O burro que sabia escrever
Quando voltei de férias, avisei que este mês vos iria bombardear com sessões de lançamento e debate à roda de livros, e não menti. Ora, hoje é o dia da apresentação do livro Fortunas e Adversidades de Luciano de Megera, Burro de muitos Amos, a última proeza que nasceu da pena de Paulo Moreiras, o mais pícaro dos autores portugueses que, graças a Deus, cultiva um género literário bastante desprezado em Portugal no presente século mas que já lhe valeu prémios e distinções, entre os quais o Prémio Pen Clube de Narrativa no ano que findou. Desta feita, em lugar de uma apresentação formal (que nem combina nada com o Paulo e os seus livros bestialmente divertidos), a sessão será uma conversa que tem tudo para ser boa entre o autor e o grande programador cultural Nuno Artur Silva. Gostaríamos mesmo que aparecesse para assistir a um diálogo inteligente sobre burros, tema muito caro a Paulo Moreiras. Até logo.

Não conhecia as inclinações pícaras desse autor. Pena que um oceano nos separa. Muito obrigada por compartilhar, Maria.
ResponderEliminarOra, temos então conversa de burros? Ahahah! Uma burricada...
ResponderEliminarGostaria de estar presente é claro, sou grande fã do Paulo Moreiras com quem sinto enorme afinidade.
Gostei ainda desta história de um burro chamado Luciano Megera. As memórias do único burro que havia lido são de um chamado Cadichon.
Paulo Moreiras consegue fazer-nos sorrir ou mesmo rir ao longo de todas as páginas, com a sua verve que consegue tornar um episódio vulgar numa cena cómica, ainda pelas suas descrições de personagens ou lugares, numa torrente palavrosa de termos e comparações que só ao diabo lembraria usar! Ele tem o mérito de ir buscar palavras esquecidas, arcaicas, que enriquecem o nosso vocabulário de leitores, o que só por si constitui serviço público afora o quanto nos diverte com a forma como as entretece num quadro geral galhofeiro, porém culto, o que também é notável e cumpre ainda a sua função de Escritor.
Para quem pretenda uma leitura descomprometida e prazeirosa, aconselho vivamente.
O género pícaro não é muito cultivado porque me parece ser extremamente difícil de usar, obriga a um trabalho e seguramente investigação que não agradará a quem escreve a metro e ao correr da pena, no entanto garante um resultado brilhante quando conseguido.
Saudações pícaro-asininas cá da Cidade Morena!