Tu cá, tu lá
Lembro-me perfeitamente, numa altura em que o meu pai viveu em Madrid durante a minha adolescência, de se comentar por lá que as pessoas tinham passado a tratar-se por tu, independentemente da diferença de idades ou do estatuto; que, embora num café ou restaurante, clientes e funcionários continuassem a manter alguma distância, os alunos tratavam por tu os professores e o mesmo acontecia entre desconhecidos (ao Manel, num comboio, o companheiro de compartimento apresentou-se-lhe e perguntou: «Y tu quien eres?»). É verdade que os Portugueses são mais formais, mas que em certos âmbitos isso se está a perder. Encomendei numa livraria física um romance que queria oferecer a uma das minhas sobrinhas (apesar de ser recente, não havia nem um para amostra...) e recebi no dia seguinte um e-mail a dizer: «Temos boas notícias! O teu livro chegou. Podes levantá-lo no balcão das encomendas», etc., etc., etc. O livro que pedi não era nada juvenil, por isso só me ocorre pensar que estamos a adoptar cada vez mais o «you» e que um dia destes ainda nos vamos tratar todos por tu, como aqui ao lado... ou a falar inglês.
É bem capaz de ter razão. Mas, tradicional como sou, ainda fico a olhar para essas mensagens como se não me sejam dirigidas. Estranho-as. Pode que aconteça como no caso da coca-cola:).
ResponderEliminarNão sei é influência do inglês que só tem o "you", se é dos espanhóis que tuteiam muito e sempre me lembro de o fazerem. Como sempre me dei muito com eles não estranhava, não noto que em Portugal esteja a ser a tónica, mas há já algum tempo que percebo o tratamento por tu nas mensagens publicitárias - creio que as julgarão mais directas ou criar uma proximidade cúmplice - e também nalguns e-mails comerciais.
ResponderEliminarO tutear alguém obedece, ou obedecia, a regras bem definidas e uma delas era ter em conta a idade.
É complexo, sim. Mas muita coisa tem mudado!
Recordo-me do meu amigo José Joaquim Jordão, quem depois de muitos anos de afastamento e reencontrados através do facebook num grupo de pesca submarina, me convidou a ir passar uma semana de pesca nas rias baixas (Galiza), na sua casa. O grupo era composto por nós dois e os seus 3 filhos, com quem a despeito da diferença de idade de 30 anos estabeleci uma relação de camaradagem na partilha da paixão pela pesca e que bastante aprenderam nessa e noutras jornadas que depois partilhámos. O JJ Jordáo dizia-me: eles tratam-te por tu, mas não te respeitam menos por isso!
Saudações humanas e saudáveis cá da Cidade Morena, pós-Biden!
Quando recebo uma comunicação desse teor recuso-a enquanto digo para mim mesmo: mas estes tipos conhecem-me de algum lado?
ResponderEliminarSerão mesmo as pessoas que decidem, ou será a nova regra do marketing que pensa que assim ficamos todos mais íntimos?
ResponderEliminarDa mesma forma quando somos contactados por telefone, vem o tratamento pelo nome e não pelo apelido.
Estou farto destes "tempos modernos"...
Realmente, o respeito vai muito para além das palavras...mas não será fácil assumir tal mudança...
ResponderEliminarBeijinhos
Tem razão. Há anos que, pelo menos quando estou ao telefone a ouvir alguém que não seja um amigo ou conhecido , sou tratada por senhora Maria...
ResponderEliminarE acho muito bem! Senhores é no céu e você é entre burgueses. Eu trato toda a gente por tu. Quando um médico me disse para não o tratar assim, respondi-lhe: 'Peço desculpa, estava a pôr-te ao meu nível'. Detesto o formalismo português.
ResponderEliminarFaz parte da formação que recebem, normalmente e quase sempre por formadores brasileiros, essa de tratar o sr. João Silva por sr. João, para "aproximar".
ResponderEliminarO que estes formadores não ensinam é que os formalismos são formas de mostrar respeito entre as pessoas que devem ser observados para que haja um bom ambiente. Havendo-o, logo se parte para a informalidade, e, não é quebrando-o logo à partida que se obtém esse ambiente confortável entre pessoas que não se conhecem. Se não houver esse ambiente ou se quiserem, empatia, a formalidade mantém-se, o que é indicador de que algo não correu de feição, podendo o observador atento corrigir o que tenha provocado isso e fazer evoluir no sentido desejado.
As relações humanas são algo de complexo e muito interessante por sinal.
Como em tudo, saltar degraus na escada nem sempre resulta bem, pode tropeçar-se ou dar um trambolhão, uma canelada...
Assumo que sou praticante e adepto do formalismo, repito, como forma de se estabelecer uma ponte entre as pessoas. Depois deixo-o cair, embora mantenha certos princípios que entendo como educação e civilidade, segundo o código em que fui educado e vejo em muitas outras pessoas. Ao contrário do que possam pensar alguns, isso não nos afasta, pelo contrário,aproxima-nos!
Saudar quando termino a minha missiva ou comentário, é outra formalidade que não dispenso como já terão percebido.
O caro e extraordinário João, está no seu direito, evidentemente.
ResponderEliminarDe detestar o formalismo português, que desconheço seja portanto exclusivo dos portugueses. No entanto não me parece que os portugueses sejam excessivamente formais quando comparados com outros povos. Pelo contrário, tendemos precisamente a ser menos formais e criamos rápidamente, empatia com todos (ou quase todos).
A informalidade é por vezes formal, notem. Em África por exemplo, certas formalidades constituem uma falta de saber estar e dou um exemplo:
- Uma vez fomos com um grupo grande para a Equimina, as senhoras abriram expuseram os seus quitutes para todos se servirem, aqui é assim e não há um convite formal para alguém se servir. A minha mulher levantou-se cedo, viu o estendal de vitualhas pelos móveis da casa de jantar, mas não tocou em nada... desconhecedora da norma, agiu em conformidade com o que foi ensinada e que é não tocar naquilo que é dos outros sem indicação para tal. Resultado, a líder das senhoras, a D. Fatinha - aliás uma boa amiga - julgou que não lhe agradavam e ficou preocupada vindo perguntar-me o que ela queria para o pequeno-almoço. Mal-entendido, logo desfeito pela explicação do desconhecimento de como as coisas funcionavam.
A ter isto em muito conta, digo eu, saudando formalmente cá da Cidade Morena!
Lamento não o ter saudado, António Luiz Pacheco... O que aqui deixei foi um simples desabafo e sou bem mais tímida do que pareço quando me dirijo a alguém que não conheço...
ResponderEliminarDesejo-lhe uma feliz tarde
Não será a primeira vez que pergunto a um agente da psp/gnr se na escola por onde passou não lhe ensinaram que não se deve tratar alguém por “você”
ResponderEliminarOra vejam só!
ResponderEliminarConsiderar insultuoso tratar alguém por você!!!
Ele há cada uma!
Fui assim ensinado: você é estrebaria. Registe (tanta gente a ler e tantos amantes de livros…)
ResponderEliminarMeu caro, não se admire. Já aqui vi adeptos de tortura de animais, vulgo touradas, e ninguém se incomodou!
ResponderEliminarCada um comporta-se como entende, pode tratar por senhor, por tu ou por você etc . Eu, por exemplo, ainda sou mais informal e trato toda a gente por Senhor Barda-Merda.
ResponderEliminarNão é insultuoso mas é indelicado.
ResponderEliminarOh! Santa ignorância!
ResponderEliminarVocê é abreviatura de Vossa Mercê!
Indelicado tratar alguém por Vossa Mercê?!!!!!
Você, caro anónimo, é agente da psp/gnr?
ResponderEliminarEstá enganado, não é uma abreviatura mas antes uma corruptela
ResponderEliminar"Indelicado tratar alguém por Vossa Mercê?!!!!!"
ResponderEliminarPor Vossa Mercê não seria indelicado. Seria uma maneira arcaica de tratar para despertar o riso. Já você é considerado indelicado por muitos falantes do português. Mesmo muitos.
Não és informal nem formal. És um merdas.
ResponderEliminarA propósito de o tratamento por tu poder ser considerado inapropriado, e poder ser substituído então, por você, convém manter o debate em nível elevado, certamente.
ResponderEliminarNa Wikipédia em "https://pt.wiktionary.org/wiki/você" está em etimologia: “De vosmecê, que por sua vez adveio de vossemecê, sendo este vindo de vossa mercê, que por sua vez procede de vostra mercedenen”.
E usa-se como substituto de ‘o senhor’ ou ‘a senhora’.
Portanto nada ofensivo e muito menos estrebaria: significa Vossa Mercê, o senhor ou a senhora.
No Ciberdúvidas em "https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/idioma/voce-e-estrebaria/4309" é referida a estrebaria e formas de tratamento ‘obrigatórias’ a magistrados em tribunal. Por favor não introduzir confusão.
Você é bom português. No Brasil quase se não usa tu, mas apenas você. E lá bem como em Portugal sem preconceitos, bem como em África de língua oficial portuguesa não é ofensivo tratar alguém por você, seja quem for o falante.
E está em Eça de Queirós. E Está em José Saramago, que foi premiado com Nobel ! Isso sim.
Acrescento que o tratamento por você entre pessoas desconhecidas (por exemplo um empregado de café ou a recepcionista de um hotel) faz uns certos arrepios em Lisboa, mas no Norte, ao que sei, é perfeitamente natural e não choca ninguém, mesmo entre classes sociais afastadas. Tudo é relativo.
ResponderEliminar"És um merdas."
ResponderEliminarComo é que descobriu?
Premiado com o Nobel, porém não seria exemplo de urbanidade
ResponderEliminar.."vamos tratar todos por tu.." e tu (a Sra.) se importa?
ResponderEliminarsou desse momento, a mudança para o tu, acho que os avos foi quem mais sofreu.
ResponderEliminarQuanto á resposta que recebeu, talvez seja resposta IA.
Boas Festas
Deixem lá o tu e o você e tratem as pessoas pelos nomes.
ResponderEliminarO tratamento por "tu" é o que está a dar. E o próximo tratamento a introduzir-se vai ser o "ó pá". Vejam que até o Putin já desafiou o Trump no âmbito dessa terminologia, quando ontem lhe fez aquele desafio: "ó pá, desafio-te a ver qual de nós tem a piroca maior".
ResponderEliminar(este Putin á tão infantil...)
A lingua castelhana é mais descontraída que a nossa, o mesmo se passa com a lingua brasileira.
ResponderEliminarTrabalhei com muitos colegas espanhóis ao longo da minha vida profissional e mesmo no trabalho a relação era mais descontraída e menos formal.
Mesmo em reuniões mais tensas a informalidade estava lá, sem que ficasse nada de desagradável por dizer.
Para concluir
ResponderEliminar“vc é estrebaria, quando eu nasci vc já palha comia” 😹
Passo a brincadeira e digo que o meu pai sempre me repreendia quando eu tratava alguém por vc e ainda hoje eu não trato ninguém por vc. No entanto tratava o meu pai e a minha mãe por tu desde que comecei a falar. Algumas pessoas ficavam escandalizadíssimas!
Hoje em dia o tratamento por tu nos jovens é muito natural, sejam amigos, conhecidos ou mesmo desconhecidos como por exemplo os prestadores de serviços.
Quando temos consultas ou exames e nos chamam pelo primeiro nome e o último apelido é complicado, ou seja, é mais uma mudança.
A todos um Bom Natal e Boas Festas com tu ou vc🎄⭐️🎁🎉🎊🎉🥂
Pois é “primeiro estranha-se depois entranha-se”
ResponderEliminarBom Natal🎄
Não existe pesca submarina. Tratar por “tu” os peixes é estar no seu meio ambiente e caça los.
ResponderEliminarO J. e tu não és merda mas coisa ainda pior é ser um javardinho
ResponderEliminarOs gajos do norte são especiais ( tu para aqui tu para ali tu não queres uma passa )
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