Terroristas, refugiados e poesia para falar deles

Hoje faço 67 anos (tantos!) e não andarei por aqui, mas deixo publicado o post porque quero que se organizem todos para a sessão que conduzirei amanhã na Livraria Buchholz com Carla Pais, a autora do romance vencedor do mais recente Prémio Leya, intitulado A Sombra das Árvores no Inverno. É um livro que fala das grandes diferenças sociais entre os países árabes e a Europa, das ainda maiores diferenças entre terroristas e migrantes e refugiados, de vidas abaladas desde a infância por guerras injustas (como algumas das que hoje vivemos, infelizmente, por causa de loucos como Trump, Putin, o Hamas ou Netanahyu). O livro pega em três famílias (uma francesa, outra do Mali e a última da Síria) e é a partir delas que, em vários tempos e locais, nos falará dos custos para os civis das guerras do terror e da xenofobia dos países ditos desenvolvidos. Carla Pais estava em Paris quando se deu o ataque à mão armada pelos radicais islâmicos numa discoteca onde estava a acontecer um concerto e não conseguiu obviamente ficar indiferente. Se escrever este romance foi a sua catarse, podemos descobri-lo amanhã, pelas 18h30, nesta sessão para que vos convido. Apareçam, a entrada é livre!

 


 

Comentários

  1. Terroristas e refugiados... diz-se.
    Não foi sobre o que li no livro da Carla.
    Li sobre gente, pessoas não como eu, mas que acabam por o ser, porque são como eu seria se vivesse no país deles e naquelas condições.
    É o que a maioria não entende e nem consegue perceber, sejam os anti ou os a favor, nenhuma das duas facções entende as coisas e muito menos as pessoas!
    O livro da Carla, o citado "A sombra das árvores no Inverno", é o murro no estômago de 2026!
    Recebe essa denominação, de murro no estômago, como foram "Notas de um naufrágio", "A rainha do cine Roma", "Homens e ratos", "O sonho do celta", "Exterminem todas as bestas", "Pão de Açúcar", entre outros. Poderia aqui fazer uma longa lista mas estou de memória e assim de repente ocorrem-me estes títulos precisamente porque me atingiram profundamente e até ajudaram a mudar alguns pontos de vista, ou pelo menos chamaram-me a atenção para situações, pessoas ou problemas que me passavam algo ao lado - como se eu mesmo não tivesse já bastantes!
    A Carla para além de escritora, mostra que é um ser humano, que tem a compreensão e o entendimento das coisas, não da forma tonta que se ouve e lê para aí, na versão "woke" tão em voga, ou nem de nenhuma filosofia político-social, mas da forma esclarecida pela capacidade de olhar e sentir, que é fundamental ao escritor. Não nego ao escritor o direito a ter paixões, porém a sua obra será tanto melhor, mais humana e alcançará tanto mais leitores e o fundo dos leitores, quanto mais tenha a capacidade de não transmitir paixão mas sim sensações, de levar o leitor à descoberta ele mesmo e não porque foi atrás das palavras do autor.
    Para mim é o que faz a diferença na boa literatura!
    Fica a minha opinião, para quem a queira ler e possa entender. Sendo óbviamente livres de discordar e não desconsiderarei ninguém por tal.
    Saúdo uma vez mais a Carla e a sua maneira de ser, de escrever e de estar no Mundo.

    Cá desde a Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  2. Estará hoje a preparar a sessão de amanhã sobre um tema duro e difícil. Desejo que, mesmo assim, tenha um aniversário feliz.

    ResponderEliminar
  3. Parabéns Extraordinária Maria do Rosário Pedreira.
    Ofereceram-me esse livro, mas ainda não o consegui ler. Acabei este fim de semana o "Hoje, 3 de Maio" da Patrícia Portela e achei-o muito original e criativo.

    ResponderEliminar
  4. Parabéns, Rosário! E que a saúde a não abandone; amor parece que já tem e dinheiro imagino que vá dando. Aproveite os seus 67, os próximos já têm outra numeração. Também acho que faz um trabalho extraordinário enquanto bloguer e dentro da actividade livreira. E penso que tenho de ler uns livros seus porque no próximo ano quero falar de si na aula de seniores e não sinto que já o possa fazer. A Rosário sendo uma, é multifacetada. Conto também com as letras de fados e canções (tão raro as pessoas saberem quem canta que poetas) e passá-los em aula comparados com poesias escolhidas (que inda não escolhi); além disso já vi e ouvi na tv entrevistas suas onde distingue algumas de si mesma, nomeadamente a letrista de canções, da poeta. Espero que o you tube e o doutor google me ajudem na pesquisa. Quanto aos livros, vou comprando (ainda dou uma vista de olhos na biblioteca; não julgo que resulte). E, quando acontecerem essas aulas, vai ser bom.
    Não li "A Sombra das Árvores no Inverno", mas pelo dizer do António Luiz, é de ler. O presencial é que me é mais difícil, Lisboa não me fica ao jeito do querer. Desejo-vos uma calorosa e alegre recepção por parte do público presente e que ajude a Carla a vender bastante. Os temas podem ser tristes, mas existe a alegria de saber que alguém os traz para a boca de cena. Porque são reais, e é acto de valor.

    ResponderEliminar
  5. Também quero assinalar, e festejar, o (espero que feliz) aniversário da nossa anfitriã. Parabéns! Porém, não posso deixar de salientar, discordar de, e reprovar, o que aquela expressa no texto acima, mais concretamente isto: «... de vidas abaladas desde a infância por guerras injustas (como algumas das que hoje vivemos, infelizmente, por causa de loucos como Trump, Putin, o Hamas ou Netanahyu).» Isto é misturar... o que não deve ser misturado. Vladimir Putin, um ditador expansionista, e o Hamas, uma organização terrorista, sim, podem ser considerados loucos; nada têm de democráticos, tanto na forma como acede(ra)m ao poder como na forma em que o exerce(ra)m. Donald Trump e Benjamin Netanyahu, pelo contrário, são políticos em democracias e foram eleitos democraticamente. Tanto um como outro têm como principal missão, e obrigação, zelar pela segurança dos seus países e dos seus cidadãos, combatendo e neutralizando criminosos, incluindo terroristas, internos e externos. E entre as «guerras injustas» referidas está a actual dos EUA e de Israel contra o Irão? O regime de Teerão é o maior promotor de violência e de desestabilização no Mundo (não só no Médio Oriente) há quase 50 anos, e insiste em (tentar) construir armas nucleares. Tem feito correr rios de sangue, de estrangeiros e de iranianos. Só no ano passado pelo menos 40 mil pessoas terão sido assassinadas na repressão de manifestações contra a feroz ditadura dos «ai-as-tolas». Bastantes dos que não caíram logo trespassados pelas balas foram depois enforcados publicamente. Para não falar, claro, das muitas (tantas!) mulheres que, ao longo das últimas décadas, foram presas, torturadas (espancadas, violadas) e mortas apenas por não cobrirem o cabelo. Não faltam testemunhos, incluindo literários, de todo este terror. Talvez um dia a Maria do Rosário possa dar-lhes destaque.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro e Extraordinário Octávio, justamente o livro da Carla não faz elegia nem apoia nenhum ou nada daquilo que bem refere... fala apenas e só de pessoas, afinal como nós, que em contextos diferentes levam ou tentam levar as suas vidas. Porque a Carla, no meu entender, consegue isso, distanciando-se e focando-se nas pessoas, é justamente o valor do livro ora referido.
      Grande abraço cá da Cidade Morena.

      Eliminar
    2. Caro Octávio, o Hitler foi eleito democraticamente também.

      Eliminar
    3. «O Hitler foi eleito democraticamente também»? Na verdade... não exactamente. Nas eleições de 1932 o Partido Nacional-socialista «só» obteve 37% dos votos, logo sem maioria absoluta. O então Presidente Paul Von Hindenburg convidou-o para chanceler e para formar e liderar um governo de coligação. Em 1933 o incêndio no Reichstag deu aos nazis o pretexto para ilegalizarem e eliminarem a oposição.
      De qualquer forma, comparar um monstro genocida cujo maior (ou um dos dois maiores) objectivo(s) era exterminar os judeus... com um politico judeu, e com outro que tem parentes próximos judeus, nunca é uma boa ideia.

      Eliminar
  6. Espero que o dia tenha sido aproveitado da melhor forma possível. Parabéns!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

A saga das estrelinhas

O que ando a ler

Babell