As alegrias de um arado torto

Quando publicámos Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, em Portugal, o livro tinha sido o vencedor do Prémio LeYa, mas nem o autor nem nós alguma vez sonhámos que faria o longuíssimo caminho que está a percorrer desde então e que traria ao autor uma inesperada reputação (era um primeiro romance, antes só havia uma pequena colectânea de contos). Logo no ano seguinte, Torto Arado foi publicado no Brasil, onde o autor nasceu e onde venceu os Prémios Jabuti e Oceanos e vendeu até hoje (livros em papel + livros electrónicos) mais de 900 000 exemplares (é obra!). Mas o sucesso rasgou fronteiras. Foi adaptado ao teatro por Christiane Jatahy num espectáculo que está a correr mundo e, quando começaram a sair as edições estrangeiras, o livro começou também a ser nomeado para vários prémios (como o Dublin Literary Award) e em França ganhou há uma semana o prémio Montluc Résistance et Liberté, de resto, perfeitamente adequado a este livro. Foi ainda escolhido para a long list do Booker Prize Internacional e, há uns dias, recebemos a maravilhosa notícia de que, entre os treze romances nomeados para este prémo prestigiante, passou à final. Parabéns por tudo, querido Itamar. Desejo sinceramente que isto seja só o princípio de uma carreira fulgurante (leiam o segundo romance, Salvar o Fogo, igualmente imperdível) que leve ainda mais longe as suas palavras belas e profundas.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco12 de abril de 2024 às 02:23

    Sou grande crítico ou mesmo muito céptico no que diz respeito a premiações, que na maior parte das vezes me parecem meras manobras de merchandising dos departamentos de marketing das casas editoras. Isto porque raramente concordo com a atribuição a romances que me parecem não merecedores...
    No presente caso, as premiações e críticas ao Extraordinário romance do nosso amigo Itamar, acho-as mais do que merecidas e justificadas pela qualidade, o tema e até a inovação que "Torto arado" me parece possuir.
    Desta vez sim!
    Grande abraço ao autor e parabéns, estimando que continue a conseguir fazer como faz a ligação entre o maravilhoso rural e a vida moderna, na actualidade.
    Já li "Salvar o fogo" e concordo com a Nossa Extraordinária Anfitriã a quem também estendo os meus parabéns. É imperdível, sim. Tem o aroma dos melhores da literatura clássica brasileira.

    Saudações felizes e livrescas cá da Cidade Morena onde o cacimbo que entra suavemente vai-se fazendo sentir já, nas noites e madrugadas menos quentes.

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  2. João P George desmonta bem, em sucessivas publicações, o ambiente de compadrio que envolve os prémios e afins.

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  3. 900 mil exemplares a um real por exemplar de direitos de autor dava quase 200 mil euros

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  4. Gostei tanto desse livro que foi oferta a pedido, que também o ofereci várias vezes. Vou de certeza ler o segundo. Os prémios que ganhou, sejam eles quais forem, são merecidos.

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