O que ando a ler
Bom dia a todos. Espero que as férias tenham sido repousantes e que todos tenham feito boas leituras. Eu vou dar-vos conta das minhas ao longo das próximas semanas, mas hoje falarei tão-só do romance que fui comprar a correr na véspera de partir e de que estava já à espera há alguns dias, mas só comecei recentemente. Já tinha lido outros três da autora (há mais, mas não cheguei ainda a todos), mas o sucesso de Maggie O'Farrell firmou-se sobretudo com Hamnet por causa do filme homónimo, nomeado para vários Óscares e vencedor do de melhor actriz. Gostei muito desse livro e também de Retrato de Casamento e, por isso, estava naturalmente expectante com Terra, em que a escritora descreve a vida de uma família irlandesa antes e depois da Grande Fome, em vésperas de a Irlanda reclamar e conseguir a independência. Tomás, o pai, trabalha para o exército inglês cartografando o solo da Irlanda e leva Liam, o filho mais velho, em algumas expedições, embora este a dada altura se retire da sua companhia, indo estudar com o padre da terra e integrando posteriormente a Companhia de Jesus. A irmã mais velha, que gostaria de ter acompanhado o pai no lugar de Liam, acaba por emigrar para o Québec, ficando a mãe com os dois filhos mais novos, um deles mudo e verdadeiramente especial. Vivem no meio da natureza, que é talvez uma das principais personagens deste livro a que os britânicos chamaram «romance histórico», mas tem também os seus momentos de parapsicologia e espiritualidade. É bastante longo e menos seguro do que os anteriores, na minha opinião, talvez já um pouco condicionado pela hipótese de Hollywood e a piscar o olho ao grande ecrã. Veremos. Bem-vindos ao blogue, faltou dizer.
Obrigado por nos convidar e receber. Desejo que tenha tido umas boas férias.
ResponderEliminarNão fiquei entusiasmado com as "vidas," do romance e não li nenhum dos outros que mencionou. A ver.
Como ia fazer uma viagem longa de avião fui à estante pescar um livro que fosse pequeno com letras grandes. Optei pela "Perspetiva Nevski", de Nicolau Gogol. Não é um "grande russo" mas a crítica aguda que aplica à sociedade do seu tempo e o sarcasmo de que faz uso foram suficientes para tornar menos penoso o ambiente claustrofóbico em que o li.
Bom regresso!
ResponderEliminarLi um pequeno livro da autora, "O Estranho Desaparecimento de Esme Lennox". Já lá vão muitos anos! Entretanto, temos feira do livro aqui no Porto e já estou a ler um dos livros que lá comprei, o "Misericórdia".
Que bom regressar a este blog ! Por uma enorme coincidência , comprei no passado fim e semana, na feira do livro do Porto "O Estranho Desaparecimento de Esme Lennox". Nunca li nada da autora. Estas férias li "A península das casas vazias" e gostei muito. David Ucles escreve com uma originalidade impressionante e apesar do livro ser grande e o tema não ser leve, a escrita é fluida e bonita.
ResponderEliminarBom regresso a todos!
ResponderEliminarEu mesmo estou de regresso para uma curta estadia no meu Bairro Ribatejano, e, começo por dizer que os alegados momentos de espiritualidade e de parapsicologia já me enjoam na literatura contemporânea que parece não poder existir sem tal.
Por isso nada como os valores seguros de um clássico que me faltava e entretanto li. Curiosamente tem o nome de "A um deus desconhecido", envolvendo religião, porém da forma genial como John Steinbeck sempre conta as histórias dos seus fabulosos personagens!
Por falar em valores seguros, assim que cheguei, porque se trata de volume pesado que não dá para levar comigo no regresso à Cidade Morena, tratei logo de atacar "Do palito à perdiz", que trazia atravessado. Muito bom, como de costume, num escritor nada ortodoxo porém heteróclito (acho que nunca lhe chamaram isto e espero mesmo agradecimento) como é Paulo Moreiras, capaz de escrever sobre vários temas, com interesse, com conhecimento e humor, de uma forma que não maça pois ensina/divulga sem ser doutoral! Excelente trabalho de recolha de tradições, usos e costumes das nossas gentes em coisas tão simples... só não aconselho porque nem a todos interessa, mas é daquelas obras mesmo para mim. Numa futura edição revista e corrigida, sugiro ao Paulo que o termo "palitar" se usa modernamente na pesca submarina (que não tem ainda fumos de tradição centenária) e é aplicado para designar uma pesca feita "ao buraco", entre pedras e concavidades, saliências, fendas, grutas, que consiste em verificar minuciosamente todos os pequenos espaços onde se possam esconder peixes e na qual se usa precisamente o chamado "palito" que é uma arma muito curta de 50 cm de tubo com um único elástico forte e uma só volta de fio, e, a imprescindível lanterna.
Chegado no Domingo de manhã, fui logo à Bertrand à procura da nova publicação, a do burro, porém ainda não está nos livreiros, creio que esta semana, segundo me disseram. Fiquei frustrado mas o palito, tremoços, favas, ginjas... compensaram-me.
Enfim, tive ainda tempo de ler também um título novo que encontrei: "Portugal selvagem - extinções e regressos", de Paulo Caetano e Miguel Brandão Pimenta. Muito interessante o tema para a minha pessoa e próprio para ler de uma só vez.
Agora enquanto aguardo o do burro, vou começar "A sombra das árvores no Inverno" de Carla Pais, por quem nutro a maior simpatia e consideração, gostei do anterior e sinto que vou gostar deste. A Carla escreve com o coração e sensibilidade mas mantendo a sensatez própria da pessoas de juízo, com valores e equilíbrio.
Portanto façam o favor de aproveitar o bom tempo e recebam as minhas mais cordiais saudações cá do Bairro Ribatejano.