Um género sem género

Com a minha experiência ao longo dos anos, vejo-me mais ou menos obrigada a concluir que o género denominado «thriller» (não consigo traduzir, desculpem, e não, não é um policial), com bastante suspense, reviravoltas inesperadas e o efeito de nos deixar por vezes nervosos ou ansiosos, é mais lido por homens do que mulheres. E, porém, encontro no The Guardian um interessante artigo que refere que muitos dos mais significativos thrillers psicológicos foram escritos justamente por mulheres. Desde logo, o agora bastante badalado Ripley (O Talentoso Mr Ripley, assim se chama o livro), assinado por uma mestra do suspense, Patricia Highsmith, que inventou esta personagem tremenda e sonsa que se aproxima de um velho colega rico, o mata e depois se faz passar por ele, vivendo a vida de rico que sempre ambicionou. Mas também há uma menção a Daphne du Maurier e ao seu incomparável Rebecca, de que Hitchcock fez um filme inesquecível com Laurence Olivier no papel do viúvo que traz a nova mulher para a sua propriedade isolada, onde a governanta não a deixará sossegada, contando constantemente como era no tempo da falecida. Podemos ainda falar de livros como A História Secreta, de Donna Tart, sobre um grupo de estudantes que mata um colega logo na primeira página, ou Em parte Incerta, de Gyllian Flynn, ou mesmo o mais recente best seller A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins. Afinal, parece que também há mulheres dadas ao género, contrariando os dados oficiais...

Comentários

  1. António Luiz Pacheco29 de abril de 2024 às 01:19

    Diria, na minha prosápia, que, "suspense" é de facto o termo adequado para " thriller".
    Todavia, também é de origem francesa... romance de suspense, filme de suspense.
    Em português creio que "emocionante" ou "surpreendente" é o que traduz.
    O pragmatismo anglo-saxónico é um facto, conseguem compactar numa palavra um rol delas, de imagens ou de idéias.
    Não me choca nada usar estes termos que são corriqueiros no nosso diário linguajar.
    Mas se thriller diz tudo sobre um romance ou filme, podemos acrescentar ou ter presente que emocionante e surpreendente lhe assentam para o explicar. Ora o que eu defendo é que se usem estes termos, porém, temos o dever de saber explicar em português aquilo que significam. Em minha opinião isso é que é saber usar e defender a nossa língua.

    Confesso que nunca me dei conta de que mulheres e homens fossem mais dados a consumir ou a criar "thrillers", independentemente da sua natureza, policial, espionagem, ficção científica, terror ou outra. Fica o apontamento pela curiosidade.

    Votos de uma boa semana cheia de emoções e surpresas boas, cá desde a Cidade Morena!

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  2. Caro Luís Pacheco, também andei anos convencido que a origem do "suspense" era francesa, até ao dia em que resolvi confirmar a etimologia. Parece que afinal a origem é inglesa.
    Cumprimentos
    João Raposo

    Ps: espero que não leve a mal o meu comentário pois essa não é a minha intenção.

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  3. Interessante esse dado. Gosto muito de livros e tramas de suspense e terror psicológico.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  4. António Luiz Pacheco29 de abril de 2024 às 08:45

    Tem razão e agradeço!
    Depois de o ler, também fui bisbilhotar um pouco e parece que afinal é uma palavra franco-inglesa, com dupla nacionalidade portanto?
    Muito curioso. Se não houver curiosidade não conseguimos desenvolver os nossos interesses.
    https://www.etymonline.com/pt/word/suspense

    Grande abraço luso cá da angolana Cidade Morena.

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  5. Persiste, no entanto, a dúvida; de onde provem e o que significa “editing” usado aqui há pouco?

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  6. António Luiz Pacheco29 de abril de 2024 às 11:13

    Nem tanto, caro anónimo:
    - Editing - Redigir ou organizar (texto) a partir de algo já escrito, utilizando processador de textos [F.: Do fr. éditer. Hom./Par.: edito (fl.), édito (sm.). Cf.: editorar.]
    Pareceu-me a mim que também li o texto, perfeitamente claro.
    Quanto à decisão de utilizar o termo anglófono em vez de um português como "edição", essa parece ser discutível.
    Para se parecer "profissional" e credível, convém usar estes termos "pour épater les burgeois" (ou embasbacar os pategos). Tive um professor de Marketing e Comunicação que dizia que "usar uma gravata espampanante e dizer umas expressões em inglês" funciona sempre! Creio que todos leram a mesma cartilha, só não o querem revelar.
    O "marquetês" engalinha-me a sério, mas se o não usar parece que além de não entender o que dizem como não sou entendido, e, passo por alguém ultrapassado, tosco, um neanderthal!
    Enfim, é o que temos... há que sobreviver, mesmo que fingindo.

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