Entre o final do século XIX e o primeiro programa de culinária na televisão nacional (1958), dezenas de mulheres portuguesas – muitas desconhecidas, algumas celebrizadas, outras escondidas atrás de pseudónimos – publicaram livros de culinária que moldaram a economia doméstica, os saberes alimentares e a identidade gastronómica do País. O Lugar da Mulher É na Cozinha? – As Primeiras Autoras Portuguesas de Livros de Culinária (1894-1967) reconstrói, pela primeira vez, a história integrada dessas autoras e dos seus livros, analisando um corpus cronologicamente contínuo, desde os primeiros manuais domésticos escritos por mulheres até à transição para a modernidade alimentar. Com prefácio de Inês Meneses e aturada investigação histórica, incluindo imprensa feminina e abordagem de contexto social e político, Guida Cândido, já premiada várias vezes com os seus livros, publica mais uma obra importantíssima no âmbito da História da Alimentação, que inclui uma selecção de cinquenta receitas comentadas, revelando ainda como a cozinha se tornou palco inesperado de voz, criatividade, autoridade e, por vezes, resistência.
A saga das estrelinhas
No dia do lançamento do novo romance de valter hugo mãe, encontrei imensa gente indignada com o facto de o autor da crítica ao livro publicada no Ípsilon da véspera – outro escritor (José Riço Direitinho) – lhe ter dado apenas duas estrelas e meia. A indignação, porém, não vinha só de se dar nota quase negativa ao romance (cinco estrelas é o máximo) – até porque algumas das pessoas escandalizadas ainda não o tinham lido –, mas de, nesse mesmo suplemento, terem sido classificados com quatro estrelas livros de autores de um nível literário francamente mais baixo, como José Rodrigues dos Santos ou Mónica Marques. Na verdade, se os leitores se guiarem por estas classificações para saberem que livros devem ou não ler, a situação pode ser perigosa e extremamente injusta, na medida em que qualquer das obras de um Escritor (com E), mesmo que gore de algum modo as expectativas dos seus leitores, será sempre infinitamente melhor leitura do que uma ficção menor. Parece-me, porém, que o critério ...

Boa notícia e belo tema, para descontrair, se me lo permitem.
ResponderEliminarTenho na minha biblioteca, incluindo um nicho na parede da cozinha onde guardo livros de culinária, várias obras que foram da minha avó, tias, mãe, parte dos quais escritos por mulheres. A começar pelo "Larousse de la cuisine" e outros bem antigos, muitos de autoras estrangeiras e depois portuguesas. Não sei nomes, excepto Berta Rosa Limpo (O livro de Pantagruel), e claro a incontornável Maria de Lurdes Modesto que conheci pessoalmente e com quem cheguei a interagir quando fui responsável pelos perecíveis no Pingo Doce (1986-1996). A colaboração desta com o Grupo JM sendo bem antiga, só digo que me foi muitíssimo agradável e gratificante.
Como me interesso muitíssimo pelo tema da culinária, vou garantidamente ler este livro!
Aliás conheço já a autora.
O título faz-me lembrar o que minha avó Maria Cecília costumava dizer para correr connosco: mulheres na cozinha, homens na taberna e cães na rua! Para quem queira perceber, este dito faz todo o sentido.
Em dada altura a culinária tornou-se moda e actualmente até é chique, cozinhar denota cultura e é exibição de bom gosto! Infelizmente, uma data de pategos e outros tontos, procuram por essa via notabilizar-se e agora vejo, sobretudo na TV, estragarem coisas boas com receitas absolutamente parvas, como "filetes de faneca com tempura", o que é um crime de lesa-peixe! As fanecas que não são filetáveis, são o peixe dos 3 FFF: Fanecas, Frescas, Fritas! A que o senhor D. Pedro acrescentou "Fiadas" - o Paulo Moreiras deve conhecer a história e concordará comigo.
Enfim! Estes temas Extraordinários também servem para desopilar.
Saudações receiteiras cá da Cidade Morena,