Dignidade

Estava hoje de manhã na editora a falar com um colega da falta de dignidade com que frequentemente somos tratados pelos médicos. No ano passado fui operada a uma anca, mas até descobrir o cirurgião passaram meses. Um dia, recomendaram-me um grande catedrático e operador. Milagrosamente, consegui uma consulta; quando, depois de duas horas de espera, fui atendida, entrei no gabinete, sentei-me e, antes sequer de eu dizer ao que ia, ele perguntou de rajada: «É para operar?» Deu-me o número da secretária e uma data de papelada para a mão, explicando que a lista de espera era de três meses. Não fez mais perguntas, não me quis ver a perna, não me mandou mexer, nada. E ainda tinha atrás dele um provável estudante de Medicina, nunca me tendo explicado quem era o jovem nem pedido autorização para ele assistir à consulta. Eu era apenas um porta-moedas na frente dele. Pois o senhor até podia ser um bom operador, mas não me senti bem tratada, saí, paguei e fui a outro médico talvez menos sonante, mas mais humano. Contava esta história a um colega quando li por acaso que hoje, no El Corte Inglés, às 18h30, António Bagão Félix vai falar da Ética (do Cuidado) e Dignidade da Pessoa. Espero poder lá ir. E quem sabe convidar vários médicos muito pouco humanos para também lá irem aprender qualquer coisa.

Comentários

  1. Há efectivamente uma categoria de mercenários em todas as classes profissionais!
    A ética deveria ser uma cadeira obrigatória na formação de qualquer profissional enquanto forma de relacionamento interpessoal com clientes, colaboradores, colegas, em que entrasse essa componente da dignidade e no tratamento de outrem.
    Poderia dizer "neste país" (referindo-me a esse, nosso, evidentemente) mas tenho que dizer que é global, a forma indigna como se tratam as pessoas, enquanto a preocupação maior dos "tontinhos" (como passei a designar os woke) e activistas é o tratamento dado a díscolos, arruaceiros, vândalos, terroristas e criminosos em geral, em detrimento das pessoas com as quais não se preocupam.
    Sinal dos tempos? Fim de uma civilização? Temo bem que sim...
    Saudações dignas cá da Cidade Morena.

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  2. Já seria desumano ele fazer isso com qualquer e todo ser humano, imagine só ele fazer isso com uma poetisa como a Maria do Rosário! Humpf.

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