Grande artista escondido

Há muitos anos, quando comecei, ainda tão nova, a ir à Feira do Livro de Frankfurt, conheci um casal da edição do qual nunca mais me separaria: a Maria da Piedade Ferreira, que é hoje a editora de António Lobo Antunes na LeYa, mas passou por variadísimas chancelas, como a Bertrand, a Difel, a Quetzal e a Gótica; e o Rogério Petinga, um artista que fez algumas das capas de livros mais lindas que Portugal já teve. Ambos, com Maria Carlos Loureiro e Francisco Faria Paulino, foram os fundadores da editora Quetzal, que primou sempre pelo bom gosto extraordinário quer na escolha dos autores (Duras, Tabucchi, Julian Barnes...), quer na imagem gráfica. Fico orgulhosa de ter publicado lá o meu primeiro livro de poesia, com capa de Rogério Petinga. Na Gótica, que os dois fundaram mais tarde, foi também ele que fez as capas dos meus livros seguintes. Infelizmente, este grande artista escondido (sim, era um homem discreto e metido consigo) deixou-nos na sexta-feira passada. Espero que a sua obra gráfica possa ser um dia mostrada a todos, pois é notável. Paz para ele.


Sugiro hoje um livro que foi editado originalmente pela Quetzal com capa do Rogério Petinga: O Papagaio de Flaubert, de Julian Barnes. Imperdível ainda hoje.

Comentários

  1. Pensava ser a Quetzal Francisco José Viegas, cujo magnífico "Longe de Manaus" e crónicas de António Sousa Homem muitas saudades me deixaram. Afinal parece que me enganei.

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    1. Não se enganou: hoje,sim, é Francisco José Viegas o seu director editorial. O casal que refiro no texto deixou a editora no fim do século XX.

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    2. Obrigado pelo esclarecimento 😊

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  2. António Luiz Pacheco24 de março de 2020 às 04:11

    Os artistas como o que refere, são muitas vezes ou até quase sempre desconhecidos do público, mesmo do público "livrista" como nós o que não somos profissionais do ramo, apenas consumidores.
    Tal como os traductores, que são normalmente ignorados... entre outros de toda a fileira que compõe um livro e que tanto depensde do gosto, sensibilidade, arte de cada um desses operários.
    É uma altura tão boa como outra qualquer, mas talvez uma boa altura para nos lembrarmos deles!

    Saudações saudáveis e serenas, cá da Cidade Morena!

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  3. Estou a ler "O Papagaio de Flaubert" e tive a curiosidade de ver quem tinha feito a capa. Foi a primeira vez que reparei no nome do Rogério Petinga (pela qualidade e bom gosto...).

    E depois soube do seu desaparecimento. É sem qualquer dúvida um grande artista gráfico e gostei de saber um pouco mais sobre Rogério Petinga, nas "Horas Extraordinárias".

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  4. Julian Barnes deve mais à capa do que ao conteúdo (apesar de ser um bom livro-só que a capa é única!)

    Aqui está um livro que qualquer leitor identica à distância.

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  5. Achei o Papagaio delicioso. Dos melhores livros que tenho lido. Nunca mais encontrei Julian Barnes ao mesmo nível.
    Comprei em 1996 a edição de 1988. Não sei se houve outras posteriores.
    Gosto de manusear a capa e tenho que reconhecer que a sua ilustração é de artista. Um artista que nos deixou.

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  6. O livro que sugere li não há muito tempo e acabei ontem um livro que aqui vi referido 'aprender a falar com as plantas' de Marta Oririols que comprei de seguida e acabei de ler, bela dica, um livro de que gostei muito, obrigado pelas dicas e espero que continue a dar sugestões de leitura.
    Henrique Cheira

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  7. Referi a escritora Marta Orriols mas no comentário ficou um erro provocado pelo corrector mas aqui fica o nome correcto.
    Henrique Cheira

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