Antunes contará como era o irmão e Daniel Sampaio como era ser seu amigo. Ainda se ouvirá falar do que lia (Rui Cardoso Martins), do psiquiatra que foi (Maria Rueff), do melómano (Vitorino), do alferes miliciano (Boaventura Martins) e ainda de como era como entrevistado, do que falará a jornalista literária Isabel Lucas. Como diz o comunicado que anuncia a sessão, «um António como nunca se viu».

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