A culpa da IA

Recentemente, a história veio a lume. A Academia Goncourt, responsável pela atribuição em França do prémio literário com o mesmo nome (talvez o mais prestigiante para um autor de língua francesa), fez sair um comunicado a dizer que iria retirar um dos romances da lista de nomeados deste ano. Tratava-se de C'était ça ou mourir, de Thélyson Orélien, escritor e jornalista de ascendência haitiana e nacionalidade canadiana. Ao que se soube, o jornalista foi acusado de escrever em jornais vários artigos plagiados, recorrendo à Inteligência Artificial. Orélien admitiu que era verdade nos artigos, mas desmentiu categoricamente que tenha recorrido a quaisquer ferramentas de IA na escrita do romance que está na lista do Prémio Goncourt e que, além de já ter recebido uma data de prémios e estar nomeado para outros tantos, foi vendido em cerca de 20 países, incluindo Portugal. Porém, não sendo possível a Academia provar que as declarações de Orélien são verdadeiras, achou mais prudente retirar do prémio C'était ça ou mourir. Em Portugal, a decisão foi suspender para já a publicação, o que de resto aconteceu na maioria dos países onde os direitos tinham sido vendidos. Mas em França o romance, até pela polémica, continua na lista dos mais vendidos.

Comentários

  1. Vejamos, se bem entendi, escreveu artigos usando a IA?
    Ora... "niil novi sub sole" (sic), e, a IA faz aquilo que se espera dela, não cria - portanto é inteligência como? - porém procura e lógicamente encontra algo que se encaixa. Daí, sai plágio, evidentemente. Isto se estou a ver bem as coisas.
    A preguiça, a ligeireza em usar meios artificiais, etc. devem ser punidos?
    Não sou juiz, porém penso que sim, pois suponho que continue a haver quem escreva artigos usando a sua própria mente.

    Quanto ao romance, é capaz de ser mais difícil, digo eu que nunca experimentei escrever nada com recurso à IA, porém acredito que desde que não pretenda escrever as 20.000 léguas submarinas, é capaz de ser difícil a IA copiar integralmente aquilo que pretendo. Usei citações, que fui buscar a livros de outrem, porém devidamente identificadas. Julgo que o uso da IA ficaria por aí? Por recorrer a citações?
    O autor não consegue provar que não recorreu a IA? E o júri consegue provar que sim? Parece-me um impasse e no caso de o júri não o conseguir provar, creio que não pode haver decisão como se o fôra, ou estarei errado? A presunção de inocência deveria preponderar.
    No entanto parece-me que vivemos tempos em que se corre a sentenciar e executar sem mais nem menos, compulsiva e insensatamente . Nem a Inquisição ou os imãs conseguiriam ser tão drásticos e severos! É censura pura e simples, o temor de ser visto como reaccionário, contra-corrente, não-alinhado, sei lá...
    Triste época em que se criam coisas como a IA e se recriam outras que deveriam ter sido abolidas, espero que mandem queimar numa grande fogueira os exemplares do polémico romance, já agora e para dar corpo à negra inclinação do juízo absoluto vigente.

    É demais para mim... saudações cá da Cidade Morena onde também se sente a imposição do policiamento das idéias.

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  2. Andava a pensar recorrer à IA para apostrofar uns tipos que eu cá sei mas, face às ameaças, o melhor é meter a viola no saco. Ou talvez não, depois da marosca descoberta o efeito iria ser maior pois ficaria conhecido. Não é isso o mais rentável?

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