Perplexidades
Acreditou-se provavelmente durante muito tempo que os livros não chegavam a todos pela distância criada entre leitores e escritores – e vai daí fez-se tudo para aproximar estas duas raças (que, como verão, nem sempre coincidem, porque também há escritores que não lêem), organizando sessões, festivais, entrevistas ao vivo e encontros para que o leitor perdesse o medo de uma vez por todas da figura tutelar do escritor. Mas com o medo foi-se o respeito, e uma grande quantidade de (maus) leitores acharam que então também podiam ser escritores, deitando-se ao trabalho de alinhar ideias e frases e de as publicar, se necessário pagando. Numa sessão na Feira do Livro de Lisboa sobre os poetas publicados pela Dom Quixote desde o tempo de Snu Abecassis até ao presente, aparece um jovem já na altura de se passar o microfone ao público e explica o atraso por ter estado a lançar o seu próprio livro de poesia. Explica que gostaria de passar a publicar na Dom Quixote e pergunta o que tem de fazer para isso. A editora Cecília Andrade propõe-lhe que concorra ao Prémio de Poesia Nuno Júdice, desde que tenha um livro inédito. Mas, surpresa das surpresas, o jovem não sabe o que quer dizer «inédito»... Ou seja, acaba de publicar um livro, mas falta-lhe o conhecimento de um dos mais importantes vocábulos em matéria de edição. E é bem capaz de não ser situação inédita...
Inédito, realmente. Até é capaz de presumir que TÊM havido muitos obstáculos à publicação das suas obras.
ResponderEliminarPasse a contradição, "No Comments".
ResponderEliminarNão foi fácil acertar em como comentar... mas consegui, prontos!
ResponderEliminarInteressante essa idéia do "medo" que o leitor terá do escritor. Nunca pensei nisso... para mim é inédito, eheheh! Há escritores que nos fascinam e que respeitamos, porém nunca me senti amedrontado, intimidado talvez, pela minha percepção da sua grandeza de autor.
Por tal, também nunca me senti próximo ou igual, há sempre a distância marcada pelo respeito, pelo reconhecer da diferença.
O que questiono é se isso que refere, perda de respeito, se deva à distância ou antes a que houve efectivamente uma generalizada perda de respeito como consequência da educação moderna, em que o respeito se perdeu, sobretudo pelo cultivar a falta de medo, sejamos claros! Quando há medo há respeito. O medo é substituído por outros sentimentos mas permanece e portanto o respeito.
Pela minha parte, por muito próximo que me sinta de algum escritor com quem tenha o privilégio de me corresponder ou trocar impressões, permanece o respeito quanto mais não seja por o considerar superior, o que é a realidade. Pelo menos a minha, e, dou-me bem com ela!
Saudações respeitosas cá da Cidade Morena.
Espero bem que esse não seja o Poeta da Cidade que, segundo ouvi dizer, não li, suponho que em edição pessoal como tantas que existem, escreveu o livro mais vendido na Feira. Não sei se isto é verdade, mas como eu gostava que fosse! Oxalá seja, uma das justificações das editoras para a recusa de publicação foi que "a poesia não vende".
ResponderEliminarTambém não me parece desfaçatez gostar de uma editora para primeira publicação. Será isso uma falta de respeito?! Pode ser apenas ingenuidade de quem desconhece processos e ignora que a resposta não está na mão dos escritores, antes supõe que publicar é coisa fácil e acessível a qualquer. Não sei o tipo de jovem, mas também ninguém sabe se lhe custou ou não perguntar. E perguntar não ofende. O que se lamenta é a exiguidade vocabular do garoto.
Oláaaa.
ResponderEliminarSe tiverem oportunidade, convido-vos também a visitar o meu blog: noite.blix.pt
Se o seguirem, terei todo o gosto em retribuir e seguir o vosso também.
Obrigada